domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pizza

Acampamento


Comecei a me programar vários dias antes para o acampamento, comprei tudo que mandaram comprar, corda, coturno, panela, carne, arroz, feijão vários produto eu já tinha em casa.

Dias antes da viajem fiquei bastante preocupado com o comentário da galera, pois falaram que era bastante longe 25 km, é chão pra quem não é acostumado a andar. Mas falei pra mim:
Eu vou e vou conseguir e vou dar o melhor de mim.

No dia anterior da partida, peguei um taxi e desci no Tupan lá já tava esperando o Luan, Letícia, Fernando e Ronaldo. Esperamos uns 15minutos pelos outros membros do grupo, quando já tinha chegado quase todo mundo partimos pra o ponto da besta de Murici caminhando, pra mim a caminhada já começou dali. Contudo isso que já estava acontecendo eu conhecia pouca gente do grupo e não tinha intimidade com elas.

Ao chegar em Murici no hotel Novo Mundo, procurei logo meu quarto com um colega que já estava mim aproximando Ronaldo, ficamos no quarto 12 tomei um banho e relaxei um pouco enquanto o café não saia.

Quando chegou o café, fomos todo pra mesa, começamos e discutir um pouco da vida de cada um e também sobre a espequitativa do acampamento pra nossa vida. Quando terminamos de discutimos fui pro meu quarto, soltar uma MERDA ADEQUADA, depois fiquei um pouco conversando com o Luan, Ronaldo, Sérgio, Luciano, João e Gerson, ai foi que eu fiquei mais preocupado quando a galera disse que era bastante longe, o peso nas bolsas.

No outro dia o dia tão esperado 3 horas da manha o Gerson chamou pra partimos, ainda tava bem escuro, caminhei na frente com o João, Guilherme e Luciano UM CARA LEGAL. Andamos, andamos, casei de andar mais mesmo assim, andamos...

Nos primeiros km era tudo plano mais depois piorou e muito só ladeira e boi do Renan, paramos em algumas fonte d´água, observei todo mundo bastante cansado, menos eu, estava cansado eu tava quase morto.

Ao chegar lá pra piorar a situação da galera ainda tinha-mos que fazer a barraca pra dormimos, pronto ai foi que estávamos com a NUSA ( NUSFUDEMOS ) palavra do meu amigo filosofo LUCIANO. Fizemos a barraca de qualquer jeito, a noite preparei um café pra galera na medida deu pra dormir na barraca na primeira noite sem chuva.

Nu segundo dia lá na mata acordamos cedo trabalhamos conheci o resto da galera, quando foi a noite armamos as redes e fomos tentar dormir, mais a galera percebeu que o sono não vinha e fomos jogar o jogo da verdade, pense na resenha ai foi que descobri que o LUCIANO e o SERGIO namorava com uma pessoa só a HIPOPOTAMO pense numa pessoa falada. Horas depois meu amigo a chuva caiu pense num aperreio o primeiro a pular da rede foi o SERGIO pra rede da LETICIA, o LUCIANO debaixo da rede da JACONDA trocando calor e o resto tudo com a TIA ( TIFUDIA ) na chuva.

A chuva caia mais forte, eu fui vira de lado da rede que estava debaixo da rede o LUCIANO ai eu pequei no BUMBUM do LUCIANO ai perguntei que era aquilo: “o LUCIANO disse” é meu BUMBUM ai todo mundo riram do fato, passou um tempinho eu fui resenhar de novo ai pequei em algum meio redondo, espantado perguntei: “LUCIANO que é isso”? o cara respondeu: é meu pênis meu amigo todo mundo riram pra valer, mais eu sabia que não era, era o pés dele. Nessa noite passei toda acordado, nisso eu estava pensando nu ditado que LUCIANO vivia falando (FRIO, FOME, SEDE SÃO COISAS QUE DISCONHESO) ai ouvir o LUCIANO falar: “galera ta todo mundo fudido”, ai a galera falou porque? Ele disse: “eu estou com frio imagine vocês” todo mundo começou a rir. Passei a noite toda acocorado no chão mais o GUILLERME, querendo dormir sem poder, fazia um frio ainda todo molhado da chuva.

No terceiro dia levantamos cedo pra arrumamos a barraca, pegar frutas, água, palha e trabalhar bastante. Nesse dia em diante foi mais legal, pois já tinha conhecido todo mundo a galera já tava amigas, já tinha rolado varias brincadeira, vários ensinamentos, varias comidas que eu nunca tinha comido.

No quarto dia aprendemos a fazer arco de flecha, armadilha, amarar os outros com corda, ensinando tudo isso o MESTRE GERSON. A noite discutimos tudo que tínhamos visto no acampamento, cada um falou um pouco e fomos cada um pra sua barraca, chego lá na minha rede que ta lá deitado o fogado do LUCIANO, ai fui pra barraca do meninos ao lado conversar com o LUAN, FERNANDO, RONALDO e o JOAO, mais percebi que o João tava meu exaltado pois tinha pisado e pego na MERDA ADEQUADA pense nu cara brabo. Fui pra barraca do MESTRE GERSON resenha um pouco pra dormir, um pouco resenhei muito mais o LUCIANA e o SERGIO e o resto da galera da barraca.

Nu quinto dia o dia de voltar pra casa eu ainda tava meio cansado e eu acho como o resto da galera, arrumamos as coisa e partimos de volta pra MURICI, JOAO com o pé machucado vim fazendo companhia ele atrás do grupo. Ao andar bastante vi a DEIZE parada cansada de baixo de um pé de arvore pedi pra levar a bolsa dela ela não quis, dei um pouco de cranola a ela e continuei andando, lá na frente encontrei a galera mais não todo mundo num armarinho lanchando, deixei minha bolsa lá e vim pegar a DEIZE pra trazer pro armarinho. Lá bebi a melhor coca-cola que já tomei, imagine você 5 dia na mata bebendo água e café cansado, beba uma coca bem gelada pra você ver a sensação.

Depois de lanchar parti pra ver que acompanho o resto da galera que foi na frente o CIVIRINO, JOAO ANTONIO, LUAN, ANNE, RONALDO e FERNANDO, cadê que eu alcancei. Quando tava já chegando na pista faltava pouco, ouvi uma voz, quando olho pra traz quem a galera que tinha deixado lá no armarinho o LUCIANO, SERGIO, MESTRE GERSON, LETICIA, JACONDA e DEIZE encima de uma camionete de bigu, o mais safado era o LUCIANO que já vinha se abrindo com um sorriso na cara, subi na camionete ai foi quando o LUCIANO mim contou que mandou o motorista corre pra pegar o parceiro dele que era eu, ai sim fiquei contente.

Lá na frente encontramos com o resto da galera que tinha partido na frente, pegamos o ônibus de volta pra Maceió viemos só resenhado no fundo do ônibus ate Maceió, chegando em Maceió fomos comer e beber algo numa lanchonete, comemos, bebemos e fomos pra casa, eu fui pra casa de JOAO e a mãe dele me deixou em casa são e salvo.

Conclusão



Nesse acampamento aprendi a valorizar mais as coisa, a comida que como, a ser mais humano e solidário com as pessoas. Aprendi coisa que não dar nem pra explicar, só passar pelo que todos nós passamos pra aprender a viver a vida e ver a vida com outros olhos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Manu

Gostaria de me fazer entender através desse meu pequeno relatório...


Em 2008 começamos nossos treinos na faculdade. Lá tínhamos uma relativa estrutura. Nunca me senti e acho q nenhum de nós nos sentiamos totalmente inseridos naquele ambiente. Ali estava eu mais como capoeira do q como estudante... Como amei os momentos q passamos ali.

Para alguns tudo era brincadeira para outros condicionamento físico... Para mim condicionamento emocional. Vivi ali ao lado de capoeiras iniciantes q me surpreenderam e se tornaram amigos em quem passei a confiar e querer estar mais tempo perto. Saí do meu primeiro grupo e me filiei ao caiçara. Tendo sido a decisão mais importante na minha vida de capoeira. Me orgulho por essa decisão. Foi aqui q encontrei outra capoeira... De verdade.

Com tudo isso quero lhes fazer entender q tenho muito a agradecer aos caiçaras. Em especial ao meu mestre q pouco interferiu em minha vida pessoal mas quando o fez foi com sabedoria e com extremo cuidado me tornando uma pessoa melhor. Inicialmente o q ele me havia prometido ensinar era capoeira. Ensinou algo q nem tinha obrigação. Ensinou-me a arte de importar-se um pouco mais com quem responde o coro com vc e entra na roda com vc.

Aprendi com vcs capoeira vida. Antes conhecia somente capoeira luta. Agora sigo numa nova trajetória que me foi traçada também através da capoeira. Novo emprego novo amor nova percepção das coisas. Talvez até não tenha evoluído meu jogo e minha luta como deveria mas sei o quanto cresceu minha visão na roda e na vida isso é o q ainda me faz sentir coragem de afirmar que sou capoeira e não só estou capoeira.

Hoje me sinto disponível para aqueles q precisem de uma amiga na vida e de uma parceira no jogo. Tenho o imenso prazer de lhes dizer obrigada!

Emanuela Moreira.

Caiçara com orgulho.

Perdoem-me pela ausência de vírgulas e parágrafos e etc. Ainda não aprendi a utilizar meu teclado totalmente...kkkkkk.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

GLAUCIANE COSTA DO NASCIMENTO


Diário de Bordo



Acampamento Grupo Caiçara
Dias: 5 a 10 de janeiro de 2010
Mestre: Gérson Alves








Glauciane Costa do Nascimento
Faz algum tempo que tive conhecimento do Acampamento Caiçara, não fazia idéia do que me esperava, logo que recebi as informações iniciais do programa. Com o passar dos dias comecei a interagir mais com o grupo e passei a ser apreciadora dos capoeiras.
Com respeito da palavra se assim posso chamar, a “cultura” da capoeira é fascinante e logo me comprou, com suas idéias de transformar pessoas e fazê-los ter uma melhor forma de vida. Todas as reuniões que tive a oportunidade de assistir antes de ir ao acampamento foram impulsionadoras na decisão de ir para o acampamento.
Faz certo tempo que venho acampando com amigos e sempre passamos dias e noites acampados em algum lugar por aí. Mas depois de participar do Acampamento Caiçara comecei a perceber que meus acampamentos anteriores foram piqueniques e hoje consigo me conhecer como uma sobrevivente, que de certa forma superou todas as dificuldades propostas pelo grupo e pelo mestre e sobrepujar essas dificuldades em busca de realizações futuras.
Dia cinco ainda foi tudo muito confuso para mim, tinha todas as coisas imagináveis ainda para serem organizadas e pela chuva e dificuldades outras que aconteceram neste dia antes da viajem, muitos dos que conversei foram tentados a desistir, pelas dificuldades que foram aparecendo ainda no começo do dia.
Orgulho-me por desde cedo nunca ter desistido de meu ideal, fui para o acampamento com a proposta e intenção únicas de me conhecer como pessoa, reavaliar meus limites e ter um conhecimento integral do relacionamento com o outro.
Chegamos ao Hotel de Murici – AL, por volta do fim da tarde. Mesmo antes de chegar ao hotel já consegui criar uma interação com o pessoal do acampamento, isso me fortaleceu bastante, como lembro de minha fala ainda pela noite após o jantar, onde comentei sobre as pessoas que lá estavam e do quanto eu estava grata pela oportunidade que a mim foi conferida e o desejo de que a noite logo passasse para que a caminhada pudesse começar e o acampamento fosse montado.
Não sabia fisicamente as dificuldades que me esperavam, no início da caminhada tudo estava tranqüilo, mas com o tempo a mochila nas costas começou a pesar e as dificuldades já vinham aparecendo, não estava condicionada fisicamente e isso me fez mal inicialmente na caminhada, esperava ansiosa pela primeira parada, onde poderia tirar a mochila das costas, sentar um pouco e tomar água.
Percebi que a ânsia não era exclusividade minha, as pessoas que mantive interação durante a caminhada também demonstravam certo cansaço e desejo pelo descanso. Paramos por um tempo e logo seguimos a caminhada, por diversas vezes, mesmo que por pouco tempo, demos algumas paradas, para alguns, isso era um tanto complicado, pois acreditavam que seria melhor seguir direto em detrimento das paradas, particularmente essas paradas me fortaleceram a cada segundo.
Tivemos paradas para banho, tomamos água, pegamos e comemos algumas frutas e assim conseguimos chegar ao local onde ficaríamos acampados. Chegando ao local, nos deparamos com mais dificuldades, a falta de água foi a predominante, era perceptível que isso preocupou todos naquele momento e já haviam alguns que pensaram em desistir.
Confesso ter sido um problema que eu não contava, mas estava ali disposta a passar por todas as dificuldades, acredito que imprevistos acontecem e isso não poderia ter sido determinado por nenhum de nós.
Conversamos por um tempo, Gérson lançou a questão de quem gostaria de voltar para casa e já houve pronunciação mesmo nesse primeiro momento. Contudo, seguimos mais um pouco o caminho até o local que ficaríamos acampados, até então ainda nos encontrávamos na estrada.
Ao chegar ao ponto tão esperado, me deparei com uma mata fechada, com árvores muito altas e não se via mais nada senão árvores, folhas e o céu em meio às altas árvores. Senti que seria complicado permanecer por ali, quando se está acostumada a certos privilégios da cidade e senti naquele momento que seria um problema que eu deveria encarar e assim voltar uma pessoa com novas experiências e um perfil modificado e renovado.
No primeiro dia armamos as cabanas mesmo inacabadas, montamos a fogueira, organizamos os lugares para dormir, fizemos algo para comer e sobrevivemos a primeira noite. Acreditei que seria difícil, dormir na mata e que me sentiria só, com medo da escuridão ou mesmo incomodada com as dores nas pernas e nas costas.
Ainda no primeiro dia encontramos um local para tomar banho e conseguimos água para beber. Por fim, o primeiro dia e noite foram tranqüilos, estava tão cansada que nem senti a noite passando, deitei muito cedo e no outro dia quase não acordava.
Como no primeiro dia arrumamos o acampamento apenas para sobreviver a primeira noite, no segundo dia precisaríamos organizar melhor as cabanas para nos prepararmos para a chuva e casualidades. Foi um dia tranqüilo e ao mesmo tempo não muito agradável, particularmente não gosto muito de tarefas repetitivas e foi o que mais fizemos durante todo o dia, para montagem das cabanas, fomos orientadas a montar pequenos molhos de palha e depois uní-los formando o teto da cabana, e ainda precisaríamos organizar as laterais.
Pela manhã fomos orientados a organizar as cabanas, uma por vez, o que não foi cumprido e acabou por atrasar o desenvolvimento do acampamento e o trabalho ficou incompleto. No decorrer do dia foram muitas saídas em busca de água, para tomar banho e nesses trajetos acabamos entrando em contato com alguns moradores do local.
O segundo dia foi assim, cansativo pela repetição, mas proveitoso pelo aprendizado, em meio a tantas repetições sempre em grupo, tive a oportunidade de entrar em contato com algumas pessoas que ainda não havia falado e pude conhecer um pouco mais de cada um deles e me apresentar também, pois sabia que do grupo, muitos já se conheciam, eu por não participar dos treinos e da capoeira em si, não tinha intimidade com o pessoal que ali estava, e pude com isso apreciá-los cada vez mais, conhecer suas particularidades, pontos positivos e negativos e tudo que poderia ser expresso no momento.
Logo ao início do dia, eu e Sérgio, saímos para buscar água e ficamos sabendo pelo motorista de uma ambulância, que uma mulher havia sido assassinada e ao que tudo indicava, nós conhecíamos a família, para mim isso foi um tanto incômodo, voltamos para o acampamento e falamos ao Mestre o que havia acontecido, sentíamos que não deveríamos contar a ninguém sem antes falar ao Mestre para que este resolvesse o que deveria ser feito, fomos orientados a fazer silêncio e sermos os mais discretos possíveis para que nosso acampamento não pudesse ser prejudicado por coisas outras que não faziam parte de nosso projeto.
Foi um dia bem produtivo, todos se empenharam ao máximo, demonstraram estar integrados com o grupo e com o trabalho para ser desenvolvido pelo projeto inicial do acampamento. Jantamos todos juntos, afinal, todas as refeições eram feitas em conjunto, sempre esperávamos um pelo outro e logo nos servíamos.
Recolhemo-nos em termos, pois ficamos em nossas cabanas, já deitados e vez por outra uma pessoa saía de sua cabana e vinha ter conosco. Brincamos um pouco antes de dormir, o que nos proporcionou conhecer mais um ao outro. Posso dizer que esse acampamento, mesmo que em seu início, me fez construir muitas amizades, pessoas especiais que me fizeram seguir firme em todos os momentos, bons ou ruins, principalmente em meio a dificuldades.
Dificuldades essas que foram bem expressas na segunda noite, ainda não tinham construído as cabanas como orientado pelo Mestre, contudo passamos mal uns bocados, quando a chuva começou a cair, muitos começaram a se mobilizar, não tive muita reação, como já havia participado de alguns acampamentos e já havia passado também por dificuldades com chuva, passei toda a noite na rede, mesmo que molhada.
O que me chamou bastante atenção nesta noite, foi à atenção dos meninos que estavam em minha cabana, o cuidado que eles demonstravam para comigo e Dayse, me cederam seus lençóis e até uma capa de chuva que um deles havia levado, estava na lateral da cabana e com isso não fiquei isenta da chuva, mas acredito que suportei bem a noite, mesmo com chuva e trovões que amedrontavam.
Passamos toda a noite acordados e a chuva só foi parar de cair com o amanhecer e o aparecimento do sol, com o sol chegou a segunda Tuma que nos encontraria, foi incrível o aparecimento deles logo no início do dia, eles enfrentaram a chuva durante toda a caminhada até o acampamento.
No terceiro dia em acampamento, com a experiência deles em acampamento, o dia caminhou com maior agilidade e o trabalho foi desenvolvido de forma produtiva, terminamos todas as cabanas de forma honrosa, pois seguimos todas as orientações do Mestre e como brincaram: “que a chuva venha que estamos preparados, pode cair até canivete do céu hoje”.
Aconteceram alguns imprevistos, um que de certa forma me deixou pensativa, sobre o grau de dificuldade que teríamos em meio a acidentes, que foi o acontecimento com Guilherme, que ao se machucar decidiu voltar para casa, foi triste ter de se despedir de alguém que era considerado importante tanto quanto os outros naquele momento, alguém que sempre estava disposto a ajudar, a aprender e ensinar.
Nesta noite, a terceira na mata, fizemos um momento de reflexão, onde todos puderam se expor e refletir sobre o programa do acampamento, pessoalmente nesse momento de reflexão da noite, só conseguia pensar o quanto eu já havia me superado e desenvolvido certas habilidades, me surpreendi comigo mesma, ao pensar em todas as dificuldades que já havia enfrentado e me orgulhando por em momento algum ter pensado em desistir, por mais dificuldades que tenham aparecido e pela disponibilidade em ir embora no momento que desejasse, já que por dificuldades encontradas ao chegar, o Mestre modificou algumas de suas regras iniciais de não mais voltar só na quinta ou no domingo, mas deixando livre para que se expressassem a qualquer momento a vontade de ir embora.
Também sentia que não deveria ser assim tão fácil ir embora fora do período determinado, tanto pela dificuldade da volta, quanto pela justificativa, que deveria ser algo agradável a si, eu estava lá por superação de limites, para me reconhecer como pessoa e dar maior valor as coisas que eu possuo, eu encaro minha saída se assim acontecesse como um fracasso em meio a várias possibilidades.
A partir desta noite já não conseguia mais dormir, talvez pela pequena distância entre as redes, os mosquitos, o falatório das pessoas que passava a ser cada noite mais freqüente, mas foi a partir deste terceiro dia que encarei tudo aquilo como natural, coisas que eu não estava acostumada aconteciam cada vez com maior freqüência, posso citar o compartilhamento de talheres e cantis, passar o dia inteiro suja e tomar banho apenas ao cair do sol e ao término das tarefas, comer frutas com as mãos sujas, o banho sempre incompleto. Caramba houve um momento que eu comecei a encarar isso com tamanha naturalidade, que não sabia mais como iria reagir ao voltar para a cidade.
Esses momentos de reflexão em grupo e os momentos em que me encontrava comigo mesma, foram os momentos mais importantes para mim em todo o acampamento, era o momento em que me reconhecia, com minhas fraquezas e limitações, me superando a cada momento.
O quarto dia na mata foi um dos mais gratificantes, levantei muito cedo e pude aproveitar melhor o dia, juntei com uma turma e fomos tomar banho em uma bica que o pessoal no dia anterior havia descoberto, foi uma caminhada prazerosa, fomos conversando e discutindo questões sobre o acampamento, fazendo uma reflexão informal sobre tudo que estava acontecendo com o passar dos dias.
Voltamos para o acampamento, carregados de frutas, foi uma ótima maneira de começar o dia, neste dia aprendemos um pouco do artesanato apresentado pelo Mestre e mesmo não gostando de fazer trabalhos repetitivos e manuais, cumpri com essa tarefa e passei outra parte do dia cozinhando, isso foi para mim uma reconstrução da Glauciane, adoro cozinhar, isso me fez sentir útil naquele momento e para aquelas pessoas.
Pela noite nos reunimos e depois do jantar tivemos outro momento de reflexão nomeado pelo Mestre como: Lavagem de Roupa Suja. Foi uma noite para apontarmos os pontos positivos e negativos do acampamento e dos participantes e como havia pensando na noite anterior sobre o momento reflexão, esse não poderia ter sido diferente, foi tão importante quanto.
Mas também foi um momento que me deparei com tantas diferenças que não havia me dado conta durante todos os outros dias de acampamento que se passaram, pude compreender que apesar de muitos demonstrarem estar tranqüilos e encarando de forma honrosa tudo que acontecia ali, possuíam suas imperfeições, os humanos que eu admirava eram tão falhos quanto eu própria.
Como havia falado no início, um de meus propósitos no acampamento era para também poder compreender essa relação com o outro e saber que apesar das imperfeições expostas naquele momento, essas pessoas permaneciam sendo especiais para mim.
Ao fim desta reflexão, ao nos recolhermos para nossas cabanas, tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas e também de ouví-las e como isso foi importante para mim, foram os momentos mais gratificantes do acampamento, poder ter essa relação com o outro, poder escutá-lo e compreendê-lo, reconhecendo que as diferenças precisam existir para que a relação possa ser concretizada.
E posso dizer que saí deste acampamento uma nova pessoa, com novas amizades e com novos planos, projetados para fazer diferente aqui, de volta a essa realidade paralela.
O último dia chega e o desejo de permanecer fica cada vez maior, maior até do que o desejo de voltar a ter todas as mordomias da vida cotidiana. Aprendemos em pouco tempo algumas técnicas com cordas e mobilizações, armadilhas e amarrações e por incrível que pareça, foi uma das atividades que mais me chamou atenção, pena que já foi à última.
Na caminhada de retorno a cidade, como sabia que não haveria mais volta e sabia também o que me esperava e não me restava mais nada, senão seguir em frente e refletir um pouco mais sobre a importância deste trabalho em mim, Eu como pessoa. Segui na frente, sendo acompanhada como eu posso dizer? Por uma das maiores revelações deste acampamento como pessoa, amigo e companheiro.
Chegamos à cidade e ficamos à espera do grupo que havíamos deixado para trás, chegamos à cidade exaustos, a todo o momento na estrada pedindo chuva, para que o mormaço cessasse um pouco, foi uma volta não tão sacrificante quanto a ída, acredito que por caminha e saber onde iríamos chegar, diferente da ida que só caminhávamos sem saber se já estava perto, se ainda estava longe, ou mesmo por onde estávamos.
Num contexto geral posso classificar esse acampamento como sendo a primeira de muitas experiências que se forem permitidas gostaria de participar, foi um período de reconhecimento, de superação, de aprendizagem e porque não dizer também, de ensino. Foi de grande proveito participar de toda essa experiência e ter sobrevivido, ter me transformado em algo melhor como pessoa. Só tenho a agradecer ao grupo Caiçara pela oportunidade e por todos os momentos proporcionados.
Não poderia terminar um diário de bordo, sem abordar as contribuições necessárias para minha sobrevivência todos os dias do acampamento:
Gérson – Mestre sem igual, já o conhecia como professor e já o apreciava como tal, conhecendo-o agora como mestre e participando de algo orientada por ele, foi uma experiência sem tamanho. Agregador de valores e conhecimentos indiscutíveis me mostrou como devo agir, não com palavras direcionada a mim, mas para bom ouvinte, poucas palavras bastam. Sacrificou-se como muitos para permanecer firme nesta causa e conseguiu honrosamente atingir as minhas expectativas, orientou todo um grupo e as pessoas que integravam este grupo o reconhecem como o Mestre e não é à toa.
Sérgio – Uma das maiores surpresas neste acampamento fez tudo que estava a seu alcance, sempre disposto a ajudar e em muitas das tarefas contribuiu como ninguém, não é à toa que quando me perguntaram quem eu nomeava como um dos responsáveis pelo evento o seu nome surgiu por diversas vezes, ele foi uma das maiores graças também, histórias e piadas e outras coisas que não são necessárias citar, ele foi assim uma das pessoas especiais para mim neste acampamento e que eu aguardo poder participar de outros tendo sua presença.
Luciano - A graça e a autoridade, uma mistura que só o Luciano para possuir, por diversas vezes me impulsionou quando eu me achava fraca, uma revelação de responsabilidade que eu só conhecia na faculdade, com os trabalhos e apresentações, mas nesse acampamento pude conhecê-lo em suas responsabilidades como provedor e cuidador.
Letícia – Companheira de todos os momentos, mulher guerreira e meiga, forte e ao mesmo tempo frágil, uma das pessoas que mais trabalhou para o progresso do acampamento e elaboração das tarefas, sem medir esforços. Pessoa especial que fará muita falta mesmo eu que só a conheci no acampamento criei uma grande apreciação por ela, Letícia é o nível entre brincadeira e responsabilidade.
Fernando – Companheiro especial e ainda descubro que é meu conterrâneo, por diversas vezes foi a pessoa que me fez sentir bem e me sentir querida, um dos que se sacrificou no cuidado de mim e de Dayse na noite da chuva, com ele aprendi o significado da palavra guerreiro, e o reconheço como tal, por sua disposição e vontade em ajudar em todos os momentos necessários. Uma alegria que recebi por ter participado do acampamento. Foi com ele que fiz o trajeto da volta, foi ele que me impulsionou a não desistir e não parar nem para tomar água, seguimos de forma impressionante para mim, quando parei para pensar que na ida parei por diversas vezes e na volta tinha alguém comigo sempre me instigando a seguir. Conversas simples, até bobas, mas tão importantes no final de tudo, pelo conhecimento recíproco e amizade criada. Quando ao fim de tudo, ao chegar à cidade me chama de guerreira e me dá um abraço.
Pizza – Pessoa sem igual aprendi a aceitá-lo de seu jeito simples, e como fui privilegiada por tê-lo conhecido, sempre prestativo e dedicado a todos. Não provei de seu café, mas sei o quanto foi apreciado e desejado pelos capoeiras. Desde a caminhada que eu já o observava como uma pessoa forte, por sua disposição e por sua forma de encarar certas coisas e assim o foi, não foi de surpreender ele ter sido tão comentado por sua capacidade de sobrevivência.
Dayse – Nossa, foi uma das pessoas mais especiais que conheci, participei de todos os seus momentos de fraqueza e acredito ter contribuído de alguma forma em suas decisões e em seu fortalecimento no acampamento, tanto quanto ela me ajudou muito com sua companhia, seus conhecimentos. Acredito ter sido uma das maiores guerreiras na classificação feminina, por diversos motivos e em diversos momentos veio se superando como pessoa e acrescentando muito em sua capacidade de relacionar-se com outros. Posso falar que a ensinei que “não devemos mudar para agradar aos outros, mas porque precisamos dos outros”.
Luan – Para muitos a decepção do acampamento, mesmo por seu posto que deveria ter sido encarado de forma ativa e se apresentou como um participante como todos os outros, na verdade não só como isso, mas por diversas vezes sendo chamado atenção por seus comportamentos contraditórios. Por não ter tido contato algum com Luan antes do acampamento, não pude reconhecê-lo como organizador do evento, nem mesmo responsável pelos que ali estavam, mas pude conhecer a simplicidade de um rapaz que não estava em bons dias, o que interferiu muito em seu crescimento no acampamento. Mesmo os que o conheciam de muito tempo acreditam em sua recuperação e seu fortalecimento pessoa, que direi eu, que o conheci em sua fragilidade?
Severino – O famoso Severo, esse nome não foi escolhido à toa, pessoa marcante e sempre bem humorada, mas foi com este que eu aprendi que as coisas que eu preciso, eu é que preciso correr atrás para consegui-las, passei as últimas noites em sua cabana e reconheço sua importância e o tanto de conhecimento e experiência vieram sendo carregadas naquela pequena mochila nas costas. Fotografo nato, que me fez enxergar de maneira mais agradável tudo o que acontecia, pois encarava tudo com uma naturalidade que me saciava.
João Paulo – Uma graça de rapaz levava tudo na brincadeira e ao mesmo tempo, tudo com seriedade. Fez muito e sempre com muita disposição. Um verdadeiro enigma, não se alimentava, mas sempre com todo gás e toda disposição, mal dormia e já acordava me perguntando como estavam seus músculos. Cheio de planos e com muita disposição para realizá-los, pessoa muito especial que sou grata por ter conhecido.
João Arruda – Não tive muito contato, mesmo por ter chegado na segunda turma e por sempre estar em tarefas diferenciadas das minhas e por poucas vezes ter-mos a oportunidade de nos comunicar-mos. Mas desde cedo demonstrou sua capacidade e disposição ao levar Guilherme até a cidade e depois voltar. Poucas foram às vezes que dialoguei com João, mas em todas demonstrou atenção e desejo de integração. Sempre se mostrava disposto a ajudar e fazia tudo que estava a seu alcance, não é à toa que o Mestre tão bem falou dele.
Junior – Até seu nome infelizmente descobri nos últimos dias do acampamento, foi mais um que não tive muito contato, acredito que por ter se fechado a uma amizade que Luan e ter deixado o desejo de permanecer ali e cativar amizades de lado. Acredito ser uma pessoa que irá crescer muito e que tem muitos planos a serem construídos e consolidados. Limitou-se a muitas coisas como bem foi falado por ele, por sua idade e limitação à responsabilidade do Mestre, mas demonstrava sempre o desejo de querer fazer e saber como fazer, diferente.
Jocasta – Das meninas, a que tive menor contato, pelas conversas em acampamento e mesmo agora com o retorno para a cidade, demonstrou ter sido uma questão grupal de não ter havido uma interação maior dela com o resto do grupo. E mesmo sem saber antecipadamente sobre seus problemas com outra integrante do grupo, já a sentia limitada ao seu mundo, sem dar muito espaço para que outros pudessem interagir. Mas, Jocasta, o pouco que percebi e o pouco que se deixou apresentar, parece ser uma moça muito inteligente, pois tivemos a oportunidade de conversar um pouco sobre faculdade e pesquisas e projetos, e senti que é alguém centrada e firme em suas escolhas.
Guilherme – Garoto simples e agradável participou comigo de diversas tarefas, o que me fez aproximar-me dele e sentir muito sua falta quando teve que voltar para a cidade. Fiquei surpresa com seu desejo de retornar, pois acreditava que de todos era a pessoa mais tranqüila e centrada, mas aprecio seu gesto, por todas as justificativas dadas por ele, compreendi que voltou não porque teria desistido, mas por necessidade e me orgulho muito de ter tido a oportunidade de conhecer pessoas como ele, que me mostraram o momento de parar, de não mais ultrapassar limites, por mais necessário que seja a questão de superação. O pouco que passou lá no acampamento conosco, sinto que foi seu limite, que deu o seu máximo, mas precisou ausentar-se.
Filipe – De todos o que menos mantive contato, na verdade meu contato único com ele foi ainda no hotel antes de nossa partida, durante o único dia que passou conosco no acampamento não tivemos muito contato, foi apenas observá-lo e consegui extrair daqueles poucos momentos, uma pessoa capacitada para liderar e cuidar do outro.
Manuella – Por ter passado o mesmo tempo que Filipe, ficou um tanto limitado também nosso contato, acredito que o que teria para falar dela ainda se resume ao hotel, pois ficamos no mesmo quarto, o pouco que conversamos demonstrou ser uma pessoa tranqüila e disposta a descobrir-se pela superação. Talvez uma visão antecipada, mas não acreditava em sua permanência no acampamento, fiquei feliz tanto quanto pela Dayse, por Manuella ter chegado até o local do acampamento, mas comprovei minha visão antecipada quando o próprio Mestre ao perguntar quem voltaria, citou seu nome como, além da Manuella. Acredito que ela, mesmo com o pouco tempo, já se superou, pois era perceptível o quanto aquele lugar não lhe era agradável.









Glauciane Costa do Nascimento


Evaporar – Littler Joy

Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

O pessoal era sempre muito musical, e por diversas vezes eu não os conseguia acompanhar, por cantarem músicas da capoeira. Quando me encontrava sozinha, com um tempo para pensar, essa música me vinha a mente. Era uma forma de reconhecer o valor do tempo que eu estava tendo e que eu não poderia perdê-lo, deixando-o passar sem aproveitar todas as oportunidades.
E quando aprendi a me doar, doar meu tempo, me doar como pessoa, foi quando eu mais ganhei, ganhei experiência, conhecimento, amizades, pessoas especiais e acima de tudo me ganhei como uma nova pessoa.

JOÃO PAULO RODRIGUES

RELATÓRIO REFERENTE AO ACAMPAMENTO OURICURI CAIÇARA
João Paulo Lages Vieira Rodrigues


O primeiro obstáculo que enfrentei no acampamento caiçara foi comigo, meus amigos, e até com meus pais, pois ele aconteceu no período de férias, e todos nós nos programamos desde cedo em viagens e reuniões de forma geral, por conta disso ninguém entendia o motivo de minha pessoa se enfiar no meio do mato, essa parte eu até compreendia, mas confesso que foi muito difícil deixar de lado toda essa rotina de férias. Isso tudo foi superado porque sabia da importância desse momento para mim como pessoa e para meu futuro acadêmico, outro detalhe que me motivou bastante foi o fato de todos que já foram subestimarem a capacidade daqueles que não foram, e nesse momento tive uma vontade de mostrar que eu era capaz.
Depois de todas essas questões resolvidas fui à compra dos materiais e mantimentos necessários para a estadia no mato, e no dia 5 de janeiro de 2010 estávamos partindo para a cidade de Murici, local onde se encontra a Serra do Ouro que foi onde armamos o acampamento.
Nesse dia passamos parte da noite em um hotel do local, depois de nos alimentarmos o professor Gerson, principal organizador do evento, pediu que todos se apresentassem e em seguida dissessem o que esperavam do acampamento, foi ai que cometi meu primeiro erro do acampamento, dizendo que estava indo a um SPA, isso foi um erro primeiro porque não erra momento de brincadeira e segundo porque poucos me conheciam o bastante para entender o que eu estava querendo dizer, estou sim muito preocupado com minha forma física, mas a razão de dizer isso foi passar que eu estava muito tranqüilo com a caminhada e os dias que iria passar lá e isso tudo não me assustava, como outros, mas me deixava muito bem e feliz.
Começamos a caminhada às 3 horas da manha, me senti muito bem durante toda caminhada de uma forma que me assustei comigo mesmo, e a cada momento eu tinha certeza de ter tomado a decisão certa de estar participando desse acampamento.
Antes de chegarmos ao local tivemos a noticia que não havia mais água próximo de lá, mas isso não foi grande problema, pois havia água há uns 10 ou 15 minutos de onde levantamos acampamento.
Chegando ao local me deparei com duas barracas do antigo acampamento e vi não caberiam todos ali, os mais experientes exceto o Luan providenciaram uma nova barraca e o resto do grupo com Luan deu conta de remontar as duas que lá se encontrava sem condições de estadia, esse foi um momento que tive dificuldade porque realmente não sabia o que fazer, até que tentei aprender o posicionamento das folhas e palhas só que me faltava experiência pratica, e como os outros também não sabiam, ficou complicado montar nosso acampamento.
Com isso, em minha opinião, montar barraca foi o grande trabalho e aprendizado que tivemos lá. Trabalho porque as barracas foram montadas, desmontadas, remontadas e reformadas enumeras vezes durante 3 dias, daí vem o aprendizado, primeiro de montar barraca depois o de paciência, persistência, fazer tudo com perfeição, trabalho em grupo e seriedade. Sem isso seria impossível fazer não só as barracas, mas todas as outras tarefas necessárias para que o acampamento ficasse de pé.
Hoje eu tenho certeza pouco tempo que passei naquela mata foi muito importante para minha vida, consegui tirar de todas as atividades que realizei e momentos presenciei, em fim tudo aquilo que aconteceu comigo, algo que acrescentasse minha pessoa. Mantenho também uma frase que escutei muito daqueles que já participaram, os tuxauas, que é mais ou menos assim, a vida é dividida entre antes e depois dessa experiência vivida no acampamento Ouricuri Caiçara.

FERNANDO GODOI

OURICURI CAIÇARA
SERRA DO OURO – MURICI/AL
05/01/2010 a 10/01/2010

Estou a pouco mais de dois meses no grupo Caiçara, e quando me apareceu a oportunidade de participar do acampamento fiquei muito empolgado para encarar esse desafio diferente na minha vida, pois ate então nunca havia participado de nada parecido e ainda mais todas as regras que foram propostas só foi um motivo a mais para juntar-se ao grupo e encarar essa situação ate então nunca vivenciada.
Não é fácil aceitar passar dias isolados do “mundo”, longe de todo aquele comodismo, longe das facilidades que temos nessa vida. Ainda mais, esquecer celular, computador, aparelhos eletrônicos em geral, comida sempre pronta e/ou feita por outra pessoa, sobreviver longe de papai e mamãe, que não é fácil.
Muitos não fazem idéia da importância desse acampamento, pensam que é uma besteira, coisa de louco ir para mata e ainda mais sem esses recursos que tanto facilita nossa vida. Para mim lá era o momento de me conhecer verdadeiramente como ser humano, refletir sobre minha vida, como anda ou o que fiz e o que ainda posso fazer para melhorar não só a mim e sim a todos que convivem comigo e constroem a cada dia minha historia de vida.
O inicio foi tenso já que estava um grupo de pessoas que ate então a maior parte nunca haviam se quer se falado, sabiam nem o nome do outro e passar por tudo isso necessita de todo aquele espírito coletivo para melhor efetuar as tarefas. Chegamos em Murici/AL já estava anoitecendo, nos instalamos no Novo Hotel. Na hora do jantar tivemos um momento de apresentação de cada um, isso foi importante porque foi o pontapé para conhecermos uns aos outros. Descansamos e as 3:45h partimos rumo a Serra do Ouro, uma longa caminha de aproximadamente 20Km a pé com todo o peso nas bolsas, carregando o material necessário.
A longa caminhada teve uma duração de mais ou menos 7 horas, contando com paradas para descanso, banho no rio, catar algumas frutas para ate então seguirmos ao local do acampamento. O peso da mochila estava ate tranqüilo mais para uma caminhada de 20km com quase 20Kg sendo carregado com todo o esforço, tornou mais difícil o desafio, as paradas foi essencial para dar novo ânimo ao grupo de continuar em frente. Chegando ao local apareceu a primeira dificuldade, o riacho estava seco naquele local, muita gente achou ruim disseram que não íamos conseguir sobreviver naquele local sem água pois ela é essencial para a vida do homem, mais foi apenas uma dificuldade que surgiu já que havia água próximo ao local, mais ou menos 10min de caminhada. Estava ali toda a água para beber, cozinhar, tomar banho e qualquer outra necessidade. A dificuldade para encher os cantis de água foi superada pela força de vontade de alguns guerreiros que muitas vezes subiram e/ou desceram em direção ao rio, carregavam dentro da mochila, aproximadamente 15 litros de água.
No local, ainda restavam algumas armações das barracas feitas pelos companheiros que participaram do outro acampamento. Mas devido ao tempo, serviu apenas para passar a primeira noite, afinal estávamos cansados devido a longa caminhada e fizemos as cobertas das barraca para agüentar o primeiro dia. Acomodamos-nos e colocamos as redes para nossa dormida, jantamos e no final da noite, todos em maioria, exaustos, devido ao longo dia, foram todos dormir.
No segundo dia de acampamento, tivemos as primeiras desistências, um homem e uma mulher foram embora do acampamento. Mas o dia era longo e tínhamos que continuar, reunimos todos que ali estavam e começamos a trabalhar na reforma das barracas, para melhor segurança de todos. Passamos o dia todo no mesmo trabalho, alguns já davam sinais de cansados e no final da tarde o ritmo de trabalho caiu muito, daí começaram a aparecer às primeiras dificuldades, a noite aproximava-se e as barracas ainda não estavam totalmente prontas e seguras. Por volta da meia noite começou a chover, a tensão bateu em todos, preocupados se a barraca conseguiria ou não nos proteger da chuva. Perto das três horas da madrugada, a barraca começou a apresentar várias goteiras, a chuva ficou mais forte, relâmpagos e trovões, não cessaram durante toda madrugada, atrapalhando assim o sono de todos, as redes encharcaram, o frio aumentava ao passar do tempo, ninguém conseguia mais dormir, ficamos acordados naquela preocupação a madrugada inteira. A chuva só veio parar por volta das cinco horas da manha, já estava amanhecendo, quando algumas pessoas conseguiram enfim tirar um pequeno cochilo, no meu caso uma hora foi o suficiente para acordar de animo novo e tentar assim animar meus companheiros que passaram ali junto a mim aquela noite péssima, devido a todas as dificuldades. Percebi que mesmo diante de todas aquelas o companheirismo foi a peça chave para que conseguíssemos passar aquela noite, um ajudando ao outro, em nossa barraca estavam instalados seis pessoas, dentre os quais, duas mulheres e quatro homens. Para descontrair já ao amanhecer, um companheiro nosso começou a cantar, música no qual foi cantada por todos ali naquela barraca e a partir daí tentamos nos animar para continuar seguindo em frente.
No dia seguinte, chegaram ao acampamento dois novos companheiros, que devido as suas atividades profissionais só puderam comparecer nesse momento. A manhã começou difícil, pois as barracas ainda não estavam totalmente aptas, e durante os preparativos da refeição da manha, um amigo nosso, feriu-se com o facão, na mão esquerda, abrindo um profundo corte. Em seguida teve que suturar sua mão com quatro pontos para fechar o ferimento, essa mini cirurgia foi feita por um membro mais experiente e que tinha conhecimento nessa área. Logo após esse acontecido, o companheiro ferido, não agüentou e desistiu, sendo assim o terceiro a ir embora para casa.
O dia mal começou e já teve todos esses acontecimentos, o que nos restava era reformar as barraca. Estávamos ali mais um dia fazendo barraca, muita gente não gostou, soltou ate umas piadinhas fora de hora, “a gente veio só para fazer barraca foi?”. Mais enquanto o principal que era nossa “base” não estivesse pronta não teríamos como fazer outras coisas, daí então todo o planejamento foi meio que apertado, pois havia uma prioridade maior ali a ser tomada, a segurança de nossas barracas.
Penso que depois mesmo dessa noite mal dormida, todos se envolveram de uma forma muito eficiente para reforma de vez das barracas, não foi só o telhado, as paredes ficaram mais resistentes, uns utilizaram as palhas das palmeiras e outros juntaram-se e aprenderam a fazer uma esteira do tronco da bananeira descascada, um verdadeiro artesanato fabricado em plena “mata”. No final do dia, após o esforço de todos, as barracas enfim estavam prontas e seguras. Podemos assim, depois da refeição da noite, ficar-mos todos juntos a fogueira e ter assim nosso primeiro momento de reflexão, por tudo que havíamos passados desde que chegamos ao local do acampamento.
Naquele momento, imaginei toda dificuldade passada por mim e meus companheiros: na construção das barracas; para caçar as folhas mais adequadas, os cipós, os troncos de arvores tanto para barraca quanto para fogueira; ir buscar água várias vezes ao dia, carregando os cantis dentro de uma bolsa, catar frutas como, caju, manga, jambo, banana; os insetos que não nos deixavam em paz, nem mesmo o repelente protegia 100% deles. Aprendemos um repelente natural que tem mais eficácia que esses industrializados, “banho de fumaça”, resolvia o problema em instantes só que o cheiro de fumaça fica impregnado no corpo e na roupa, para muitos gerava um grande desconforto, no meu caso, consegui me adaptar o mais rápido possível e aquele cheiro para mim já era natural e me senti mais parte de todo aquele meio ambiental. Essas dificuldades para nossa sobrevivência, fora dificuldade para nossa higiene pessoal: banho, higiene bucal, necessidades fisiológicas, essa então minha maior dificuldade.
O quarto dia considera-se o melhor, pois todos haviam dormido bem, se a noite da chuva foi a pior, essa foi a melhor, nada como dormir tranqüilo e sossegado após tantos dias de trabalhos pesados e repetitivos. Na noite anterior tínhamos combinado de ir logo ao amanhecer para o banho, assim foi feito, algumas das mulheres aproveitaram e lavaram suas roupas, enquanto os homens exploraram a área e após o banho, antes de voltar ao acampamento, catamos algumas frutas para a refeição da manhã. Para carregá-las construímos na hora uma espécie de andor com matérias da própria natureza: pequenos troncos de arvores, troncos de taquara, casca do tronco da bananeira e suas folhas.
As atividades que constavam no planejamento foram enfim trabalhadas com mais foco porque ate então o trabalho era reformar as barracas, e faríamos isso ate ficar corretas. O mestre nos ensinou a confecção de um arco e flecha, de uma lança, dos traçados para confecções de objetos artesanais, também aprendemos alguns nós e a fazer alguns tipos de arapucas. Construí um pequeno cesto, não ficou perfeito, mas me dediquei ao máximo, utilizei muito de minha paciência pois aqueles traçados as vezes não saí do jeito que eu mesmo queria e eu tinha que refazer tudo de novo, lembrei dos dias de reformas das barracas, a repetição é a melhor forma para obter o resultado desejado. Em nossa ultima noite, tivemos mais uma reflexão e uma espécie de “lavamento de roupa suja”, para que o que aconteceu lá, lá mesmo ficasse, e ninguém saísse falando depois por trás sobre ninguém, já que somos seres humanos e sempre existe algumas desavenças mais nada que pudesse abalar a estrutura e a união do nosso grupo.
Na manhã seguinte, e últimos momentos nosso na serra do ouro, nesse acampamento, arrumamos as bolsas, fizemos nossa refeição reforçada e partimos de volta a murici, a caminhada foi bem mais rápido, ate porque não carregávamos mais a mesma quantidade de peso, as paradas foram muito rápidas, apenas para beber água, pelo menos o grupo que estava ao meu lado na caminhada, minha parceira de caminhada, uma mulher muito guerreira fizemos uma grande amizade e ate descobri que ela nasceu na mesma cidade que eu, São José da Laje/AL. O sentimento de voltar para cidade foi tão grande que nem acreditei quando vi a rodovia, as casas, as pessoas, tenho certeza que voltei para civilização uma pessoa renovada, aprendi a dar mais valor a tudo que tenho; minha família, minha casa, meus amigos, meu trabalho, meus estudos, meus objetos. E aquele comodismo que nos rodeia, fico pensando, o que estou fazendo para merecer isso tudo.
Todos que participaram desse acampamento esta de parabéns, são verdadeiros guerreiros porque não é para qualquer um encarar o que encaramos, passar o que passamos, mesmo aqueles que não ficaram ate o final considere-se também um guerreiro, pois só de estar ali já é uma vitória, e tenham certeza muitos do que duvidaram de nós, não fariam metade do que nós fizemos. Deixo aqui minhas saudações e agradecimentos primeiramente ao Mestre Gérson, com quem aprendi muito e agradeço desde já a oportunidade de ir para esse acampamento e de ser um Caiçara. Aos tuxauas, Severino, João Arruda, Luan e Luciano que por sinal não esquecerei jamais o seu lema: “Frio, Sede, Fome, Dor, Cansaço... São sentimentos que eu desconheço”, se bem que um desses pilares quase foi abaixo naquela terrível noite de chuva forte. E para quem estava lá numa primeira experiência assim como eu, meus parabéns por tudo que passamos e meus agradecimentos por ter vocês como companheiros e agora meus amigos: Sérgio, Jocasta, Idson, Cledison, Dayse, Glauciane, Letícia, João Paulo, Emmanuela, Guilherme e Filipe.
No total, o grupo foi formado por dezessete pessoas (cinco mulheres e doze homens) todos foram muito forte e com uma determinação incrível para conseguir superar seus limites e vencer mais esse desafio. Brincamos que no final não ganhamos prêmios de hum milhão de reais, mas a experiência de vida que tivemos durante esse acampamento, nenhum dinheiro do mundo é capaz de comprar.






Fernando Ramos Godoi de Albuquerque

Maceió, 20 de janeiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FERNANDO GODOI

OURICURI CAIÇARA
SERRA DO OURO – MURICI/AL
05/01/2010 a 10/01/2010

Estou a pouco mais de dois meses no grupo Caiçara, e quando me apareceu a oportunidade de participar do acampamento fiquei muito empolgado para encarar esse desafio diferente na minha vida, pois ate então nunca havia participado de nada parecido e ainda mais todas as regras que foram propostas só foi um motivo a mais para juntar-se ao grupo e encarar essa situação ate então nunca vivenciada.
Não é fácil aceitar passar dias isolados do “mundo”, longe de todo aquele comodismo, longe das facilidades que temos nessa vida. Ainda mais, esquecer celular, computador, aparelhos eletrônicos em geral, comida sempre pronta e/ou feita por outra pessoa, sobreviver longe de papai e mamãe, que não é fácil.
Muitos não fazem idéia da importância desse acampamento, pensam que é uma besteira, coisa de louco ir para mata e ainda mais sem esses recursos que tanto facilita nossa vida. Para mim lá era o momento de me conhecer verdadeiramente como ser humano, refletir sobre minha vida, como anda ou o que fiz e o que ainda posso fazer para melhorar não só a mim e sim a todos que convivem comigo e constroem a cada dia minha historia de vida.
O inicio foi tenso já que estava um grupo de pessoas que ate então a maior parte nunca haviam se quer se falado, sabiam nem o nome do outro e passar por tudo isso necessita de todo aquele espírito coletivo para melhor efetuar as tarefas. Chegamos em Murici/AL já estava anoitecendo, nos instalamos no Novo Hotel. Na hora do jantar tivemos um momento de apresentação de cada um, isso foi importante porque foi o pontapé para conhecermos uns aos outros. Descansamos e as 3:45h partimos rumo a Serra do Ouro, uma longa caminha de aproximadamente 20Km a pé com todo o peso nas bolsas, carregando o material necessário.
A longa caminhada teve uma duração de mais ou menos 7 horas, contando com paradas para descanso, banho no rio, catar algumas frutas para ate então seguirmos ao local do acampamento. O peso da mochila estava ate tranqüilo mais para uma caminhada de 20km com quase 20Kg sendo carregado com todo o esforço, tornou mais difícil o desafio, as paradas foi essencial para dar novo ânimo ao grupo de continuar em frente. Chegando ao local apareceu a primeira dificuldade, o riacho estava seco naquele local, muita gente achou ruim disseram que não íamos conseguir sobreviver naquele local sem água pois ela é essencial para a vida do homem, mais foi apenas uma dificuldade que surgiu já que havia água próximo ao local, mais ou menos 10min de caminhada. Estava ali toda a água para beber, cozinhar, tomar banho e qualquer outra necessidade. A dificuldade para encher os cantis de água foi superada pela força de vontade de alguns guerreiros que muitas vezes subiram e/ou desceram em direção ao rio, carregavam dentro da mochila, aproximadamente 15 litros de água.
No local, ainda restavam algumas armações das barracas feitas pelos companheiros que participaram do outro acampamento. Mas devido ao tempo, serviu apenas para passar a primeira noite, afinal estávamos cansados devido a longa caminhada e fizemos as cobertas das barraca para agüentar o primeiro dia. Acomodamos-nos e colocamos as redes para nossa dormida, jantamos e no final da noite, todos em maioria, exaustos, devido ao longo dia, foram todos dormir.
No segundo dia de acampamento, tivemos as primeiras desistências, um homem e uma mulher foram embora do acampamento. Mas o dia era longo e tínhamos que continuar, reunimos todos que ali estavam e começamos a trabalhar na reforma das barracas, para melhor segurança de todos. Passamos o dia todo no mesmo trabalho, alguns já davam sinais de cansados e no final da tarde o ritmo de trabalho caiu muito, daí começaram a aparecer às primeiras dificuldades, a noite aproximava-se e as barracas ainda não estavam totalmente prontas e seguras. Por volta da meia noite começou a chover, a tensão bateu em todos, preocupados se a barraca conseguiria ou não nos proteger da chuva. Perto das três horas da madrugada, a barraca começou a apresentar várias goteiras, a chuva ficou mais forte, relâmpagos e trovões, não cessaram durante toda madrugada, atrapalhando assim o sono de todos, as redes encharcaram, o frio aumentava ao passar do tempo, ninguém conseguia mais dormir, ficamos acordados naquela preocupação a madrugada inteira. A chuva só veio parar por volta das cinco horas da manha, já estava amanhecendo, quando algumas pessoas conseguiram enfim tirar um pequeno cochilo, no meu caso uma hora foi o suficiente para acordar de animo novo e tentar assim animar meus companheiros que passaram ali junto a mim aquela noite péssima, devido a todas as dificuldades. Percebi que mesmo diante de todas aquelas o companheirismo foi a peça chave para que conseguíssemos passar aquela noite, um ajudando ao outro, em nossa barraca estavam instalados seis pessoas, dentre os quais, duas mulheres e quatro homens. Para descontrair já ao amanhecer, um companheiro nosso começou a cantar, música no qual foi cantada por todos ali naquela barraca e a partir daí tentamos nos animar para continuar seguindo em frente.
No dia seguinte, chegaram ao acampamento dois novos companheiros, que devido as suas atividades profissionais só puderam comparecer nesse momento. A manhã começou difícil, pois as barracas ainda não estavam totalmente aptas, e durante os preparativos da refeição da manha, um amigo nosso, feriu-se com o facão, na mão esquerda, abrindo um profundo corte. Em seguida teve que suturar sua mão com quatro pontos para fechar o ferimento, essa mini cirurgia foi feita por um membro mais experiente e que tinha conhecimento nessa área. Logo após esse acontecido, o companheiro ferido, não agüentou e desistiu, sendo assim o terceiro a ir embora para casa.
O dia mal começou e já teve todos esses acontecimentos, o que nos restava era reformar as barraca. Estávamos ali mais um dia fazendo barraca, muita gente não gostou, soltou ate umas piadinhas fora de hora, “a gente veio só para fazer barraca foi?”. Mais enquanto o principal que era nossa “base” não estivesse pronta não teríamos como fazer outras coisas, daí então todo o planejamento foi meio que apertado, pois havia uma prioridade maior ali a ser tomada, a segurança de nossas barracas.
Penso que depois mesmo dessa noite mal dormida, todos se envolveram de uma forma muito eficiente para reforma de vez das barracas, não foi só o telhado, as paredes ficaram mais resistentes, uns utilizaram as palhas das palmeiras e outros juntaram-se e aprenderam a fazer uma esteira do tronco da bananeira descascada, um verdadeiro artesanato fabricado em plena “mata”. No final do dia, após o esforço de todos, as barracas enfim estavam prontas e seguras. Podemos assim, depois da refeição da noite, ficar-mos todos juntos a fogueira e ter assim nosso primeiro momento de reflexão, por tudo que havíamos passados desde que chegamos ao local do acampamento.
Naquele momento, imaginei toda dificuldade passada por mim e meus companheiros: na construção das barracas; para caçar as folhas mais adequadas, os cipós, os troncos de arvores tanto para barraca quanto para fogueira; ir buscar água várias vezes ao dia, carregando os cantis dentro de uma bolsa, catar frutas como, caju, manga, jambo, banana; os insetos que não nos deixavam em paz, nem mesmo o repelente protegia 100% deles. Aprendemos um repelente natural que tem mais eficácia que esses industrializados, “banho de fumaça”, resolvia o problema em instantes só que o cheiro de fumaça fica impregnado no corpo e na roupa, para muitos gerava um grande desconforto, no meu caso, consegui me adaptar o mais rápido possível e aquele cheiro para mim já era natural e me senti mais parte de todo aquele meio ambiental. Essas dificuldades para nossa sobrevivência, fora dificuldade para nossa higiene pessoal: banho, higiene bucal, necessidades fisiológicas, essa então minha maior dificuldade.
O quarto dia considera-se o melhor, pois todos haviam dormido bem, se a noite da chuva foi a pior, essa foi a melhor, nada como dormir tranqüilo e sossegado após tantos dias de trabalhos pesados e repetitivos. Na noite anterior tínhamos combinado de ir logo ao amanhecer para o banho, assim foi feito, algumas das mulheres aproveitaram e lavaram suas roupas, enquanto os homens exploraram a área e após o banho, antes de voltar ao acampamento, catamos algumas frutas para a refeição da manhã. Para carregá-las construímos na hora uma espécie de andor com matérias da própria natureza: pequenos troncos de arvores, troncos de taquara, casca do tronco da bananeira e suas folhas.
As atividades que constavam no planejamento foram enfim trabalhadas com mais foco porque ate então o trabalho era reformar as barracas, e faríamos isso ate ficar corretas. O mestre nos ensinou a confecção de um arco e flecha, de uma lança, dos traçados para confecções de objetos artesanais, também aprendemos alguns nós e a fazer alguns tipos de arapucas. Construí um pequeno cesto, não ficou perfeito, mas me dediquei ao máximo, utilizei muito de minha paciência pois aqueles traçados as vezes não saí do jeito que eu mesmo queria e eu tinha que refazer tudo de novo, lembrei dos dias de reformas das barracas, a repetição é a melhor forma para obter o resultado desejado. Em nossa ultima noite, tivemos mais uma reflexão e uma espécie de “lavamento de roupa suja”, para que o que aconteceu lá, lá mesmo ficasse, e ninguém saísse falando depois por trás sobre ninguém, já que somos seres humanos e sempre existe algumas desavenças mais nada que pudesse abalar a estrutura e a união do nosso grupo.
Na manhã seguinte, e últimos momentos nosso na serra do ouro, nesse acampamento, arrumamos as bolsas, fizemos nossa refeição reforçada e partimos de volta a murici, a caminhada foi bem mais rápido, ate porque não carregávamos mais a mesma quantidade de peso, as paradas foram muito rápidas, apenas para beber água, pelo menos o grupo que estava ao meu lado na caminhada, minha parceira de caminhada, uma mulher muito guerreira fizemos uma grande amizade e ate descobri que ela nasceu na mesma cidade que eu, São José da Laje/AL. O sentimento de voltar para cidade foi tão grande que nem acreditei quando vi a rodovia, as casas, as pessoas, tenho certeza que voltei para civilização uma pessoa renovada, aprendi a dar mais valor a tudo que tenho; minha família, minha casa, meus amigos, meu trabalho, meus estudos, meus objetos. E aquele comodismo que nos rodeia, fico pensando, o que estou fazendo para merecer isso tudo.
Todos que participaram desse acampamento esta de parabéns, são verdadeiros guerreiros porque não é para qualquer um encarar o que encaramos, passar o que passamos, mesmo aqueles que não ficaram ate o final considere-se também um guerreiro, pois só de estar ali já é uma vitória, e tenham certeza muitos do que duvidaram de nós, não fariam metade do que nós fizemos. Deixo aqui minhas saudações e agradecimentos primeiramente ao Mestre Gérson, com quem aprendi muito e agradeço desde já a oportunidade de ir para esse acampamento e de ser um Caiçara. Aos tuxauas, Severino, João Arruda, Luan e Luciano que por sinal não esquecerei jamais o seu lema: “Frio, Sede, Fome, Dor, Cansaço... São sentimentos que eu desconheço”, se bem que um desses pilares quase foi abaixo naquela terrível noite de chuva forte. E para quem estava lá numa primeira experiência assim como eu, meus parabéns por tudo que passamos e meus agradecimentos por ter vocês como companheiros e agora meus amigos: Sérgio, Jocasta, Idson, Cledison, Dayse, Glauciane, Letícia, João Paulo, Emmanuela, Guilherme e Filipe.
No total, o grupo foi formado por dezessete pessoas (cinco mulheres e doze homens) todos foram muito forte e com uma determinação incrível para conseguir superar seus limites e vencer mais esse desafio. Brincamos que no final não ganhamos prêmios de hum milhão de reais, mas a experiência de vida que tivemos durante esse acampamento, nenhum dinheiro do mundo é capaz de comprar.






Fernando Ramos Godoi de Albuquerque

Maceió, 20 de janeiro de 2010

JOÃO PAULO RODRIGUES

RELATÓRIO REFERENTE AO ACAMPAMENTO OURICURI CAIÇARA
João Paulo Lages Vieira Rodrigues


O primeiro obstáculo que enfrentei no acampamento caiçara foi comigo, meus amigos, e até com meus pais, pois ele aconteceu no período de férias, e todos nós nos programamos desde cedo em viagens e reuniões de forma geral, por conta disso ninguém entendia o motivo de minha pessoa se enfiar no meio do mato, essa parte eu até compreendia, mas confesso que foi muito difícil deixar de lado toda essa rotina de férias. Isso tudo foi superado porque sabia da importância desse momento para mim como pessoa e para meu futuro acadêmico, outro detalhe que me motivou bastante foi o fato de todos que já foram subestimarem a capacidade daqueles que não foram, e nesse momento tive uma vontade de mostrar que eu era capaz.
Depois de todas essas questões resolvidas fui à compra dos materiais e mantimentos necessários para a estadia no mato, e no dia 5 de janeiro de 2010 estávamos partindo para a cidade de Murici, local onde se encontra a Serra do Ouro que foi onde armamos o acampamento.
Nesse dia passamos parte da noite em um hotel do local, depois de nos alimentarmos o professor Gerson, principal organizador do evento, pediu que todos se apresentassem e em seguida dissessem o que esperavam do acampamento, foi ai que cometi meu primeiro erro do acampamento, dizendo que estava indo a um SPA, isso foi um erro primeiro porque não erra momento de brincadeira e segundo porque poucos me conheciam o bastante para entender o que eu estava querendo dizer, estou sim muito preocupado com minha forma física, mas a razão de dizer isso foi passar que eu estava muito tranqüilo com a caminhada e os dias que iria passar lá e isso tudo não me assustava, como outros, mas me deixava muito bem e feliz.
Começamos a caminhada às 3 horas da manha, me senti muito bem durante toda caminhada de uma forma que me assustei comigo mesmo, e a cada momento eu tinha certeza de ter tomado a decisão certa de estar participando desse acampamento.
Antes de chegarmos ao local tivemos a noticia que não havia mais água próximo de lá, mas isso não foi grande problema, pois havia água há uns 10 ou 15 minutos de onde levantamos acampamento.
Chegando ao local me deparei com duas barracas do antigo acampamento e vi não caberiam todos ali, os mais experientes exceto o Luan providenciaram uma nova barraca e o resto do grupo com Luan deu conta de remontar as duas que lá se encontrava sem condições de estadia, esse foi um momento que tive dificuldade porque realmente não sabia o que fazer, até que tentei aprender o posicionamento das folhas e palhas só que me faltava experiência pratica, e como os outros também não sabiam, ficou complicado montar nosso acampamento.
Com isso, em minha opinião, montar barraca foi o grande trabalho e aprendizado que tivemos lá. Trabalho porque as barracas foram montadas, desmontadas, remontadas e reformadas enumeras vezes durante 3 dias, daí vem o aprendizado, primeiro de montar barraca depois o de paciência, persistência, fazer tudo com perfeição, trabalho em grupo e seriedade. Sem isso seria impossível fazer não só as barracas, mas todas as outras tarefas necessárias para que o acampamento ficasse de pé.
Hoje eu tenho certeza pouco tempo que passei naquela mata foi muito importante para minha vida, consegui tirar de todas as atividades que realizei e momentos presenciei, em fim tudo aquilo que aconteceu comigo, algo que acrescentasse minha pessoa. Mantenho também uma frase que escutei muito daqueles que já participaram, os tuxauas, que é mais ou menos assim, a vida é dividida entre antes e depois dessa experiência vivida no acampamento Ouricuri Caiçara.

LETÍCIA JUSTINO


Letícia Justino Lopes
     No primeiro dia nos encontramos em frente ao Macro e fomos para o posto pegar a besta para Murici. Chegamos ao hotel por volta de 17h30min. Eu estava muito ansiosa e acredito que meus companheiros também. Sergio, Anne e eu fomos dar uma volta para conhecermos a cidade. Quando retornamos ao hotel a turma já estava quase toda reunida para o jantar. Depois que jantamos teve as apresentações, pois nem todos eram membros do Caiçara. Nas apresentações achei muito interessante quando todos falam que estão em busca de aventura e que era uma coisa nova. Isso era verdade, mas eles não tinham idéia do que os esperava. O João todo instante falava que tava indo para um SPA. Não sei se conseguiu perde alguns quilos, mas ele se esforçou para isso. Depois fomos dar uma volta pela cidade e voltamos 22h00min para o hotel ate porque o professor Gérson tinha nos avisado que nos acordaria de 03h00min da manhã e não é que ele estava na nossa porta essa hora, nos acordando. Levantamos-nos e nos preparamos para a caminhada, estavam todos empolgados com aquela aventura. E começamos a caminhada de 23 km. Quando já tínhamos andado mais ou menos 10 km, tivemos nossa primeira parada para comermos e bebermos um pouco de água. Todos estavam bem, más percebi que a Deise ia ter um pouco de dificuldade para fazer o percurso, o professor Gérson também não estava legal, ele estava doente e mesmo assim   ele foi para não ter que mudar a data do acampamento. Já que tinha sido programado seis meses antes. Paramos mais uma vez para nos refrescarmos um pouco, pois os meninos já conheciam o percurso e isso facilitou na hora que fomos tomar um banho para recuperar nossas energias. E continuamos nossa caminhada, quando chegamos ao acampamento colocamos as mochilas no chão,tive a sensação de primeiro desafio cumprido. A Deise tava muito cansada e mesmo assim não desistiu, o Pizza quando chegou foi dormir, pois ele não tinha estrutura para ficar tanto tempo sem comer e ficou fraco. Más quando ele acordou parecia que tinha ligado ele. Foi fazendo as comidas enquanto nós montávamos o acampamento. A montagem do acampamento foi a parte mais difícil, pois fizemos três vezes. A amiga do Filipe estava muito cansada e falou em desistir e eu também tinha a certeza que a Deise desistiria, mais ela me surpreendeu e mostrou-se uma mulher guerreira. Tivemos também a desistência do Guilherme, pois ele se machucou e não teve como ficar ate o final. Terminamos de montar as barracas e começamos uma bela refeição feita pelo Gérson e fomos dormir. No segundo dia acordamos cedo, e tivemos a noticia que a amiga do Filipe ia desistir e o Filipe super protetor voltou com ela. Nesse mesmo dia a turma estava mais unida e trabalhamos com uma equipe de verdade e todos juntos fizemos as barracas novamente. Nesse dia ficamos ate tarde conversando ate sermos surpreendido com uma forte chuva, enquanto isso o Luciano brincando falava. Dor, sede, frio, fome e sede são sentimentos que desconheço na mata. Quando o frio aumentou o Luciano falou, vocês estão todos “lascados”. O Gérson perguntou por quê? Ele respondeu: Se eu estou com frio, imagino vocês. Nesse momento a turma começou a tirar onda e mandou-o chamar pela tia. Enquanto isso João, Deise, Anne, Luan, Fernando E Junior ficaram todos molhados em outra barraca e passaram a noite em pé. Apesar da noite difícil acordei bem disposta, mas Guilherme, Pizza e Deise estavam muito cansados e não dormiram nada. o Guilherme e o pizza passaram a noite sentados na nossa barraca.O João, nunca vi um homem com tanta energia . A turma se sentiu muito motivada com a chegada do Severino e do João Arruda, pois era energia nova que estava chegando e começamos a montar as barracas pela terceira vez. O João Arruda teve que voltar com o Guilherme, e só chegou no acampamento por volta de 12:00horas. Na noite de sexta feira nos reunimos em frente a fogueira tomamos um delicioso café feito pelo Pizza e tivemos um momento de reflexão e depois fomos dormir. Eu, Anne, Sérgio, Fernando, Severino e Deise fomos pegar frutas, no  sábado pela manhã. Voltamos para o acampamento e aprendemos a fazer cestos de cipó. No Domingo voltamos para casa,eu me sentia muito bem porque sabia que tinha dado o Maximo de mim e estava com a sensação de dever cumprido. Agradeço ao Luan, Severino, Sérgio, Gérson, Anne, Deise, Fernando, João e Luciano. Pois foi as pessoas que mais me identifiquei no acampamento e os outros obrigada pela presença.
SALVE OS CAIÇARAS....
Letícia Justino Lope

GLAUCIANE COSTA DO NASCIMENTO


Diário de Bordo



Acampamento Grupo Caiçara
Dias: 5 a 10 de janeiro de 2010
Mestre: Gérson Alves








Glauciane Costa do Nascimento
Faz algum tempo que tive conhecimento do Acampamento Caiçara, não fazia idéia do que me esperava, logo que recebi as informações iniciais do programa. Com o passar dos dias comecei a interagir mais com o grupo e passei a ser apreciadora dos capoeiras.
Com respeito da palavra se assim posso chamar, a “cultura” da capoeira é fascinante e logo me comprou, com suas idéias de transformar pessoas e fazê-los ter uma melhor forma de vida. Todas as reuniões que tive a oportunidade de assistir antes de ir ao acampamento foram impulsionadoras na decisão de ir para o acampamento.
Faz certo tempo que venho acampando com amigos e sempre passamos dias e noites acampados em algum lugar por aí. Mas depois de participar do Acampamento Caiçara comecei a perceber que meus acampamentos anteriores foram piqueniques e hoje consigo me conhecer como uma sobrevivente, que de certa forma superou todas as dificuldades propostas pelo grupo e pelo mestre e sobrepujar essas dificuldades em busca de realizações futuras.
Dia cinco ainda foi tudo muito confuso para mim, tinha todas as coisas imagináveis ainda para serem organizadas e pela chuva e dificuldades outras que aconteceram neste dia antes da viajem, muitos dos que conversei foram tentados a desistir, pelas dificuldades que foram aparecendo ainda no começo do dia.
Orgulho-me por desde cedo nunca ter desistido de meu ideal, fui para o acampamento com a proposta e intenção únicas de me conhecer como pessoa, reavaliar meus limites e ter um conhecimento integral do relacionamento com o outro.
Chegamos ao Hotel de Murici – AL, por volta do fim da tarde. Mesmo antes de chegar ao hotel já consegui criar uma interação com o pessoal do acampamento, isso me fortaleceu bastante, como lembro de minha fala ainda pela noite após o jantar, onde comentei sobre as pessoas que lá estavam e do quanto eu estava grata pela oportunidade que a mim foi conferida e o desejo de que a noite logo passasse para que a caminhada pudesse começar e o acampamento fosse montado.
Não sabia fisicamente as dificuldades que me esperavam, no início da caminhada tudo estava tranqüilo, mas com o tempo a mochila nas costas começou a pesar e as dificuldades já vinham aparecendo, não estava condicionada fisicamente e isso me fez mal inicialmente na caminhada, esperava ansiosa pela primeira parada, onde poderia tirar a mochila das costas, sentar um pouco e tomar água.
Percebi que a ânsia não era exclusividade minha, as pessoas que mantive interação durante a caminhada também demonstravam certo cansaço e desejo pelo descanso. Paramos por um tempo e logo seguimos a caminhada, por diversas vezes, mesmo que por pouco tempo, demos algumas paradas, para alguns, isso era um tanto complicado, pois acreditavam que seria melhor seguir direto em detrimento das paradas, particularmente essas paradas me fortaleceram a cada segundo.
Tivemos paradas para banho, tomamos água, pegamos e comemos algumas frutas e assim conseguimos chegar ao local onde ficaríamos acampados. Chegando ao local, nos deparamos com mais dificuldades, a falta de água foi a predominante, era perceptível que isso preocupou todos naquele momento e já haviam alguns que pensaram em desistir.
Confesso ter sido um problema que eu não contava, mas estava ali disposta a passar por todas as dificuldades, acredito que imprevistos acontecem e isso não poderia ter sido determinado por nenhum de nós.
Conversamos por um tempo, Gérson lançou a questão de quem gostaria de voltar para casa e já houve pronunciação mesmo nesse primeiro momento. Contudo, seguimos mais um pouco o caminho até o local que ficaríamos acampados, até então ainda nos encontrávamos na estrada.
Ao chegar ao ponto tão esperado, me deparei com uma mata fechada, com árvores muito altas e não se via mais nada senão árvores, folhas e o céu em meio às altas árvores. Senti que seria complicado permanecer por ali, quando se está acostumada a certos privilégios da cidade e senti naquele momento que seria um problema que eu deveria encarar e assim voltar uma pessoa com novas experiências e um perfil modificado e renovado.
No primeiro dia armamos as cabanas mesmo inacabadas, montamos a fogueira, organizamos os lugares para dormir, fizemos algo para comer e sobrevivemos a primeira noite. Acreditei que seria difícil, dormir na mata e que me sentiria só, com medo da escuridão ou mesmo incomodada com as dores nas pernas e nas costas.
Ainda no primeiro dia encontramos um local para tomar banho e conseguimos água para beber. Por fim, o primeiro dia e noite foram tranqüilos, estava tão cansada que nem senti a noite passando, deitei muito cedo e no outro dia quase não acordava.
Como no primeiro dia arrumamos o acampamento apenas para sobreviver a primeira noite, no segundo dia precisaríamos organizar melhor as cabanas para nos prepararmos para a chuva e casualidades. Foi um dia tranqüilo e ao mesmo tempo não muito agradável, particularmente não gosto muito de tarefas repetitivas e foi o que mais fizemos durante todo o dia, para montagem das cabanas, fomos orientadas a montar pequenos molhos de palha e depois uní-los formando o teto da cabana, e ainda precisaríamos organizar as laterais.
Pela manhã fomos orientados a organizar as cabanas, uma por vez, o que não foi cumprido e acabou por atrasar o desenvolvimento do acampamento e o trabalho ficou incompleto. No decorrer do dia foram muitas saídas em busca de água, para tomar banho e nesses trajetos acabamos entrando em contato com alguns moradores do local.
O segundo dia foi assim, cansativo pela repetição, mas proveitoso pelo aprendizado, em meio a tantas repetições sempre em grupo, tive a oportunidade de entrar em contato com algumas pessoas que ainda não havia falado e pude conhecer um pouco mais de cada um deles e me apresentar também, pois sabia que do grupo, muitos já se conheciam, eu por não participar dos treinos e da capoeira em si, não tinha intimidade com o pessoal que ali estava, e pude com isso apreciá-los cada vez mais, conhecer suas particularidades, pontos positivos e negativos e tudo que poderia ser expresso no momento.
Logo ao início do dia, eu e Sérgio, saímos para buscar água e ficamos sabendo pelo motorista de uma ambulância, que uma mulher havia sido assassinada e ao que tudo indicava, nós conhecíamos a família, para mim isso foi um tanto incômodo, voltamos para o acampamento e falamos ao Mestre o que havia acontecido, sentíamos que não deveríamos contar a ninguém sem antes falar ao Mestre para que este resolvesse o que deveria ser feito, fomos orientados a fazer silêncio e sermos os mais discretos possíveis para que nosso acampamento não pudesse ser prejudicado por coisas outras que não faziam parte de nosso projeto.
Foi um dia bem produtivo, todos se empenharam ao máximo, demonstraram estar integrados com o grupo e com o trabalho para ser desenvolvido pelo projeto inicial do acampamento. Jantamos todos juntos, afinal, todas as refeições eram feitas em conjunto, sempre esperávamos um pelo outro e logo nos servíamos.
Recolhemo-nos em termos, pois ficamos em nossas cabanas, já deitados e vez por outra uma pessoa saía de sua cabana e vinha ter conosco. Brincamos um pouco antes de dormir, o que nos proporcionou conhecer mais um ao outro. Posso dizer que esse acampamento, mesmo que em seu início, me fez construir muitas amizades, pessoas especiais que me fizeram seguir firme em todos os momentos, bons ou ruins, principalmente em meio a dificuldades.
Dificuldades essas que foram bem expressas na segunda noite, ainda não tinham construído as cabanas como orientado pelo Mestre, contudo passamos mal uns bocados, quando a chuva começou a cair, muitos começaram a se mobilizar, não tive muita reação, como já havia participado de alguns acampamentos e já havia passado também por dificuldades com chuva, passei toda a noite na rede, mesmo que molhada.
O que me chamou bastante atenção nesta noite, foi à atenção dos meninos que estavam em minha cabana, o cuidado que eles demonstravam para comigo e Dayse, me cederam seus lençóis e até uma capa de chuva que um deles havia levado, estava na lateral da cabana e com isso não fiquei isenta da chuva, mas acredito que suportei bem a noite, mesmo com chuva e trovões que amedrontavam.
Passamos toda a noite acordados e a chuva só foi parar de cair com o amanhecer e o aparecimento do sol, com o sol chegou a segunda Tuma que nos encontraria, foi incrível o aparecimento deles logo no início do dia, eles enfrentaram a chuva durante toda a caminhada até o acampamento.
No terceiro dia em acampamento, com a experiência deles em acampamento, o dia caminhou com maior agilidade e o trabalho foi desenvolvido de forma produtiva, terminamos todas as cabanas de forma honrosa, pois seguimos todas as orientações do Mestre e como brincaram: “que a chuva venha que estamos preparados, pode cair até canivete do céu hoje”.
Aconteceram alguns imprevistos, um que de certa forma me deixou pensativa, sobre o grau de dificuldade que teríamos em meio a acidentes, que foi o acontecimento com Guilherme, que ao se machucar decidiu voltar para casa, foi triste ter de se despedir de alguém que era considerado importante tanto quanto os outros naquele momento, alguém que sempre estava disposto a ajudar, a aprender e ensinar.
Nesta noite, a terceira na mata, fizemos um momento de reflexão, onde todos puderam se expor e refletir sobre o programa do acampamento, pessoalmente nesse momento de reflexão da noite, só conseguia pensar o quanto eu já havia me superado e desenvolvido certas habilidades, me surpreendi comigo mesma, ao pensar em todas as dificuldades que já havia enfrentado e me orgulhando por em momento algum ter pensado em desistir, por mais dificuldades que tenham aparecido e pela disponibilidade em ir embora no momento que desejasse, já que por dificuldades encontradas ao chegar, o Mestre modificou algumas de suas regras iniciais de não mais voltar só na quinta ou no domingo, mas deixando livre para que se expressassem a qualquer momento a vontade de ir embora.
Também sentia que não deveria ser assim tão fácil ir embora fora do período determinado, tanto pela dificuldade da volta, quanto pela justificativa, que deveria ser algo agradável a si, eu estava lá por superação de limites, para me reconhecer como pessoa e dar maior valor as coisas que eu possuo, eu encaro minha saída se assim acontecesse como um fracasso em meio a várias possibilidades.
A partir desta noite já não conseguia mais dormir, talvez pela pequena distância entre as redes, os mosquitos, o falatório das pessoas que passava a ser cada noite mais freqüente, mas foi a partir deste terceiro dia que encarei tudo aquilo como natural, coisas que eu não estava acostumada aconteciam cada vez com maior freqüência, posso citar o compartilhamento de talheres e cantis, passar o dia inteiro suja e tomar banho apenas ao cair do sol e ao término das tarefas, comer frutas com as mãos sujas, o banho sempre incompleto. Caramba houve um momento que eu comecei a encarar isso com tamanha naturalidade, que não sabia mais como iria reagir ao voltar para a cidade.
Esses momentos de reflexão em grupo e os momentos em que me encontrava comigo mesma, foram os momentos mais importantes para mim em todo o acampamento, era o momento em que me reconhecia, com minhas fraquezas e limitações, me superando a cada momento.
O quarto dia na mata foi um dos mais gratificantes, levantei muito cedo e pude aproveitar melhor o dia, juntei com uma turma e fomos tomar banho em uma bica que o pessoal no dia anterior havia descoberto, foi uma caminhada prazerosa, fomos conversando e discutindo questões sobre o acampamento, fazendo uma reflexão informal sobre tudo que estava acontecendo com o passar dos dias.
Voltamos para o acampamento, carregados de frutas, foi uma ótima maneira de começar o dia, neste dia aprendemos um pouco do artesanato apresentado pelo Mestre e mesmo não gostando de fazer trabalhos repetitivos e manuais, cumpri com essa tarefa e passei outra parte do dia cozinhando, isso foi para mim uma reconstrução da Glauciane, adoro cozinhar, isso me fez sentir útil naquele momento e para aquelas pessoas.
Pela noite nos reunimos e depois do jantar tivemos outro momento de reflexão nomeado pelo Mestre como: Lavagem de Roupa Suja. Foi uma noite para apontarmos os pontos positivos e negativos do acampamento e dos participantes e como havia pensando na noite anterior sobre o momento reflexão, esse não poderia ter sido diferente, foi tão importante quanto.
Mas também foi um momento que me deparei com tantas diferenças que não havia me dado conta durante todos os outros dias de acampamento que se passaram, pude compreender que apesar de muitos demonstrarem estar tranqüilos e encarando de forma honrosa tudo que acontecia ali, possuíam suas imperfeições, os humanos que eu admirava eram tão falhos quanto eu própria.
Como havia falado no início, um de meus propósitos no acampamento era para também poder compreender essa relação com o outro e saber que apesar das imperfeições expostas naquele momento, essas pessoas permaneciam sendo especiais para mim.
Ao fim desta reflexão, ao nos recolhermos para nossas cabanas, tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas e também de ouví-las e como isso foi importante para mim, foram os momentos mais gratificantes do acampamento, poder ter essa relação com o outro, poder escutá-lo e compreendê-lo, reconhecendo que as diferenças precisam existir para que a relação possa ser concretizada.
E posso dizer que saí deste acampamento uma nova pessoa, com novas amizades e com novos planos, projetados para fazer diferente aqui, de volta a essa realidade paralela.
O último dia chega e o desejo de permanecer fica cada vez maior, maior até do que o desejo de voltar a ter todas as mordomias da vida cotidiana. Aprendemos em pouco tempo algumas técnicas com cordas e mobilizações, armadilhas e amarrações e por incrível que pareça, foi uma das atividades que mais me chamou atenção, pena que já foi à última.
Na caminhada de retorno a cidade, como sabia que não haveria mais volta e sabia também o que me esperava e não me restava mais nada, senão seguir em frente e refletir um pouco mais sobre a importância deste trabalho em mim, Eu como pessoa. Segui na frente, sendo acompanhada como eu posso dizer? Por uma das maiores revelações deste acampamento como pessoa, amigo e companheiro.
Chegamos à cidade e ficamos à espera do grupo que havíamos deixado para trás, chegamos à cidade exaustos, a todo o momento na estrada pedindo chuva, para que o mormaço cessasse um pouco, foi uma volta não tão sacrificante quanto a ída, acredito que por caminha e saber onde iríamos chegar, diferente da ida que só caminhávamos sem saber se já estava perto, se ainda estava longe, ou mesmo por onde estávamos.
Num contexto geral posso classificar esse acampamento como sendo a primeira de muitas experiências que se forem permitidas gostaria de participar, foi um período de reconhecimento, de superação, de aprendizagem e porque não dizer também, de ensino. Foi de grande proveito participar de toda essa experiência e ter sobrevivido, ter me transformado em algo melhor como pessoa. Só tenho a agradecer ao grupo Caiçara pela oportunidade e por todos os momentos proporcionados.
Não poderia terminar um diário de bordo, sem abordar as contribuições necessárias para minha sobrevivência todos os dias do acampamento:
Gérson – Mestre sem igual, já o conhecia como professor e já o apreciava como tal, conhecendo-o agora como mestre e participando de algo orientada por ele, foi uma experiência sem tamanho. Agregador de valores e conhecimentos indiscutíveis me mostrou como devo agir, não com palavras direcionada a mim, mas para bom ouvinte, poucas palavras bastam. Sacrificou-se como muitos para permanecer firme nesta causa e conseguiu honrosamente atingir as minhas expectativas, orientou todo um grupo e as pessoas que integravam este grupo o reconhecem como o Mestre e não é à toa.
Sérgio – Uma das maiores surpresas neste acampamento fez tudo que estava a seu alcance, sempre disposto a ajudar e em muitas das tarefas contribuiu como ninguém, não é à toa que quando me perguntaram quem eu nomeava como um dos responsáveis pelo evento o seu nome surgiu por diversas vezes, ele foi uma das maiores graças também, histórias e piadas e outras coisas que não são necessárias citar, ele foi assim uma das pessoas especiais para mim neste acampamento e que eu aguardo poder participar de outros tendo sua presença.
Luciano - A graça e a autoridade, uma mistura que só o Luciano para possuir, por diversas vezes me impulsionou quando eu me achava fraca, uma revelação de responsabilidade que eu só conhecia na faculdade, com os trabalhos e apresentações, mas nesse acampamento pude conhecê-lo em suas responsabilidades como provedor e cuidador.
Letícia – Companheira de todos os momentos, mulher guerreira e meiga, forte e ao mesmo tempo frágil, uma das pessoas que mais trabalhou para o progresso do acampamento e elaboração das tarefas, sem medir esforços. Pessoa especial que fará muita falta mesmo eu que só a conheci no acampamento criei uma grande apreciação por ela, Letícia é o nível entre brincadeira e responsabilidade.
Fernando – Companheiro especial e ainda descubro que é meu conterrâneo, por diversas vezes foi a pessoa que me fez sentir bem e me sentir querida, um dos que se sacrificou no cuidado de mim e de Dayse na noite da chuva, com ele aprendi o significado da palavra guerreiro, e o reconheço como tal, por sua disposição e vontade em ajudar em todos os momentos necessários. Uma alegria que recebi por ter participado do acampamento. Foi com ele que fiz o trajeto da volta, foi ele que me impulsionou a não desistir e não parar nem para tomar água, seguimos de forma impressionante para mim, quando parei para pensar que na ida parei por diversas vezes e na volta tinha alguém comigo sempre me instigando a seguir. Conversas simples, até bobas, mas tão importantes no final de tudo, pelo conhecimento recíproco e amizade criada. Quando ao fim de tudo, ao chegar à cidade me chama de guerreira e me dá um abraço.
Pizza – Pessoa sem igual aprendi a aceitá-lo de seu jeito simples, e como fui privilegiada por tê-lo conhecido, sempre prestativo e dedicado a todos. Não provei de seu café, mas sei o quanto foi apreciado e desejado pelos capoeiras. Desde a caminhada que eu já o observava como uma pessoa forte, por sua disposição e por sua forma de encarar certas coisas e assim o foi, não foi de surpreender ele ter sido tão comentado por sua capacidade de sobrevivência.
Dayse – Nossa, foi uma das pessoas mais especiais que conheci, participei de todos os seus momentos de fraqueza e acredito ter contribuído de alguma forma em suas decisões e em seu fortalecimento no acampamento, tanto quanto ela me ajudou muito com sua companhia, seus conhecimentos. Acredito ter sido uma das maiores guerreiras na classificação feminina, por diversos motivos e em diversos momentos veio se superando como pessoa e acrescentando muito em sua capacidade de relacionar-se com outros. Posso falar que a ensinei que “não devemos mudar para agradar aos outros, mas porque precisamos dos outros”.
Luan – Para muitos a decepção do acampamento, mesmo por seu posto que deveria ter sido encarado de forma ativa e se apresentou como um participante como todos os outros, na verdade não só como isso, mas por diversas vezes sendo chamado atenção por seus comportamentos contraditórios. Por não ter tido contato algum com Luan antes do acampamento, não pude reconhecê-lo como organizador do evento, nem mesmo responsável pelos que ali estavam, mas pude conhecer a simplicidade de um rapaz que não estava em bons dias, o que interferiu muito em seu crescimento no acampamento. Mesmo os que o conheciam de muito tempo acreditam em sua recuperação e seu fortalecimento pessoa, que direi eu, que o conheci em sua fragilidade?
Severino – O famoso Severo, esse nome não foi escolhido à toa, pessoa marcante e sempre bem humorada, mas foi com este que eu aprendi que as coisas que eu preciso, eu é que preciso correr atrás para consegui-las, passei as últimas noites em sua cabana e reconheço sua importância e o tanto de conhecimento e experiência vieram sendo carregadas naquela pequena mochila nas costas. Fotografo nato, que me fez enxergar de maneira mais agradável tudo o que acontecia, pois encarava tudo com uma naturalidade que me saciava.
João Paulo – Uma graça de rapaz levava tudo na brincadeira e ao mesmo tempo, tudo com seriedade. Fez muito e sempre com muita disposição. Um verdadeiro enigma, não se alimentava, mas sempre com todo gás e toda disposição, mal dormia e já acordava me perguntando como estavam seus músculos. Cheio de planos e com muita disposição para realizá-los, pessoa muito especial que sou grata por ter conhecido.
João Arruda – Não tive muito contato, mesmo por ter chegado na segunda turma e por sempre estar em tarefas diferenciadas das minhas e por poucas vezes ter-mos a oportunidade de nos comunicar-mos. Mas desde cedo demonstrou sua capacidade e disposição ao levar Guilherme até a cidade e depois voltar. Poucas foram às vezes que dialoguei com João, mas em todas demonstrou atenção e desejo de integração. Sempre se mostrava disposto a ajudar e fazia tudo que estava a seu alcance, não é à toa que o Mestre tão bem falou dele.
Junior – Até seu nome infelizmente descobri nos últimos dias do acampamento, foi mais um que não tive muito contato, acredito que por ter se fechado a uma amizade que Luan e ter deixado o desejo de permanecer ali e cativar amizades de lado. Acredito ser uma pessoa que irá crescer muito e que tem muitos planos a serem construídos e consolidados. Limitou-se a muitas coisas como bem foi falado por ele, por sua idade e limitação à responsabilidade do Mestre, mas demonstrava sempre o desejo de querer fazer e saber como fazer, diferente.
Jocasta – Das meninas, a que tive menor contato, pelas conversas em acampamento e mesmo agora com o retorno para a cidade, demonstrou ter sido uma questão grupal de não ter havido uma interação maior dela com o resto do grupo. E mesmo sem saber antecipadamente sobre seus problemas com outra integrante do grupo, já a sentia limitada ao seu mundo, sem dar muito espaço para que outros pudessem interagir. Mas, Jocasta, o pouco que percebi e o pouco que se deixou apresentar, parece ser uma moça muito inteligente, pois tivemos a oportunidade de conversar um pouco sobre faculdade e pesquisas e projetos, e senti que é alguém centrada e firme em suas escolhas.
Guilherme – Garoto simples e agradável participou comigo de diversas tarefas, o que me fez aproximar-me dele e sentir muito sua falta quando teve que voltar para a cidade. Fiquei surpresa com seu desejo de retornar, pois acreditava que de todos era a pessoa mais tranqüila e centrada, mas aprecio seu gesto, por todas as justificativas dadas por ele, compreendi que voltou não porque teria desistido, mas por necessidade e me orgulho muito de ter tido a oportunidade de conhecer pessoas como ele, que me mostraram o momento de parar, de não mais ultrapassar limites, por mais necessário que seja a questão de superação. O pouco que passou lá no acampamento conosco, sinto que foi seu limite, que deu o seu máximo, mas precisou ausentar-se.
Filipe – De todos o que menos mantive contato, na verdade meu contato único com ele foi ainda no hotel antes de nossa partida, durante o único dia que passou conosco no acampamento não tivemos muito contato, foi apenas observá-lo e consegui extrair daqueles poucos momentos, uma pessoa capacitada para liderar e cuidar do outro.
Manuella – Por ter passado o mesmo tempo que Filipe, ficou um tanto limitado também nosso contato, acredito que o que teria para falar dela ainda se resume ao hotel, pois ficamos no mesmo quarto, o pouco que conversamos demonstrou ser uma pessoa tranqüila e disposta a descobrir-se pela superação. Talvez uma visão antecipada, mas não acreditava em sua permanência no acampamento, fiquei feliz tanto quanto pela Dayse, por Manuella ter chegado até o local do acampamento, mas comprovei minha visão antecipada quando o próprio Mestre ao perguntar quem voltaria, citou seu nome como, além da Manuella. Acredito que ela, mesmo com o pouco tempo, já se superou, pois era perceptível o quanto aquele lugar não lhe era agradável.









Glauciane Costa do Nascimento


Evaporar – Littler Joy

Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

O pessoal era sempre muito musical, e por diversas vezes eu não os conseguia acompanhar, por cantarem músicas da capoeira. Quando me encontrava sozinha, com um tempo para pensar, essa música me vinha a mente. Era uma forma de reconhecer o valor do tempo que eu estava tendo e que eu não poderia perdê-lo, deixando-o passar sem aproveitar todas as oportunidades.
E quando aprendi a me doar, doar meu tempo, me doar como pessoa, foi quando eu mais ganhei, ganhei experiência, conhecimento, amizades, pessoas especiais e acima de tudo me ganhei como uma nova pessoa.