Dias Únicos
“Para mim, tudo começou no dia em que o professor havia dito que teria um acampamento com os membros caiçaras e convidados.”
No começo, fiquei pensando em quais itens levar para o acampamento, tive a oportunidade de ler um relatório de um acampamento, também proporcionado pelos membros do grupo caiçara. Fiquei curioso sobre como iria ocorrer esta aventura. E fiquei noites pensando nela.
Esperei até o penúltimo dia para fazer as compras dos equipamentos, e levei tudo o que o professor havia dito para levar e mais um pouquinho.
Enfim, na segunda-feira, dia 25 de janeiro de 2011, juntamente com o companheiro caiçara Raul saímos de Arapiraca e fomos para Maceió. Pegamos um ônibus e fomos em direção ao Posto da Rodoviária Federal de Maceió e lá esperamos e logo em seguida ligamos para nossos amigos caiçaras em busca de mais informações sobre o ponto de encontro que era na gráfica de paredes azuis, que ficava ao lado do Posto da Rodoviária Federal.
Quando chegamos esperamos por um tempo, e foram aparecendo nossos amigos caiçaras (de Maceió, Arapiraca entre outras cidades) que iriam fazer parte desta nossa aventura (no todo foram 18 pessoas). Por volta das 17h00min o professor Gerson apareceu em um Van que iria nos levar a cidade de Murici no Novo Hotel e lá tivemos nosso ultimo jantar delicioso, e o ultimo banho de chuveiro. Ainda tivemos tempo de visitar a principal praça da cidade de Murici onde tiramos fotos e conversamos para nos conhecer melhor.
Fomos dormir, e a partir das 3h00min os membros caiçaras já estavam de pé, preparando as mochilas, os tênis, passando hipoglós (pois sabíamos que não seria nada fácil a nossa caminhada). Tomamos “café da manhã” (já começamos a tirar o peso das mochilas comendo as frutas que eram de idade peso).
Sob a lua minguante e das estrelas, demos a nossa partida que seria da cidade de Murici para a Serra do Ouro que tem em torno de 20 km de distância. Durante toda a caminhada me senti muito bem, estava entusiasmado com toda aquela aventura, respirava fundo para sentir mais ainda a brisa gostosa da madrugada. A única preocupação minha naquele momento era o peso da minha mochila que tinha em torno de 13 kg. Durante toda a caminhada virava minha mochila para frente do meu peito, colocava sobre meus braços, ficava trocando-a de lugar para me sentir mais confortável, o peso estava aumentando a cada minuto (mesmo dando todas as minhas frutas a companheira caiçara Thassia).
Andávamos sobre uma estrada de terra, e havia algumas possas com água que tínhamos que pulá-la ou passar do lado para não molharmo-nos. Senti-me ótimo nessas horas, sabia que ali já havia começado nossa aventura.
Depois de algumas horas de caminhada o Sol começou a aparecer, depois de termos completado em torno de 50% da caminhada tivemos nossa primeira pausa, que foi debaixo de uma grande arvore, ficamos ali descansando por cerca de 10 minutos, lá pudemos trocar as meias dos tênis que estavam molhados, comer, etc.
Voltando para nossa longa caminhada, começamos a subir algumas serras, só que elas eram íngremes, e com nossas mochilas pesadas a caminhada ficou árdua. Mais todos estavam que subindo, acredito que pegaram um ritmo e subiram sem olhar para traz, eu não me contive e em todo percurso fiquei observando a natureza, estava tentando me ligar a ela o máximo possível naquele momento.
Tivemos nossa segunda parada, que foi em um riacho. As meninas do grupo foram primeiras (cavalheirismo foi o que não faltou no grupo), logo em seguida os homens foram. Ao chegar neste riacho não estava muito interessado em entrar, fiquei sem vontade, pois fiquei achando que poderia me atrapalhar na caminhada principalmente na formação de assaduras. Mais o riacho era muito bonito, acredito que estava muito frio também.
Voltamos para nossa longa caminhada, “subimos e subimos” serras, depois de algum tempo de caminhada e muitas risadas, pois conversávamos sobre os outros acampamentos, tivemos então nossa terceira parada que ainda na subida das serras, atravessamos um portão e descemos alguns metros até acharmos outro riacho, neste eu fiquei animado para entrar, mas alguns dos caiçaras aconselharam a não entrar, pois acharam que a água estava um pouco parada.
Então depois de observar aquela beleza extraordinária “voltamos para nossa longa caminhada”, chegando ao quase topo da Serra do Ouro, pudemos descansar e trocar algumas idéias além de termos nos alimentado de jaca (sendo que foi a minha primeira vez que comi tal fruta).
Alguns dos caiçaras foram em busca de uma água inodora, pois a que tínhamos achado a priori não estava muito legal, e alguns outros membros foram em busca do local que iríamos acampar sendo que era dentro da mata. No final das contas ficamos instalados no local do ultimo acampamento dos caiçaras.
Fomos separados em grupos de três, neste momento o que vinha em minha mente era o aviso que o Mestre Gerson havia dito quando chegamos a Murici no Novo Hotel, que devíamos obedecer para uma melhor convivência.
Então foi isso que eu fiz, me predispus a fazer o que o Fernando (Líder) do nosso grupo pedir. Então foi designado a mim e outro membro a ir buscar palhas para cobrir a nossa “barraca”. Começou a chover, houve dificuldades desde ter íngremes subidas até o peso das palhas.
No final das contas, apenas uma barraca foi concluída com êxito, que ficava entra a nossa equipe que ficava na entrada da mata e da equipe do Mestre Gerson, nesse meio tempo eu perdi meu óculos por um acidente na hora de cortas as palhas no meio (ninguém encontrou), o que me desanimou bastante. Um dos nossos amigos caiçara passou mal, eu estava sem óculos, e os restantes estavam exausto, eu mesmo estava com dor nas costas por ter carregado aquele peso insuportável, meus pés estavam cheios de bolhas e estava com muita dor de cabeça.
Mais como disse, até por todos esses pesares eu estava curtindo a natureza e tudo envolta de mim, ao anoitecer todos nós ficamos sobre uma única coberta alguns ficaram na rede e outros ficaram no chão úmido, mais aquilo sim foi uma aventura, todos estavam exausto, casados por terem caminhado tanto, e por terem corrido contra o tempo em busca de matéria prima para fazer as cobertas, mais eu estava feliz. Comemos o nosso jantar, o qual foi frutas, muita farinha com charque, e diversas coisas que o pessoal trouxe.
No final da noite algumas pessoas se manifestaram, comentaram sobre a aventura, sobre as dificuldades, entre outras coisas. Eu estava muito animado, eu até queria falar, mais estava tão entusiasmado e um pouco triste por estar tão exausto e a perda dos óculos (pelo menos vou ter o que falar desse acampamento) que preferi ficar com os meus pensamentos.
Tentamos dormir, mais foi difícil, pois estava chovendo, estava frio, o chão úmido, e corríamos risco de sermos atacados por algum inseto peçonhento, fora que haviam algumas goteiras na coberta. Eu troquei de lugar com um amigo caiçara, pois ele estava incomodado com as goteiras, mais no final ele se arrependeu.
Acordamos, e achávamos que era tarde, mais quando olhamos para o relógio eram em torno de umas 02h30min. Depois de um tempo voltamos a dormir e aos poucos o pessoal ia acordando umas 06h00min. Tomamos nosso primeiro café da manhã no meio da mata, que foram frutas, charque, guloseimas caseiras etc.
Passamos o tempo conversando, alguns foram buscar água, outros ficaram ainda alimentando a fogueira que foi feita a noite. Tentaram até fazer um café, durante toda aventura eu tentei curtir a natureza, fiquei calado, não conversava muito, estava bem.
Foi dito que algumas pessoas iriam voltar naquele dia, pois alguns estavam doentes, outros exaustos, outros desanimaram, e eu fiquei pensando na possibilidade de ficar mais os momentos “motivatórios” do Mestre Gerson não me animou. E acabei por ir, juntamente com alguns membros caiçaras, houve o incidente entre o Mestre Gerson que fez uma brincadeira de mau gosto com o “Zapata” que ingeriu querosene. Tirando esse infeliz acontecimento e o meu óculos perdido o acampamento foi uma das melhores aventura que já fiz na minha vida, a pesar que eu apenas passei umas 36 horas e não os 5 dias previsto, mais foram as 36 horas mais cansativas dos 5 dias.
Aprendi a fazer fogueira em um breve momento, queria muito ter aprendido a fazer a estrutura das cobertas, só que não houve tempo. Mais no “final das contas” tudo foi legal, pude fazer uma introspecção. E a partir deste acampamento pude ter uma breve experiência do que é viver e sobreviver em um meio hostil. Também consegui fortalecer minha mente e meu corpo através deste acampamento dos caiçaras.
Salve!
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