quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Havião


SERRA DO OURO, Murici-AL, 27 de janeiro de 2011.

Acampamento de férias

            O acampamento na selva com pessoas de diversas formações – desde estudantes a professores universitários – é uma experiência excepcional, nos faz lembrar os guerrilheiros de Serra Maestra (Cuba) e outros de diversos países do mundo que seus líderes resolveram resistir com todas as forças pela libertação de seu povo.
            O revolucionário que decide assumir a guerra de guerrilha como estratégia de libertação do seu povo tem que estar bem convencido da decisão, pois a vida na selva não é tão fácil. Viver na selva requer muito trabalho e disciplina. Montar acampamento requer: cortar madeira, montar a estrutura do barraco – que precisa ser bem pensado para que fique bem seguro e não provoque acidente – fazer a cobertura com palha de palmeira, além da procura constante por alimentos, seja através da caça, seja através da coleta de frutos.
            Mudando de assunto, o acampamento da Serra do Ouro foi um acampamento de férias do grupo de capoeira CAACAIRA*, que tem como mestre, o professor Gérson do curso de Psicologia da Universidade Federal Alagoas. Foi um acampamento mais de sobrevivência. A iniciativa é bem interessante, pois os capoeiristas saem das rodas de capoeira da cidade e voltam a seus ancestrais – que foram os nossos bravos e combatentes escravos – que, ao fugirem das senzalas, passavam a viver na selva nos chamados quilombos. Apesar da diferença da Serra da Barriga de União do Palmares e a Serra do Ouro de Murici, pois na Serra da Barriga existem muito mais condições de sobrevivência do que na Serra do Ouro, é um excelente local para lembrarmos do dia-a-dia dos nossos libertadores negros.

O acampamento

            O acampamento começou com uma caminhada de aproximadamente 20 Km, onde a maior parte do tempo andamos pelas terras que Renan Calheiros e seus familiares tomaram da reforma agrária, pois esta terras pertenciam a antiga usina Bititinga e com a sua falência eram para serem destinadas para a reforma agrária, mas estranhamente o processo de desapropriação foi Brasília e sumiu. Tempos depois as terras apareceram com um novo dono, o senhor Olavo Calheiros, irmão de pai e mãe do atual senador por Alagoas, Renan Calheiros.
É uma caminhada bastante cansativa, porém muito importante para nós testarmos a resistência e ficar mais próximo da natureza. Depois de mais de seis horas de caminhada, conseguimos chegar a Serra do ouro. Um lugar muito bonito, com muitas montanhas, que ao amanhecer ao observamos o horizonte vemos uma grande quantidade de neblina que parece que as nuvens desceram para tocá-las. Os cantos dos pássaros e insetos é como uma orquestra que nunca pára de tocar. O clima da montanha é muito diferente do clima da cidade, o ar é puro e úmido, a temperatura é baixa. Em pleno meio dia faz frio e chove quase que diariamente. Mas, infelizmente o desmatamento predatório do homem pode extinguir um local como este. Digo isto por que durante a caminhada encontramos duas motocicletas carregando dois motosserras – para que serve a motosserra a não ser para derrubar a floresta? É importante que o grupo ao voltar para a capital relate este caso ao IBAMA e ao IMA.
            Depois da longa caminhada conseguimos encontrar um local mais ou menos para montar o acampamento, a distância do acampamento para a fonte d’água era um pouco grande e levava quase uma hora para consegui-la.
            Como foi relatado, o trabalho de fazer o acampamento foi tanto, que não conseguimos montar os dois barracos proposto inicialmente no primeiro dia, e infelizmente tivemos que nos juntarmos num único barraco pequeno e mal coberto, onde a maior parte da noite fomos molhados pela chuva. Mesmo assim, ao amanhecer, os acampados e aventureiros levantaram – uns mais cansados, outros mais recuperados – e deram inicio as atividades do dia 27 de janeiro. No inicio da manhã o grupo foi dividido em dois: um ficou fazendo comida e outro foi procurar frutas. O acampamento foi até dia 30/01, mas infelizmente tive que ir embora por causa da minha agenda e do cansaço, pois tive uma diarréia desgraçada. Porém, sai com a alma e espírito revolucionário renovados, além da experiência que adquiri com os bravos amigos capoeiristas do grupo Caacaira*.
           

“Hasta la Victoria. Sempre.” Che
           
            Cícero Adriano Vieira dos Santos Havião

*Correção feita pelo administrador do blog ( CAIÇARA CAAPOEIRA).

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