Luciano Pedro Ferreira de Lima
Caminhar 35 Km entre o mato, sobre pedras, paus, trilhos e lama é algo inimaginágel e portanto só quem realizou este feito é capaz não de descrever, mas, sobretudo de ter uma noção clara de quão grande e dificil é esta empreitada.
Foi assim que comecei meu relatório do acampamento passado, felizmente dessa vez não foi necessário refazer este percurso, até por conta da quantidade de dias que íamos passar no mato ser bem maior e portanto exigir muito mais esforço e recursos.
Desde o primeiro momento em que Gerson me convidou para partcipar do segundo acampamento na “SERRA DO OURO” senti-me bastante orgulhoso e comprometido não apenas pela confiança depositada por ele em minha pessoa, mas sobretudo por ter a oportunidade de vivenciar toda a experiência do primeiro acampamento e saber que poderia ser muito mais útil agora no segundo acampamento.
O fato de levar-mos pessoas do sexo feminino, me deixou um pouco apreensivo no início, pois,não querendo desmerecer, as mulheres, sei que as tarefas são bastante árduas e como não as conhecia, fiquei um pouco preoculpado, mas, nada que pudesse me fazer pensar que elas não conseguiriam.
CHEGADA À CIDADE
Chegamos em Murici e desembarcamos no Novo Hotel, diferentemente da outra vez que caminhamos de Lourenço à Murici, estávamos bastante traquilos e descansados, arrumamos a bagagem, nos alojamos, jantamos, fizemos uma breve apresentação, conversamos sobre os objetivos individuais e o propósito geral do acampamento e nos recolhemos para preparar o “espírito” para o que estava porvir.
PRIMEIRO DIA DE ACAMPAMENTO
Saimos cedo e isso foi fundamental para alcaçar-mos nosso objetivo sem maiores prejuízos, afinal caminhar 22 Km com mochila nas costas e o sol castigando não é nada bom. Como já tinha uma noção das distâncias e do tempo para efetuar-mos as paradas, minha preocupação era para que pudéssemos adiantar o máximo e evitar um desgaste desnecessário, portanto fui sempre cronometrando o tempo e avaliando a caminhada para que tudo correce bem.
Após as primeiras horas já dava para perceber quem teria maiores dificuldades, porém confesso que fiquei surpreso com a garra e a determinação de algumas pessoas que por mais que parecessem cansadas, em momento algum demonstraram fraqueza e falta de objetividade. Mesmo assim não foi fácil, em certos momentos dava para perceber que alguns companheiros lutavam contra sí mesmo para continuar caminhando.
Na primeira parada percebí que estávamnos bastante adiantados cerca de mais de uma hora em relação ao acampamento anterior, isso se deu ao fato do caminho estar bem melhor, sem lama, isso ajudou bastante. Entretanto na segunda parada, a do banho, comecei a ficar preocupado, pois o nível da água estava bastante baixo e isso não era um bom sinal, poderia ser que tivéssemos problemas para encontrar água no local do acampamento. Mais à frente na terceira parada pude confirmar que realmente teríamos dificuldade com a água, pois no local em que paramos para pegar laranjas da outra vez, tinha um bom local para banho e dessa vez quase que não tinha água, mas não desanimei.
Fiquei muito feliz em ver a determinação principalmente das meninas, apesar da exaustão está bastante aparente,a vontade de continuar era sempre maior. Por fim, após mais alguns instantes de sacrificante subida chegamos ao tão esperado local do acampamento, e então pudemos confirmar que seria um pouco mais difícil do que esperávamos, pois o córrego que tinha ao lado do acampamento havia secado e não tinha água, porém isso não foi motivo para baixar nossa moral e logo começamos a construir as cabanas.
A noite do primeiro dia é cheia de ansiedade para quem está no mato pela primeira vez, apesar do cansaço não deixar espaço para muitos pensamentos. Comer e ir para a rede dormir é tudo o que se quer, a escuridão da noite e o som produzido pelos bichos de hábitos noturnos traz uma certa paz e o frio é bastante acochegante, pelo menos pra mim. Uma coisa que senti bastante falta no primeiro dia, foi o momento de reflexão.
SEGUNDO DIA DE ACAMPAMENTO
Acordamos preparamos a refeição e logo em seguida começamos a fazer algumas alterações nas barracas, o Gerson queria fazer um tipo de coberta diferente, era muito trabalhoso e exigia muita palha e isso dificultou bastante os trabalhos, pois alguns companheiros não estavam muito dispostos a colaborar. Como havíamos combinado a quinta feira era o dia para quem quisesse por algum motivo desistir, retornar para casa, infelizmente um companheiro e uma companheira, optaram por retornar, pena que não ficaram para aproveitar melhor.
Mais tarde alguns companheiros ao retornarem do riacho onde íamos buscar água, trouxeram a noticia de que havia ocorrido um crime nas proximidades, fato que deixou a mim, Sérgio e Gerson um pouco preoculpados, e orientamos aos outros para que fizessem o máximo de silêncio e evitassem sair sozinhos e sem um dos líderes do acampamento, para evitar qualquer tipo de incidente.
Os trabalhos continuaram durante todo o dia, porém só conseguimos terminar duas das três barracas e tivemos que remanejar o pessoal para serem acomodados nas duas barracas que estavam prontas. Contudo a noite caiu uma chuva pesada com muitos raios e trovões, o que deixou algumas pessoas bastante apreensivas, mas esses momentos são muito importante tanto para superar-mos nossos medos como para demonstrar nossa solidariedade aos outros, foi uma noite difcil, mas creio que serviu de reflexão para todos.
Durante a madrugada enquanto a chuva caía bastante forte, eu comentava com o Gerson que seria dificil para o Severino e o João saírem de Murici para virem ao nosso encontro com toda aquela chuva, e ele me dizia que logo cedo eles estariam lá, porém eu continuava achando dificil acreditar devido às circunstâncias. Ainda muito cedo, ouvimos uns fogos estourando próximo ao acampamento e o Gerson disse que eram os dois, João e Severino, pois ele tinham combinado que soltariam fogos para avisar que estavam chegando. Por mais que o Gerson dissesse que eram eles, eu não conseguia acreditar, pois era muito cedo e para que eles estivessem ali àquela hora seria preciso que tivessem caminhado durante toda a noite e madrugada, ainda mais com aquele tempo. Porém logo em seguida eles se apresentaram e aí eu pude compreender a relação de confiaça e comprometimento que eles tinham com o grupo e com o Gerson, fiquei muito orgulhoso de saber que pessoas tão comprometidas e determinadas estavam alí para colaborar com nossa experiência.
TERCEIRO DIA
A chegada de João e Severino trouxe uma energia boa pro acampamento, novos ânimos e “força extra” foi uma grande contribuição. Terminamos os últimos retoques nas cabanas e demos início a outras atividades mais específicas.
Nessa altura do acampamento já conhecíamos muito bem a todos os participantes, e pudemos ter uma idéia bem clara do significado que o acampamento tinha para cada um. Graças a Deus tudo estava correndo bem, dentro do que tinhamos previsto, a alimentação tava sendo mais do que suficiente e tirando o incidente do Guilherme que cortou a mão e precisou ir embora mais cedo, tudo estava em perfeita harmonia. Confesso que fiquei surpreso com alguns comportamentos negativos de alguns membros da equipe, principalmente um dos que estavam à frente junto com o Gerson, mas, também tive surpresas boas, principalmente com o desempenho das meninas, em especial Letícia que se mostrou uma verdadeira guerreira, e o Pizza que foi um exemplo de humildade e solidariedade.
A noite fizemos o primeiro momento de reflexão. Desde o inicío eu estava ansioso por esse momento, é onde o sentido maior do acampamento se mostra, pudemos expor nossos sentimentos e ouvir as experiências dos outros, bem como parabenizar o grupo pelo que estávamos fazendo de bom e também fazer algumas críticas e mostrar onde poderíamos melhorar.
QUARTO DIA DE ACAMPAMENTO
O sábado também foi um dia muito produtivo, eu já começava a sentir um pouco de saudade, afinal já estávamos na véspera de retornar para casa. Logo cedo Severino, Sérgio, Letícia e mais alguns companheiros saíram para o banho e voltaram com um cesto cheio de frutas, o café da manhã foi um verdadeiro banquete. Em seguida começamos a fazer divesos artefatos como cestos de cipó, arcos, flexas e outros mais, tudo sob a orietação do Gerson.
O dia passou bem depressa, talvez fosse a ansiendade, por estar chegando ao fim. Nossa última noite também foi muito proveitosa, fizemos mais uma importante reflexão, discutimos sobre o sentido de tudo o que fizemos, avaliamos os pontos positivos e negativos do acampamento. Acredito que esse tenha sido um momento crucial para todos, pudemos dizer claramente o que o acampamento havia significado bem como o que cada um dos participantes tinha importado. Gerson chegou a chamar aquele momento de “lavanderia” pois pudemos lavar a roupa suja, porém creio que foi muito mais que isso, foi um momento em que cada um pode apontar defeitos e qualidades nos outros, mas também pode ouvir dos outros, algo sobre seus defeitos e suas qqualidades, foi um “encontro com o seu eu mais veradeiro”.
QUINTO DIA DE ACAMPAMENTO
Por fim amanheceu e já começamos a nos preparar para a volta, tratamos de recolher todo o lixo que produzimos e incineramos, para não deixar-mos para tráz nada que pudesse intervir negativamente no ambiente. Uma coisa que me deixou um pouco triste é causamos uma devastação bem maior do que no primeiro acampamento e muito do que foi cortado, foi cortado sem necessidade, daí eu Severino conversamos sobre a necessidade de uma orientação maior ao pessoal que vai a um acampamento pela primeira vez, no sentido de promover uma maior conscientização sobre a preservação. Afinal se nosso propósito é refletir sobre nossa existência e de nossos antepassados, não podemos ter atitudes e comportamentos que sejam contrários a essa filosofia.
A volta foi bastante desgastante, o sol estava causticante e não via a hora de chegar-mos à cidade, paramos no caminho para um breve lanche e continuamos um pouco atráz do restanrte do grupo eu, Gerson e Sérgio. Viemos fazendo uma análise do que foi o acampamento e que mediadas poderiam e deveriam ser tomadas para melhorar não só outros acampamentos mas o fortalecimento do grupo Caiçara.
Chegamos à cidade bastante orgulhosos e satisfeitos, com a certeza de que relizamos mais um grande trabalho, que com certeza contibuiu e irá contribuir muito mais, para o nosso crescimento e amadurecimento pessoal, social e espiritual. Por fim retornamos para nossas casas, felizes com as novas amizades e a vontade já iminente de participar de outro “OURICURI CAIÇARA”.
“LONGA VIDA AOS CAIÇARAS”
quinta-feira, 11 de março de 2010
SEVERINO
CAIÇARA 2010.1
A preparação para essa viagem não requereu muito esforços porque já tínhamos uma noção do caminho. No hotel comuniquei ao João que iríamos mudar a nossa estratégia de partida, pois nosso objetivo era evitar o sol escaldante da manhã, então resolvemos sair à uma hora e trinta minutos da madrugada. Com o equipamento necessário para as varias situações que planejei, fomos descansar por algumas horas, ajustamos o despertador para uma hora da manhã, assim conduzimos nossa partida do Novo Hotel.
Na mais completa escuridão, sob o reinado da lua minguante, partiu a ultima resistência dos caiçaras, pois andar nesta atmosfera sombria e ao mesmo tempo permeada por raios e trovões, somente estes guerreiros destemidos ousariam tal proesa.
A nossa visão limitada pela ausência de luz na estada de barro dificultava muito nosso trajeto, além disso, a chuva ia aumentado cada vez mais. Quando estávamos num certo ponto da estrada, pisei em algo ou alguma coisa que tentou me dá uma queda, pois fui até o chão com se tivesse levado uma rasteira de costa, porém num movimento matrix, dei um role e sai num aú, mas já era tarde porque tinha molhado a calça quase toda. Depois lembrei que naquele lugar havia uma pedra que tomava toda a extensão da estrada e com a chuva deixou-a toda molhada com se fosse sabão. O João quando me viu dando o Rolê e saindo no Aú, não perdeu tempo foi logo dizendo: vamos jogar Severo e caiu na gargalhada por um bom tempo. Contudo, Eu disse: João, eu acho que foi um caboclo que tento me dar uma rasteira, mas não consegui.
Caminhar com alguém durante certo tempo é participar um pouco da vida de cada um, durante esta noite em clima hostil, percorremos uma longa estrada, desafiando os mistérios da noite, agradecendo a natureza pela generosidade de iluminar nossos passos com seus relâmpagos, musica de trovões. Assim, a cada passo tinha a certeza de que não deveríamos parar, pois nossa jornada foi conduzida com muita prosa, comedia, suspense e muita satisfação, mesmo com os clarões dos raios e muita tempestade...
Quando surgiram os primeiros raios solares, já estávamos bem próximo do nosso ponto de parada, a neblina coroava as serras com um véu branco, a musicalidade dos pássaros rompia o silencio da floresta. Uma mangueira nos convidou para deliciar seus frutos e percebi que tinha muita alimentação a nossa disposição, além disso, tinha cajueiro nas margens da estrada, com isso tivemos um café da manhã regado a frutas tropicais.
O nosso percurso transcorreu sem nenhuma anormalidade ou imprevisto, pois nossa vontade de chegar logo era tamanha que não paramos para descansar. Ao chegarmos ao local de entrada na mata soltamos alguns foguetes para avisar que o acampamento não seria o mesmo com a chegada da ultima resistência dos caiçaras.
O primeiro contato com o acampamento mostrou-me uma imagem de desolação, cansaço e esgotamento físico e emocional de alguns componentes, entretanto outros nos receberam com euforia, curiosos para saber como foi nossa jornada. Como a vida é engraçada, enquanto eu e o João nos divertíamos com nossos causos e prosas para passar o tempo durante a noite, o grupo na mata agonizava na chuva em meios a raios e trovões, por outro lado, tudo isso, no nosso ponto de vista era luz e musica para a nossa caminhada que se torna mais prazerosa.
Quando se vive no seu habitat natural a vida flue mais tranqüila, porém a mudança do meio ambiente gera desconforto por um certo período até nosso organismo começar o processo de adaptação, pois nossos sentidos ficam mais aguçados na floresta.
Um noite infernal, assim, pessoas definiam a noite com muita chuva na mata, não conseguiram dormir e o dia foi transcorrendo naturalmente, quando em poucos tempo que estava lá tive que exercer meu oficio diário de cirurgião. O garoto quase decepou o dedo com um facão de 15 polegadas ao tentar cortar uma palha de palmeira. Ao olhar para o garoto seu semblante pálido como uma folha seca. Teve uma breve sincope, o caiçara Luciano pegou-o pelo braços e o conduziu até uma rede para que eu pudesse realizar a sutura, verifiquei freqüência cardíaca e pulso que estavam anormal, mas aos poucos foi retomando a consciência e a partir daí iniciei os procedimento operatório paras restabelecer a homeostasia do corpo.
No restante do dia trabalhei para a construção de uma cabana com a participação de quase todos, houve um momento de discussão para saber qual a melhor maneira de se fazer o telhado, pois não queria passa pelos mesmos problema do dia anterior.
À noite após o jantar, tivemos o nosso primeiro momento reflexivo sobre o acampamento e notei que alguns estavam se superando, vencendo seus medos, expondo partes de seus conflitos pessoais, mostrando um pouco de si em cada momento. Naquele ambiente sombrio onde a escuridão imperava em quase tudo, um feixe de luz da nossa fogueira aquecia e revelava homens e mulheres que buscavam algo mais de si mesmos, outras vezes tentando esconder seu defeitos
No frio e na escuridão por mais que tentamos se impor e mostrar discernimento nas explanações, um pouco da nossa personalidade vai se revelando com características positivas e negativas. Portanto, sabemos nós que é a vida na sua dinâmica desses encontros de pessoas de formações diferentes, atitudes e comportamentos diversos que se confluem para uma unidade caiçara e passando por todas as transformações emocionais, onde uns se revelam na fortaleza do altruísmo e outros na covardia de si mesmo, como seus objetivos mesquinhos, mergulhado no egoísmo e egocentrismo para sua sobrevivência e seu bem-estar, não se importando com a unidade do grupo. Assim, o acampamento foi sendo permeado com diferentes personalidades, divergências pessoais e, sobretudo com muita alegria e companheirismo daqueles que incorporaram o espírito caiçara.
O retorno a civilização ocorreu numa marcha única sobre o sol a pino de meio dia, a dor na descida ia aumentando a cada passo, mas era preciso continuar, chegou um momento que o meu corpo sublimava de dor, mas não podia desistir porque estava lutando contra mim mesmo. Por fim, após três horas, conclui minha caminhada. Estava exausto, mas feliz e pronto para qualquer desafio que a vida me impusesse.
Não importa a condição que a vida lhe mostre, siga em frente como o tempo, pois você alcançará o resultado.
José Severino dos Santos.
terça-feira, 2 de março de 2010
SÉRGIO
RELATO
Aos vinte dias do mês de janeiro do ano de dois mil e dez, às 21h: 23min. Faço saber ao Contra-Mestre Tamuia o presente relato do acampamento que aconteceu no período de 05/01 á 10/01/10 na reserva ecológica Serra do Ouro – Murici – AL com o grupo de capoeira CAIÇARA e convidados. AO QUE, me faz relatar como partícipe do Oricuri Caiçara, tendo a mim como acampado, que, sido sabedor das diretrizes e os objetivos dos Caiçaras no evento: digo que, as informações chegadas até o grupo foi absorvida, e executadas a contento o suficientemente para alcançar os objetivos na execução de toda expedição, como ditado no cronograma das atividades, desde a saída de Maceió, estada em Murici, caminhada até chegar ao acampamento, deu para afirmar o objetivo do processo “as reflexões” do desprendimento da modernidade; igualmente, me vi aos meus colegas caiçaras, GUERREIRO, e acreditado na possibilidade de crescer como pessoa. Acampados, do primeiro ao ultimo dia, revivi momentos pretéritos de minha infância, apreendi feitios rústicos da natureza, compartilhei idéias, sorri como menino, extravasei sentimentos, nas horas inoportunas e oportunas, aprendi na prática o significado para mudar minhas atitudes comportamentais, e isso me fez melhor. Mas, de nada me valia à experiência, se eu não reconhecesse a existência de diferentes comportamentos no grupo, que somente nós animais humanos temos. O que foi vivenciado servirá para fazer história de TODOS, noutros momentos, andei pensativo, minha contribuição nesse processo foi tão somente de experiencial, engano! Segundo Confúcio, a experiência é o método mais amargo para ganhar a sabedoria, sendo o mais nobre a REFLEXÃO. Disso aprendi e tirei proveito, de um pouco de tudo e um pouco do nada também, COMO João disse: “perguntas idiotas não respondo” foi autentico, e enfático. Pizza “todos aqui foram legais comigo e me ajudaram” não sabendo ele que nos ajudou muito mais do que nós a ele, valeu Pizza! Severo “... vocês vieram aqui para crescer” ô homem de singelas palavras, sem delongas, mas que ecoava a todos. Gerson “... veja a vida de outra maneira, vocês vieram aqui pra isso.” Reflexivo nas palavras, e com poder. Realmente, aprendi no curso teológico a teorização de que a palavra tem poder, mas somente na praticidade da vida vivida e reflexiva, vinga a plenitude da mudança do ser existencial. Os demais CAIÇARAS estarão lembrados em um pretenso projeto em minha vida, quem sabe em breve os relatarei numa oportunidade futura. Obrigado Caiçaras!
Vida Vivida é Vida – Sérgio.
Aos vinte dias do mês de janeiro do ano de dois mil e dez, às 21h: 23min. Faço saber ao Contra-Mestre Tamuia o presente relato do acampamento que aconteceu no período de 05/01 á 10/01/10 na reserva ecológica Serra do Ouro – Murici – AL com o grupo de capoeira CAIÇARA e convidados. AO QUE, me faz relatar como partícipe do Oricuri Caiçara, tendo a mim como acampado, que, sido sabedor das diretrizes e os objetivos dos Caiçaras no evento: digo que, as informações chegadas até o grupo foi absorvida, e executadas a contento o suficientemente para alcançar os objetivos na execução de toda expedição, como ditado no cronograma das atividades, desde a saída de Maceió, estada em Murici, caminhada até chegar ao acampamento, deu para afirmar o objetivo do processo “as reflexões” do desprendimento da modernidade; igualmente, me vi aos meus colegas caiçaras, GUERREIRO, e acreditado na possibilidade de crescer como pessoa. Acampados, do primeiro ao ultimo dia, revivi momentos pretéritos de minha infância, apreendi feitios rústicos da natureza, compartilhei idéias, sorri como menino, extravasei sentimentos, nas horas inoportunas e oportunas, aprendi na prática o significado para mudar minhas atitudes comportamentais, e isso me fez melhor. Mas, de nada me valia à experiência, se eu não reconhecesse a existência de diferentes comportamentos no grupo, que somente nós animais humanos temos. O que foi vivenciado servirá para fazer história de TODOS, noutros momentos, andei pensativo, minha contribuição nesse processo foi tão somente de experiencial, engano! Segundo Confúcio, a experiência é o método mais amargo para ganhar a sabedoria, sendo o mais nobre a REFLEXÃO. Disso aprendi e tirei proveito, de um pouco de tudo e um pouco do nada também, COMO João disse: “perguntas idiotas não respondo” foi autentico, e enfático. Pizza “todos aqui foram legais comigo e me ajudaram” não sabendo ele que nos ajudou muito mais do que nós a ele, valeu Pizza! Severo “... vocês vieram aqui para crescer” ô homem de singelas palavras, sem delongas, mas que ecoava a todos. Gerson “... veja a vida de outra maneira, vocês vieram aqui pra isso.” Reflexivo nas palavras, e com poder. Realmente, aprendi no curso teológico a teorização de que a palavra tem poder, mas somente na praticidade da vida vivida e reflexiva, vinga a plenitude da mudança do ser existencial. Os demais CAIÇARAS estarão lembrados em um pretenso projeto em minha vida, quem sabe em breve os relatarei numa oportunidade futura. Obrigado Caiçaras!
Vida Vivida é Vida – Sérgio.
JOÃO ARRUDA
3º Ouricuri Caiçara Caapoeira
Destino: Serra do Ouro
Iniciar o ano de 2010 com um Ouricuri, na minha opinião, foi um fato histórico na minha vida. Ficou mais claro para mim que sempre as décadas são marcos e constroem modelos. O que me interessa nesse momento é construir a minha década, com todos meus objetivos de longo, médio e curto prazo envolvidos no meu crescimento e das pessoas que vivem comigo.
O Ouricuri para mim começou, ainda em Maceió, com o comprometimento da minha palavra e com minha assinatura na ultima reunião com o grupo. O tempo foi passando e a mensagem do companheiro Severino (Severo) chegou na manhã da quinta-feira me dando muito mais determinação. Ela dizia: “O tempo se aproxima e é preciso ousar, somos únicos a caminhar na escuridão para ver a beleza da manhã... Tu é a ultima resistência... Salve Caiçara.”
Do momento que recebi a mensagem ao momento que chegamos em Murici para esperar a hora da partida, eu pensava nos meus posicionamentos durante o acampamento e me preparava para fazer o que era preciso. Fizemos. Andamos na chuva, com Raios e Trovões, mas não desistimos nem duvidamos do nosso destino. Ele estava traçado pelas nossas palavras e pelo que queremos construir.
Os acontecimentos desde a chegada ao fim foram os melhores. Não consigo encarar de outra forma, mas as dores, a fome, a falta do conforto, o trabalho exaustivo, as dificuldades com o grupo e tudo que pode ser visto como ruim, para mim são um aprendizado. Desde o primeiro acampamento até esse ultimo vejo como cresci em práticas e venho me tornando capaz de suprir as minhas necessidades, mesmo que de uma forma primitiva. Muitas coisas que fiz questão ou tive necessidade de aprender e prestar atenção me dão muito orgulho e ao mesmo tempo gratidão, pois vejo que o meu papel como homem é de se sustentar e a minha família em qualquer circunstancia. Tudo isso é uma preparação gradual e que me dá mais condições para a em um ambiente versátil conseguir me construir da melhor forma.
Não só tivemos sofrimentos e dificuldades. Em meio a tudo não faltavam brincadeiras, bom humor, e posso afirmar que cada componente do acampamento foi importante, uns ensinando a como ser um guerreiro (deixo o maior destaque para o Pizza) e outros ensinando a como não ser. Porém, independentemente, quem vive essa experiência fica marcado na minha vida como alguém maior.
Sempre penso na minha mudança e no quanto eu estou diferente. Por isso algumas vezes eu sinto medo e penso que não sou capaz, que não dá, que não sou bom, mas a minha força e a nova historia que eu estou vivendo tem reforçado outras respostas. Aos poucos eu venho aprendendo que preciso, que isso me ajuda e que estou em um caminho que me torna melhor. Obrigado a todos que participaram e que querem continuar construindo com os esforços voltados para o melhor dia possível, até chegarmos à década, ao século e à eternidade. Vão ser muitos Ouricuris pela frente. Sempre Caiçara... Salve!
João Arruda
Destino: Serra do Ouro
Iniciar o ano de 2010 com um Ouricuri, na minha opinião, foi um fato histórico na minha vida. Ficou mais claro para mim que sempre as décadas são marcos e constroem modelos. O que me interessa nesse momento é construir a minha década, com todos meus objetivos de longo, médio e curto prazo envolvidos no meu crescimento e das pessoas que vivem comigo.
O Ouricuri para mim começou, ainda em Maceió, com o comprometimento da minha palavra e com minha assinatura na ultima reunião com o grupo. O tempo foi passando e a mensagem do companheiro Severino (Severo) chegou na manhã da quinta-feira me dando muito mais determinação. Ela dizia: “O tempo se aproxima e é preciso ousar, somos únicos a caminhar na escuridão para ver a beleza da manhã... Tu é a ultima resistência... Salve Caiçara.”
Do momento que recebi a mensagem ao momento que chegamos em Murici para esperar a hora da partida, eu pensava nos meus posicionamentos durante o acampamento e me preparava para fazer o que era preciso. Fizemos. Andamos na chuva, com Raios e Trovões, mas não desistimos nem duvidamos do nosso destino. Ele estava traçado pelas nossas palavras e pelo que queremos construir.
Os acontecimentos desde a chegada ao fim foram os melhores. Não consigo encarar de outra forma, mas as dores, a fome, a falta do conforto, o trabalho exaustivo, as dificuldades com o grupo e tudo que pode ser visto como ruim, para mim são um aprendizado. Desde o primeiro acampamento até esse ultimo vejo como cresci em práticas e venho me tornando capaz de suprir as minhas necessidades, mesmo que de uma forma primitiva. Muitas coisas que fiz questão ou tive necessidade de aprender e prestar atenção me dão muito orgulho e ao mesmo tempo gratidão, pois vejo que o meu papel como homem é de se sustentar e a minha família em qualquer circunstancia. Tudo isso é uma preparação gradual e que me dá mais condições para a em um ambiente versátil conseguir me construir da melhor forma.
Não só tivemos sofrimentos e dificuldades. Em meio a tudo não faltavam brincadeiras, bom humor, e posso afirmar que cada componente do acampamento foi importante, uns ensinando a como ser um guerreiro (deixo o maior destaque para o Pizza) e outros ensinando a como não ser. Porém, independentemente, quem vive essa experiência fica marcado na minha vida como alguém maior.
Sempre penso na minha mudança e no quanto eu estou diferente. Por isso algumas vezes eu sinto medo e penso que não sou capaz, que não dá, que não sou bom, mas a minha força e a nova historia que eu estou vivendo tem reforçado outras respostas. Aos poucos eu venho aprendendo que preciso, que isso me ajuda e que estou em um caminho que me torna melhor. Obrigado a todos que participaram e que querem continuar construindo com os esforços voltados para o melhor dia possível, até chegarmos à década, ao século e à eternidade. Vão ser muitos Ouricuris pela frente. Sempre Caiçara... Salve!
João Arruda
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