terça-feira, 3 de abril de 2012

Jonathan Nascimento


Ouricuri 2012 (Barra de Santo Antônio)

Salve capoeira! Salve Mestre!! É assim que começo este relatório, reverenciando aqueles que merecem meu respeito e agradecendo aos mesmos pelos momentos proporcionados antes e durante a este acampamento e com certeza pelas varias caminhas que ainda estão por vir ao longo de nossas vidas.
Gostaria de salientar, antes de mais nada, sobre uma reflexão existente ainda na Serra do ouro, no Ouricuri anterior, em 2011, onde eu havia me comprometido, a participar de todos os outros eventos realizados pelo Mestre e pelo grupo, pois foi a partir desse evento que pude me sentir como de fato sou, um verdadeiro Caiçara! Contudo o ano passou, eventos aconteceram e eu não me fiz presente. Confesso a todos, que isto me incomodou e causou até um pouco de constrangimento, principalmente em relação ao Mestre, pois eu imaginava que ele pudesse pensar que tal fato aconteceria pelo desdenho que eu poderia ter com o grupo.
O ano passou, um novo Ouricuri estava se aproximando e a possibilidade de eu me fazer presente era a mesma em relação as atividades anteriores, quase nenhuma! Isto pelo fato de eu não conseguir manter um cronograma adequado das tarefas que desejava realizar, por não ser disciplinado o suficiente para cumprir com as metas pré estabelecidas e diria até por ser irresponsável e inconsequente com as tarefas do meu dia a dia, gerando uma bola de neve em minha vida que atropela todo esboço, mau elaborado, dos planejamentos criados. Daí o porque eu não conseguir cumprir com os objetivos antes estabelecidos.
Contudo, consciente do processo existente no Ouricuri, me esforcei sobremaneira para me fazer presente neste encontro e consegui, meio que de última hora, mais consegui e desta vez disposto a entender melhor o porque destes comportamentos, aqui citados, serem tão disfuncionais e a partir daí alterá-los de forma eficaz. Foi desta forma que me dispus a participar deste Ouricuri na Barra de Santo Antônio.
Na manhã do dia 13 cheguei logo a frente do local determinado e me encontrei com o motorista da Van. Ao avistarmos o pessoal nos dirigimos ao encontro da turma que ali já se encontrava e lá estavam: Rodrigo, Fernando, Lucas (Fits), Lucas (Ufal) e Léo. Os minutos foram passando, o dia foi clareando e os caiçaras ao poucos iam chegando. Prontos para partir, entramos na Van e logo dá-se início a nossa partida.
A viagem até o local determinado da parada foi bem tranquila. Ao chegarmos compartilhamos um pouco de pão comprado pelo Severo e ouvimos um pouco da fala do Mestre. Iniciamos a nossa caminhada pela areia da praia e seguimos rumo ao local especifico do nosso acampamento. Porém, confesso que comparado ao anterior não fiquei tão ansioso, pois já imaginava que não haveria uma caminhada tão exaustiva fisicamente como a existente na Serra do Ouro, e realmente em relação ao esforço físico não fomos tão exigidos, afirmo isso não só pela caminha mais também na arrumação das barracas. Foi algo bem tranquilo. Acredito que tal fato tenha se dado também, pela coesão da nossa equipe que foi em sua maioria a mesma do ouricuri anterior, composta por: mim, Severo, Nathany, Isvânia, e com o acréscimo de Igor (coveiro) e posteriormente Fernanda.
No dia seguinte, começamos a desfrutar já de um certo lazer no local. Os demais integrantes do acampamento estavam por terminar suas barracas, e nós, que já havíamos feito isso no dia anterior, só dávamos pequenos retoques na nossa e auxiliávamos nossos companheiros quando necessário. Eu, em um dos breves auxílios na cozinha, me propus a cortar a rapadura para colocar no café que o Fernando estava preparando. O resultado disso foi três pontos que acabei recebendo no polegar esquerdo do meu líder Severo, pois em um breve descuido acabei me cortando, mas como aprendi: “tudo é o medo”! Vale ressaltar e agradecer, que enquanto o Severo prontamente me socorria eu fui altamente reforçado pelas meninas que ali estavam presentes pois passei a ser o centro das atenções. Obrigado meninas!!
Tirando esse breve incidente o dia foi concluído de maneira muito boa e tranquila. A noite chegou, era sábado, e enfim, comecei a refletir de maneira mais intensa sobre os comportamentos que havia proposto alterar nesta jornada. Acabado o momento de reflexão fomos cada um pra sua barraca e lá conseguimos de maneira que não conseguíamos durante o dia descontrair de maneira bem legal com todos. Principalmente porque nessa noite tivemos a visita de três companheiros em nossa barraca: Fernando, Rodrigo e Léo e a diversão rolou souta.
O domingo de manhã chegou e com ele uma certa expectativa. Severo estava prestes a partir e Rafael a qualquer momento iria chegar. A coincidência se deu de tal forma que na partida de Severo, Rafael chega exatamente na mesma hora. Foi um momento triste onde um líder estava saindo mas, foi também um momento onde um outro líder estava chegando. A tristeza pela partida de um e a satisfação da chegada de outro, o qual ambos aprendi a respeitar, principalmente o Severo pelo maior contato tido com ele já em dois Ouricuri, marcou o inicio daquele belo dia que estava por vir. O Mestre já havia proporcionado uma reflexão com o auxilio do Lucas (Ufal) e do Léo e agora estávamos prontos para assistirmos a morte e o preparo de duas galinhas que serviriam de nosso alimento nesse dia. Para isso algumas pessoas foram pré selecionadas pelo grupo para matar, tirar as penas e limpar as galinhas. Foram escolhidas Thaís e Amanda para matar as duas galinhas, Leilane e Fernanda para tirar suas penas e Liliane e Daniel para abrir e limpá-las. Foi uma experiência interessante observar a morte de dois animais que serviram de nosso alimento e saciaram nossa fome no meio da mata, até por que em meio ao nosso dia a dia eu nunca me dei conta de como o alimento ingerido por mim chega em minha mesa. Terminado essa parte, um grupo começou com o auxilio do Mestre a fazer arpões para pescar, enquanto outros tentavam fazer varas para pescar no bote. Eu fui tentar pescar siri com as teteias. Foi um fracasso!! Mais em meio a pesca fracassada pude compartilhar de um breve, mais proveitoso, papo com o Lucas (ufal), um cara muito inteligente. Não posso esquecer do Daniel que também foi um companheiro de pesca e foi tão mal como eu e o Lucas. Ah, a Fernanda ate que se propôs pescar conosco mas, desistiu antes de passar o constrangimento de não pegar nada feito eu, Lucas e Daniel. Por fim, o dia findou com a reflexão de sempre, só que dessa vez com um clima de despedida pois Eu, Lidiane e Fernando partiríamos no dia seguinte e esta seria nossa última noite com o grupo. Foi um momento maravilhoso! Lembro-me que a noite continuou e fomos para o começo da barreira e de lá observamos o surgir da lua, não me atrevo a dizer quem estava presente neste momento pois corro o risco de esquecer de alguém, mas aqueles que estavam talvez concordem com o que penso hoje lembrando-me deste episodio: “obrigado Mestre por nos proporcionar a oportunidade de vivenciar este ouricuri”.
O dia mais temido chegou. O dia da minha partida antecipada. Foi um dia muito bom e proveitoso, caminhamos pela mata com a orientação do Mestre, conversamos, descontraímos, enfim, foi bom, mas confesso que em meio aos bons momentos eu estava tenso em saber que o momento da partida se aproximava. Após o almoço chegou a hora da partida, todos foram ver nossa despedida e algo que ficou bem esclarecido foi o motivo de nossa ida. Partimos por compromissos profissionais que impossibilitavam nossa permanência. Foi muito complicado distanciar-se do local do acampamento e saber que companheiros que convivemos continuariam o processo do ouricuri. A caminhada foi longa mas, fácil e tranquila. Ao chegarmos na cidade da Barra de Santo Antônio logo pegamos um ônibus e partimos para maceió. Fernando e Liliane desceram primeiro do ônibus e logo em seguida eu desci no ponto do shopping. Parecia que a recepção que me aguardava após minha chegada havia sido programada para mim, pois aguardei 50min por uma condução para minha casa e depois um transito de me custaram em torno de 3:00 horas até minha casa. O Choque de realidade foi inevitável. De um acampamento com uma paisagem paradisíaca ate a tão conturbada cidade grande e seus engarrafamentos!
O fim do ouricuri se deu com todos os companheiros na pizzaria Nicole. Lá tive a seguinte impressão: “agora sim o acampamento acabou”. Mais pude perceber logo em seguida que o acampamento havia sim, acabado ali, só que cerimonialmente. Pois a cada foto, a cada frase relatada, a cada lembrança recordada, percebo quão vívido e profundo permanece em mim a experiência de ter participado, daquilo que meus tolos colegas de trabalho e faculdade chamam de loucura, mas que para mim se tratou do evento que orgulhosamente chamo de ouricuri.

domingo, 23 de outubro de 2011


(PAJUÇARA/AL – RIO PERSINUNGA/PE)

Iniciarei o relatório tecendo um pouco acerca dos dias que antecederam a caminhada.

Deixei para adquirir os materiais e mantimentos necessários para a atividade no final de

semana anterior ao início da mesma, haja vista estar um pouco apreensivo por não ter me

preparado, no que tange ao condicionamento físico, para a atividade. Na segunda-feira, dois

dias antes do início da caminhada, tive febre, o que me deixou ainda mais apreensivo. No

entanto, contei com o apoio e entusiasmo do meu irmão e de minha namorada. Meus pais

também estavam apreensivos. Assim sendo, gostaria de enfatizar a contribuição dada por

meu irmão durante a preparação para a atividade. Meu irmão é militar, por isso detêm algum

conhecimento que me foi útil tanto na escolha de uma mochila que oferecesse uma boa

distribuição de peso, elemento que apesar de ordinário foi motivo de reclamação de alguns

durante os primeiros quilômetros da caminhada, quanto na separação e impermeabilização

dos mantimentos trazidos na mesma, fatores que muito facilitaram a manipulação dos

mantimentos durante as breves paradas realizadas durante o trajeto. Friso também a “força”

dada pela minha namorada, que em nenhum momento aparentou duvidar que eu conseguiria

chegar até o destino final da caminhada.

Iniciamos a caminhada com um grupo formado por onze homens por volta das

13h30min do dia 20 de julho de 2011, uma quarta-feira, na pretensão de chegarmos ao ponto

final do trajeto no sábado ou domingo subsequente. Concluímos a atividade com um grupo de

oito homens na manhã do domingo por volta das 12h00min, o que resultou em uma atividade

de pouco menos que quatro dias.

O primeiro dia de caminhada não foi desgastante, percorremos apenas cerca de

15km, o que a princípio me preocupou por temer termos de compensar o “atraso” no dia

seguinte, o que poderia ser deveras desgastante. No entanto, durante as reflexões realizadas

na noite do mesmo dia e em decorrência dos apontamentos elencados por alguns dos

companheiros pude perceber que a decisão tomada pelo grupo foi a mais prudente.

Já no segundo dia, nos fundos do restaurante Hibisco, tivemos a desistência do

companheiro Arthur Paredes, que já vinha sentindo fortes dores no tornozelo há algumas

dezenas de quilômetros. Ainda neste dia contamos com um grande desafio, a travessia

do rio Santo Antônio, que foi, para mim, um momento determinante na caminhada, nele

tivemos a desistência do companheiro Cícero Albuquerque. Acredito que a necessidade de

atravessar o rio foi um elemento de peso para sua decisão. Diante do rio temi atravessá-lo

o que me fez avaliar as possibilidades decorrentes da escolha que deveria tomar naquele

momento, dentre elas: poderia tentar atravessá-lo a nado, o que avaliava ser perigoso; poderia

desistir, me resguardando; ou poderia buscar um meio alternativo para atravessá-lo, o que me

possibilitaria dar continuidade a caminhada. Avaliei e decidi por ser prudente, escolhendo

um meio alternativo para a travessia. Assim sendo, peguei carona em uma pequena jangada,

segurei em sua borda e contribui batendo as pernas. A princípio minha escolha me parecia

um pouco constrangedora, fui o único que decidiu atravessar por este meio. No entanto, no

decorrer da travessia o companheiro Fernando, um dos sujeitos que aparentemente menos

sofrera desgaste durante toda a caminhada, haja vista ter um bom condicionamento físico se

cansou e graças ao auxílio oferecido pelo companheiro Lucas Fitipalddi não se afogou. Este

evento me fez ter certeza que minha escolha foi a correta. Já na margem soube que o amigo

Lewilson, por pouco, também não se afogou durante a travessia.

Deste evento guardo a fala do amigo Rodrigo ao relembrar, durante o momento

de reflexão do dia, as palavras de seu avô “a maior virtude de um homem é reconhecer seu

limite”. No entanto, o mesmo completou as sábias palavras de seu avô evidenciando que

reconhecer um limite não implica em parar diante do mesmo, mas sim em trabalhar no intuito

de construir habilidades que permitam superá-lo.

A partir do terceiro dia passei a sentir muito incomodo na sola dos pés, incomodo

decorrente das bolhas formadas durante a caminhada, o mesmo me possibilitou administrar a

dor, elemento extremamente aversivo. Este incomodo me acompanhou até alguns dias após o

final da caminhada.

Durante a parada na Ilha da Croa, próxima a Praia do Carro Quebrado, e mais adiante

em Barra Grande, já bem próximo do destino final, contribui com o preparo da refeição,

atividade que foi bastante satisfatória. Diante disso refleti sobre o porquê de não ter o hábito

de contribuir no preparo das refeições e em outros afazeres domésticos, só tive resposta a esse

questionamento ao ler o texto “O que está errado com a vida cotidiana no mundo ocidental?”,

no qual Skinner afirma que

as pessoas pagam às outras para produzirem as coisas que consomem, e
assim evitam o lado aversivo do trabalho, mas elas perdem o lado reforçador
também. O mesmo ocorre àqueles que são ajudados por terceiros, quando
poderiam ajudar a si mesmos (SKINNER, 1987).

No quarto dia de caminhada tivemos a desistência do companheiro Rafael, vale

frisar que sua desistência foi decorrente de uma lesão, o que poderia implicar em sequelas

graves caso insistisse em continuar. Por ser ele um dos sujeitos que muito contribuíram nas

travessias dos rios, junto com Prof. Gérson, Guilherme, Higor e, num primeiro momento,

Lucas Fitipalddi e Rodrigo, refleti sobre a importância de cada um dos sujeitos do grupo

para a conclusão da atividade. Decorrente desta reflexão pensei sobre a necessidade de

estruturar novos repertórios, adquirir novas habilidades, que possibilitem não apenas concluir

atividades como essa com menos dificuldade, mas principalmente em adquirir habilidades que

me possibilite contribuir ainda mais para que o grupo supere desafios como os encontrados

durante o percurso.

Esta atividade me possibilitou refletir sobre minha postura diante de circunstâncias

aversivas, fez-me lembrar de algumas atividades com as quais me envolvi e que diante

de pequenos empecilhos desisti. Fez-me perceber que metas e objetivos implicam em

perseverança e planejamento, fez-me atentar para a importância de traçarmos projetos de

vida. A caminhada foi um ensaio para as grandes realizações de um sujeito. Todas as grandes

realizações de um sujeito, aquelas que serão relembradas por seus descendentes contaram

com inúmeros desafios, contaram com escolhas e estas exigiram discernimento e ponderação,

ao mesmo tempo que coragem. As travessias dos rios me possibilitaram isso, fui corajoso o

bastante para enfrentar os que achei ser capaz, mas cauteloso o bastante para buscar meios

alternativos de atravessar aqueles a que respondia temeroso. A chegada ao rio Persinunga me

fez perceber que as grandes conquistas de um sujeito são decorrentes de um longo período

de labor, que grandes conquistas implicam em grandes desafios. No último momento de

reflexão o Prof. Gérson expôs a importância de conseguirmos traçar e alcançar grandes metas

e objetivos mesmo que isso implica em longos percursos solitários.

Por fim, aproveito para agradecer e parabenizar todos os participantes dessa

difícil empreitada, os que participaram efetivamente da caminhada e os que contribuíram

indiretamente para sua realização. Agradeço principalmente ao Prof. Gérson, primeiramente

pela formação oferecida por ele nas rodas de capoeira, nas atividades acadêmicas e em

atividades como essa, mas também pela seriedade com que planejou esta atividade, sem

dúvida elemento determinante para o sucesso da mesma, e aos amigos Rodrigo e Lewilson

pelo “espírito” constante de camaradagem com o qual percorremos esse longo trajeto.

Aproveito ainda, para apresentar uma letra que compôs acerca dessa grande realização:

Senhores peço licença

Senhores peço licença

Pra contar-lhes uma história

De um percurso, de um trajeto (colega velho)

Que eu trago na memória

E onze valentes guerreiros

Que vivem pra buscar a glória (camarada)

De Maceió a São José

De Maceió a São José

São José em Pernambuco

Tudo isso feito a pé

E dormindo à beira mar

Cada rio atravessado (colega velho)

A nado de cá pra lá (camarada)

Se estás a duvidar

Mas se estás a duvidar

Disso tudo que lhe digo

Tenho aqui sete caboclos (colega velho)

pra validar o que digo (camarada)

IÊ, viva meu mestre/grupo

IÊ, que me ensinou

IÊ, a ser mais forte

IÊ, a resistir

Lucas Costa Neves Rocha

Palmeira dos Índios, 25 de setembro de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Fernando Godoi

Ouricuri Caiçara 2011

Caminhada: Pajuçara (Maceió-AL) até Rio Persinunga (Divisa entre Maragogi-AL e São José da Coroa Grande-PE)

20.07.2011 a 24.07.2011

Como de costume minha preparação para caminhada começou bem antes, desta vez tive uma pequena dificuldade, por motivos pessoais tive a necessidade de alterar meu horário na faculdade tendo que estudar no período da noite, com isso ficou comprometido temporariamente meus treinos com o grupo, devido ao compromisso dos estudos. Mas eu sabia das dificuldades que poderia ter com um mal preparo físico, então me dediquei a correr de segunda a sexta na praia durante a manhã, também segui a risca a recomendação do Mestre Gerson, no qual ele me disse que não parasse de treinar a elasticidade como escalas e ponte. Para acompanhar o preparo físico, diariamente após as corridas na praia, procurava fazer exercícios de barra e apoio. Foi a forma que encontrei para me preparar para mais um desafio, tinha consciência que o trabalho do grupo não parava então tive que buscar alternativas para me preparar também.

20.07.2011 – Devagar se chega lá...

Por volta das 14h encontrei os caiçaras no local de treinamento em frente ao Alagoinhas, onde foi nosso ponto de partida. Desta vez o número de participantes mais que dobrou em relação à última caminhada, fiquei muito feliz com a maior participação dos companheiros. Dos cinco guerreiros da última caminhada quatro estavam presentes nessa, isso me deixou muito empolgado, pois ficou a construção do grupo ficou fortalecida com a boa base que tínhamos. Após as instruções do Mestre Gerson e as palavras dos membros mais antigos saíram onze guerreiros rumo ao objetivo: Rio Persinunga que divide Alagoas e Pernambuco. No primeiro dia o Mestre embalou a caminhada com a música “Devagar de chega lá...”, no início sempre aquele processo de adaptação com o peso, conseguimos dormir próximo a um Resort onde fizemos nossa janta e fomos dormir em nossas barracas, o grupo foi divido em três subgrupos para as barracas. A noite foi muito tranqüila e com um merecido descanso após primeiro dia de caminhada.

21.07.2011 – Uma dificuldade jamais vista.

Amanheceu o dia logo de cara, passamos o Rio Pratagy, demos uma boa parada ainda em Ipioca, no Hibiscus, local onde tivemos nossa primeira desistência, o Arthur já estava exausto e foi o primeiro a conhecer seu limite mais de perto e assim retornou, nós continuávamos a viajem agora em dez guerreiros. Passamos por Paripueira sem nenhuma dificuldade, onde um fato chamou atenção, um ônibus escolar passou onde estávamos descansando e ouvimos gritos de algumas crianças “Olhas os Sem Terras”, isso gerou gargalhadas no grupo e depois seguimos em frente. No inicio da tarde passamos por Sonho Verde e Tabuba. Veio aí o primeiro grande desafio de nossa trajetória atravessar o Rio Santo Antonio. Mas infelizmente tivemos nossa segunda desistência, a travessia era o limite para nosso companheiro Cícero, então ele retornou daquele lugar. Como fizemos com os rios menores primeiro passamos as bolsas no bote e depois passamos nadando, confesso que não tinha noção de quanto era longe o caminho a nadar, pensei que estivesse bem para isso, mas no meio do percurso senti um forte cansaço me faltou oxigenação e não conseguia mais nadar, estava mais ou menos no meio do caminho e não tinha muito o que fazer, tentei manter a calma apesar do momento ruim que estava passando, mas olhei pro lado e procurei alguém, foi quando avistei o Lucas Fittipald e que me ajudou, logo atrás prevenindo que isso acontecesse o Mestre Gerson e o Rafael vinham nadando trazendo com eles o bote, foi aí que o Lucas Fittipald me ajudou a chegar ate o bote e assim pude concluir o percurso do rio. Quando cheguei às margens o Mestre me parabenizou pela calma que tive no momento tão delicado e eu estava muito exausto, nunca tinha me sentido tão fraco e cansado, aqueles momentos me abalaram muito, passei o resto da tarde e a noite pensando no que aconteceu, pensando no que poderia ter acontecido comigo, mas fui forte e confiei em meu grupo e no meu Mestre. Passamos a noite em Ilha da Crôa onde não tive uma noite muito, não consegui parar de pensar no que tinha acontecido e quando passava pela minha cabeça que poderia ter acontecido algo mais grave, isso martelou muito meus pensamentos e não dormi muito bem. Foram fundamentais para mim os momentos de reflexão antes de comer e ir dormir, assim pude falar de como estava à caminhada e ouvir dos demais companheiros como eles estavam também, apesar de ter me abalado, não desanimei e renovei as forças para os Km que ainda tinham pela frente.

22.07.2011 – Parada necessária.

O Sol nasceu outra vez e junto dele minha vontade de superar aquele dia tão difícil que passei. Caminhamos um pouco e ainda de manhã chegamos ao inicio da Praia de Carro Quebrado, local onde fizemos uma parada que devido o desgaste de alguns companheiros decidimos fazer uma parada mais longa, nos alimentarmos para aí em seguida seguir viagem. Olhava para o pessoal e era notável o esforço de alguns, algumas bolhas no pé vinham incomodando muita gente e o desgaste ia sendo muito maior, com isso notei que estava muito bem fisicamente e me recuperava do problema do rio no dia anterior. Ficamos a manhã toda descansando e após o meio dia continuamos nossa caminhada, com autorização do Mestre, Eu, Rafael, Guilherme e Igor, fomos na frente. Praia de Carro Quebrado, uma beleza natural, suas falésias chamam muito atenção e as dificuldades que passávamos era muito bem recompensada pela bela paisagem. Ao final encontramos uma bica natural, onde recuperamos nossas energias e esperamos os demais companheiros, então seguimos rumo ao Rio Camaragibe, já era finalzinho da tarde, passamos as coisas (bolsas) do mesmo jeito que os rios anteriores, sendo que dessa vez, Eu, Lucas Neves e Lewilson passamos em uma jangada, enquanto os demais foram nadando. Chegamos a Barra do Camaragibe, onde jantamos e seguimos destino a São Miguel dos Milagres, lá encontramos o Nininho que foi fazer o apoio e dar aquela ajuda, é sempre bom rever os amigos. Dessa vez tive uma noite tranqüila e dormi me preparando psicologicamente para os próximos Km.

23.07.2011 – Desistência, uma grande surpresa.

Acordamos bem e dispostos para seguir nosso destino, alguns companheiros continuavam as lutas pessoais contra suas dificuldades, mas persistiram e continuamos nossa trajetória. Logo pela manhã chegamos ao Rio Tatuamunha, esse não tão grande em relação aos Rios Santo Antonio e Camaragibe que passamos, mas encarei esse como um desafio pessoal, vencer o trauma que havia se instalado na travessia do Rio Santo Antonio. Certo que a distância não era muito grande mais o que ficou de importante pra mim foi à vitória de ter conseguido atravessar nadando e superar o acontecimento de alguns dias atrás. O tempo ficou nublado e em seguida veio a chuva, por volta do meio dia chegamos a Porto de Pedra, muitos guerreiros estavam desgastados e pra surpresa de todos, após o almoço o Rafael chegou ao seu limite e foi o terceiro e último a desistir, essa foi a desistência que mais me abalou, até por conta dos laços de afinidades que já tenho com ele de outros Ouricuris, mas ele foi muito guerreiro e ao exemplo dos demais sobe reconhecer seu limite, a surpresa ficou por conta que não estávamos esperando sua desistência mas infelizmente aconteceu. A chuva parou e atravessamos o Rio Manguaba, agora o próximo destino era Japaratinga, caminhamos a tarde toda e ao entardecer chegamos. Fizemos uma rápida parada onde alguns companheiros aproveitaram para tomar um banho nas famosas Bicas de Japaratinga, passamos rápido e no final da cidade decidimos dormir as margens do Riacho do Salgado já em Maragogi, decidimos andar pelo asfalto, onde mais a frente avistamos um grave acidente no qual levou a morte de um motociclista, o trânsito estava um caos e tudo parado, muita movimentação na estrada por parte de ambulâncias, perícia e IML. Já era tarde e apertamos um pouco o passo e fomos dormir após o Riacho do Salgado, bem no início de Maragogi, o clima foi fechando e a chuva chegou, junto a ela veio um forte temporal, tivemos até dificuldades na montagem das barracas, mas conseguimos montar e dormir, se bem que não esperávamos o que nos aguardava durante a madrugada.

24.07.2011 – Após madrugada difícil, a recompensa da chegada.

O último dia começou mais cedo do que o esperado, após o dia anterior no qual mais caminhamos, faltavam poucos Km para conclusão e quando esperávamos uma noite tranqüila e calma, veio uma tempestade que nunca tinha presenciado em minha vida, o vento era muito forte as barracas inclinavam, a chuva dificultou ainda mais, começou a entrar água nas barracas e com isso o sono foi embora a preocupação era enorme, e não consegui dormir direito, Guilherme que estava na mesma barraca, sofre junto. Algum tempo depois a barraca onde estava o Mestre Gerson, Lucas Fittipald e Igor, teve uma de suas hastes danificadas com isso, todos vieram para nossa barraca, nessa altura o sono não existia mais. Os guerreiros da outra barraca (Rodrigo, Lucas Neves e Lewilson) começaram a levantar acampamento, a chuva diminuiu e o temporal acabou, levantamos e seguimos nossa viagem. Na passagem por Maragogi, ficou a lembrança de um belo nascer do Sol, que mesmo com o tempo nublado, começou a clarear e mudar o clima. Faltavam poucos Km, então seguimos rumo ao destino final, Rio Persinunga. Lewilson e Igor foram os primeiros a chegar, em seguida Eu e Guilherme, um pouco depois Mestre Gerson, Rodrigo, Lucas Neves e Lucas Fittipald.

A felicidade de ter concluído mais esse desafio foi muito grande, escrever sua própria história são para poucos, ainda mais nos tempos de hoje onde a maioria busca um maior conforto e viver em uma zona de comodidade, fazer feitos como fizemos é para poucos, fico feliz de fazer parte de um grupo tão importante como Caiçara, e hoje posso dizer que junto com o grupo já caminheiro todo litoral Alagoano de Norte a Sul, realmente um grande feito que me orgulho e tenho certeza que esses fatos históricos que ajudam a construir minha historia de vida vai ser motivo de orgulho para meus familiares e futuros descendentes. Gostaria de deixar manifestada aqui todo meu agradecimento a todos os guerreiros (Mestre Gerson, Rafael, Rodrigo, Guilherme, Arthur, Lucas Neves, Lewilson, Lucas Fittipald, Cícero e Igor) que fizeram parte de mais essa história, fico com grandes ensinamentos e lições. Apesar de toda dificuldade que essa caminhada nos reservou, queria deixar um agradecimento especial ao Mestre Gerson, pois como os demais do grupo que hoje aqui estão, devo muito a ele por mudanças significativas e crescimento pessoal que venho tendo ao longo do tempo, final do ano completo dois anos de Caiçara e vejo um tempo de muito progresso em e muitos ensinamentos para vida, seja nas relações pessoais, familiares, estudos, como o Mestre sempre frisa a Caapoeira é um ensinamento para toda vida.

Salve!

Fernando Godoi

Maceió, Agosto d

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lewilson Fernandes



Relatório - Lewilson Fernandes da Silva

“[...] Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará (João do Vale/José Cândido)”.

O Ouricuri Caiçara caminhada Maceió-AL – Rio Persinunga-PE 2011 começou para mim desde inicio como algo muito grande, já que seria a maior aventura por mim realizada nesses 23 anos de vida. Concomitante com a preparação para essa aventura, eventos particulares ocorreram, dentre eles um momento de quase morte e conseqüentemente a decisão de parar de beber. Comentando sobre a caminhada com pessoas muito importantes para mim como meu pai, minha mãe e minha esposa me deram além de nenhum incentivo (exceto minha esposa), conselhos para desistir e que não conseguiria. Não tive como os culpar, visto que vim demonstrando esse comportamento de desistência e irresponsabilidade há muito tempo, vim perceber que estava perdendo algo muito difícil de conseguir e fácil de perder que é a confiança devido ao comportamento de alcoolista. Resolvido fazer a caminhada mesmo sem o preparo físico adequado, mas com uma meta de não desistir, aqui não preciso dizer que se era grande como aventura tornou-se maior como provação que outros comportamentos podem ser aprendidos, no meu caso de não desistência dentre outros.
Feito uma pequena introdução do momento anterior a caminhada, vamos então ao primeiro dia. Com saída de Arapiraca as 07h30min e chegada em Palmeira dos Índios por volta das 08h30min. Encontrei-me com o camarada Lucas Neves e feitos os últimos preparativos seguimos viajem para Maceió. Na praia da Pajuçara esperamos a reunião de todos os onze camaradas e depois da fala e de uns cânticos de capoeira pelo Mestre Gerson seguimos viajem, dentre os cânticos a música Fogo de Palha do mestre Fanho ecoou durante todo o percurso de minha caminhada.
Com uma pesada mochila, algumas inquietações e muita vontade de não desistir comecei a caminhar na areia de Maceió, sem muito desgaste físico, mas no fim do dia cansado principalmente pela areia fofa no decorrer do caminho. Dormimos depois de um excelente jantar não luxuoso, mas não menos saboroso que qualquer banquete. Nesse primeiro dia tive maior contato com os que já me eram conhecido, como os camaradas Lucas Neves, Cícero, Rodrigo e o Mestre Gerson.
  No segundo dia seguimos mais entrosados, tivemos momentos de brincadeira logo pela manhã com a travessia do guerreiro Cícero que mesmo sem muita habilidade em natação resolveu enfrentar o rio e consegui passar e seguir a caminhada. Tivemos nesse dia pela manhã a primeira desistência dos guerreiros Arthur pela manhã e logo na beira do Rio Santo Antônio Cícero. Nas águas do rio Santo Antônio passei por uma real possibilidade de afogamento, no qual ao chegar sua margem euforia e temeridade me seguiram por mais duas travessias. À noite ocorrido uma reflexão entre todos os companheiros agora bem mais próximos houve para mim uma diminuição de temeridade do rio que proporcionou maior tranqüilidade.
Terceiro dia os calos nos pé tornaram quase insuportável a caminhada, mas sem querer parecer melhor que ninguém suportaria mais dor, tanto que suportei, contudo sem as reflexões e a companhia de todos os camaradas teria desistido. Para melhor incentivo de caminhar nada melhor que boas paisagem e companhia, itens que não faltaram momento algum. Praia do carro quebrado é muito maravilhosa. Com água mineral recolhida por nós para saciar a sede seguimos até um trecho que eu e Lucas Neves caminhamos sozinhos, trecho que foi desgastante e de stress principalmente para o Lucas que foi amenizado com o reagrupamento de todos. Com uma primeira passagem por asfalto na caminhada houve pra mim muito desgastante e a dormida em São Miguel dos Milagres que era para ser tranqüila, foi agitada, pois tivemos que remover a barraca de lugar dada às implicações climáticas.
O quarto dia foi para mim o dia mais desgastante, com os calos estourados e a péssima escolha de usar sandália ao invés do tênis, fez com que passasse uma grande parte do percurso sozinho que foi de grande reflexão, dentre elas positivas e outras de até desistência. A caminhada por mais um trecho de asfalto a noite foi muito cansativa e dolorosa chegando ao meu limite de stress, mas mais uma vez o companheirismo de todos com ênfase nesse momento dos camaradas: Rodrigo, Guilherme, Lucas Neves e Mestre Gerson ajudaram a seguir. Quando montamos barraca o que mais queria era descanso, mas o clima de ventania e chuva impossibilitou isso, fazendo com que dormíssemos no máximo três horas de sono antes de seguir viajem pela manhã.
No ultimo dia da caminhada mais que nos outros dias superação, companheirismo foram palavras que não saiam de minha cabeça, pois estava de fato perto de realizar o objetivo e mostrar que mesmo muito cansado e dolorido chegaria, que acima de tudo não desistiria de um objetivo que realmente vislumbrasse e que continuar o mesmo (desistente e irresponsável) seria até um determinado dia cômodo, mas o incomodo disso por uma vida toda não valeria à pena.
Vislumbrei objetivos e caminhei. Fui, andei e cheguei, mas nunca estive só e agradeço aos meus companheiros pelas divisões de aprendizagens, pois não foi fácil, mas cada centímetro caminhado foi muito mais do que conquistado e merecido por mim, foi devido por guerreiros... Tão merecedores quanto eu.
Alguns poderão se perguntar por que a música do começo, mas é fácil de explicar com a seguinte citação:
Não quero saber quem é melhor que eu, pois estou me melhorando a cada dia e se eles não se melhorarem passarei tranqüilo. Ser infeliz não é pressagio para felicidade, felicidade é que é pressagio para mais felicidade, depende de muitas contingências (micro e macro políticas), mas acima de tudo de querer e ainda querer ser (mais) feliz. Lewilson Fernandes da Silva, 2011.

Encerro esse relatório com alegria, saudades e também com um muito obrigado a todos e em especial ao Mestre Gerson.
Abraços...

Rodrigo Gluck


Estou no grupo caiçara há quase dois anos, durante esse tempo no grupo eu tive a oportunidade de participar de vários eventos marcantes e conhecer diversas pessoas interessantes que fazem, ou faziam parte do grupo. Lembro que no começo quando uma pessoa saia do grupo, um desanimo batia em mim. Muitas pessoas que eu criei laços de amizades já não estão mais no caiçara, necessitei de tempo para aprender a lidar com essas situações de evasão. O mestre sempre disse que uma atividade de luta é repetitiva, onde cobra do sujeito um mínimo de perseverança e comprometimento.
Antes da nossa caminhada ele passou um texto para ser lido, o nome do texto é O que há de errado com o mundo ocidental, de autoria de B. F. Skinner. O texto em si trata das facilidades que hoje em dia o sujeito encontra nas suas atividades. Com o mínimo de esforço as pessoas hoje são reforçadas por seus comportamentos, tornando assim as pessoas incapazes de produzirem e realizarem os feitos que se propõem, as tornando acomodadas e facilmente manipuladas por estratégias de controle das agências controladoras.
A proposta da caminha é possibilitar que por meio de uma atividade mortificante, o sujeito comece a atentar para como as coisas mais simples no cotidiano, dão trabalho. Em um ambiente sem as mordomias e reforçadores facilmente disponíveis, esse necessita adotar uma postura diferenciada de enfretamento, ter perseverança e ser proativo nas atividades realizadas. Constantemente o sujeito é posto em frente as suas limitações e esse aprender a trabalhá-las e ter persistência em seus objetivos.
Durantes os seis meses posteriores ao processo do Ouricuri na Mata da Serra do Ouro, houve algumas mudanças em minha vida. Mudei para Palmeira dos Índios para estudar na Universidade Federal. Eu tinha algumas metas e objetivos a serem traçados durante o ano de 2011 e essa transferência era o inicio para alcançá-las. Por falta de habilidades e de disciplina, o único objetivo que realmente alcancei durante esses seis meses foi à transferência, acabei saindo do foco e deixando as metas de lado, fiz besteiras que não só me prejudicaram, mas também as pessoas próximas a mim. Agradeço a paciência que o mestre teve comigo nesse período e ate hoje, me pergunto o porquê dele ser tão compreensivo nessas limitações que tive nesse período.
No primeiro evento que fui com o mestre Gerson na Serra da Barriga, na época nem capoeira eu era. O mestre me falou uma frase que me marcou bastante e que eu procuro sempre empregá-la em minha vida, ele disse que não adianta um sujeito ser uma flecha com potencial, se essa for lançada no escuro sem um alvo a ser atingido, de nada vai adiantar, só vai ser algo que pode ou não ter sucesso. Durante esses seis meses a luz foi apagada e meu alvo retirado, fui só uma flecha atirada ao nada.
Antes de eu viajar, fui resolver umas coisas com meu tio e tive uma conversa que me fez refletir bastante, nós estávamos num elevador de um edifício comercial descendo para ir embora, o elevador possuía uma televisão e a noticia que estava passando na hora era sobre Strauss-kahn e a reviravolta que o caso tinha tido, quando eu entrei no carro com meu tio ele parecendo um capoeira, olhou para mim e disse como era engraçado o quanto o mundo da voltas, um dia o cara é acusado no outro traz evidencias de ser inocente e assim vai o processo da vida. Depois continuamos conversando sobre outro assunto pertinente, sobre como acerta nas veias certas para ganhar dinheiro na vida, o meu tio disse que só era preciso na verdade o sujeito ter duas coisas, paciência e persistência, que um dia a oportunidade iria chegar, aquela conversa me deu um grande baque na hora em relação a minha ânsia em ganhar dinheiro imediatamente e de forma solta, sem planejamento.
Fui então ao processo de ouricuri querendo reavaliar minhas metas para o final do ano, querendo modificar algumas posturas minhas em relação à resolução de problemas e fazer mais uma vez algo que eu me orgulhasse na vida. No outro ouricuri da caminhada ate a foz, eu não consegui completar o percurso por conta de quatro km e isso ainda estava martelando na minha cabeça. Meu apelido no outro ouricuri foi teimoso, onde mesmo eu estando com uma lesão no pé esquerdo eu segui mais 22 km rumo à foz, mesmo com todos falando para eu ficar, mas mesmo assim não fui teimoso o bastante para concluir uma atividade que eu tinha proposto, aliás, isso é um grande mal que eu tenho, começo as atividades e não termino de forma devida. Isso era algo que eu queria trabalhar nessa caminha. 
O mestre em um momento de reflexão na caminhada, perguntou como essa atividade era para construirmos novos repertórios comportamentais para o enfretamento do cotidiano. Vou agora responder de forma satisfatória. Primeiramente eu aprendi a respeita da singularidade de cada integrante do grupo caiçara, cada um ali é um guerreiro que de forma diferente procurou lidar com as situações de desgaste. Nós crescemos sim sozinhos e em alguns momentos da vida isso é necessário, mas o crescimento junto com pessoas visando um objetivo similar é algo realmente gratificante e com resultados impressionantes. A certeza de se ter um grupo sólido que permita o crescimento mútuo e ter a construção de memórias com pessoas que valem à pena é algo de um valor inestimável, posso falar que aprendi a valorizar mais isso nessa viajem.
Em segundo lugar vendo algumas pessoas como o Lucas Neves, o Lucas Fittipald, o Lewilson e o Cícero, conhecidos como a ala geriátrica, observando também os iron-mans com suas ajudas constantes ao grupo, onde esses também estavam passando por problemas como o Guilherme mesmo me disse que no começo não tinha certeza da sua chegada, observando o Rafael que mesmo com uma lesão grave continuou ate o limite e vendo também o mestre que desenvolveu no pé umas bolhas e mesmo assim não perdeu a postura, me fez mostrar o valor que a persistência nas atividades traz para o sucesso destas. Falo sem medo que fiz bem isso nessa caminhada e vou procurar utilizar em outras atividades em minha vida.
Em terceiro lugar ter paciência e planejamento, minha diferença de postura era nítida nessa caminhada, eu não estava mais impaciente, afoito e desorientado em termos de reconhecer meus limites. Dessa vez eu pude ser mais analítico, capoeira e observar mais uma forma de solucionar os problemas sem o uso da força. Eu fui fazer a rota com o mestre, estudei os mapas, coisa que na outra caminhada não fiz e que representa atitude de liderança. Outro ponto que observei é o planejamento, a cada rio na viajem o mestre tinha um plano para se atravessar e isso me ensinou bastante, pois tudo ocorreu bem mesmo tendo 11 pessoas nessa caminhada, as únicas horas que poderiam não ter sucesso foi justamente porque as pessoas não reconheceram suas limitações e traçaram formas de contornar estas.
Por fim, esse ouricuri foi muito produtivo para mim, pude trabalhar tudo que eu tinha proposto antes da viajem, tive uma mudança significativa de postura ao concluir o trajeto mesmo sem condições de andar direito. Agora em casa já procuro modificar comportamentos moleculares que sei que resultam numa mudança de escala molar. Mesmo tendo pessoas que facilitam as atividades para mim, estou procurando realizá-las, para que em outros ambientes eu não fique acomodado. O ultimo ponto é que só de eu estar fazendo esse relatório dentro do prazo, para mim já é uma grande mudança. Obrigado a todos os Caiçaras que estiveram comigo nesse processo e gostaria de falar um pouco de cada um antes de concluir esse relatório.
Arthur Paredes eu não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas o pouco de tempo que esteve presente se mostrou um cara calmo, analítico e prestativo. Ao Cícero eu construí uma grande admiração, onde mesmo tendo limitações visíveis, aceitou o desafio coisa que muitos nem isso tiveram coragem e foi ate seu limite físico, Cícero isso é característica, a meu ver, de pessoas significantes e diferenciadas.
O Rafael eu conheço bastante já de outras atividades no grupo, ele é um dos sujeitos mais guerreiros que eu conheço, acho suas característica bem parecidas com as do Gerson, para mim foi um baque sua desistência, mas por conhecê-lo sei que foi algo inevitável. Lucas Fittipald, sempre nas minhas situações mais difíceis da caminhada ele estava do lado dando força. Quem o conhece logo ver suas características de pessoa disposta e acostumada a ter uma postura de enfrentamento na vida. Na vinda já para casa ele me disse que eu fui sua inspiração na caminhada, aquilo me deixou bem feliz e digo que sem a imagem dele, do outro Lucas e do Lewilson eu não teria tanta coragem e perseverança.
O Lucas e o Lewilson foram às figuras da caminhada, são sinais de pessoas perseverantes e disciplinadas com o que se propõem mesmo com o pé cheio de bolhas e com a falta de experiências em outras atividades que exijam do sujeito uma atitude de enfretamento, eles chegaram ate o final. Obrigado aos dois pelas reflexões e descontrações na barraca.
Os iron-mans, Guilherme, Igor e Fernando estão de parabéns pela forma física e acima de tudo pelas ajudas prestadas constantemente ao grupo como todo. Deram-me bastante inspiração nessa caminhada, onde sempre com o astral alto procuravam animar o grupo. Tive a oportunidade de conhecer o Igor, um cara com um potencial enorme, e que mostra que se realizar as escolhas certas, vai crescer bastante na vida, espero cultivar uma amizade com ele. Guilherme e Fernando são parceiros antigos e essa caminhada só fez aumentar os laços que eu tinha com eles, juntos, nós iremos crescer bastante no grupo caiçara.
Já o mestre, eu não tenho muito que falar somente que devo muito do meu crescimento nesses dois anos a ele, gostaria de agradecer a sua paciência em relação a minhas limitações, que muitas vezes o prejudica de forma direta, espero manter nossa amizade por muito tempo.
Por fim obrigado a todos os membros Caiçaras que estiveram na torcida por essa nossa empreitada, vamos crescer mais e mais nessa vida, outros eventos virão e digo que são esses momentos na vida que vale à pena. Ate o batizado!

Maceió, Julho de 2011
Rodrigo Gluck

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rodrigo Gluck


Relatório da Caminhada Foz São Francisco

Assim que entrei no grupo caiçara já era comum os membros falarem em um tal de ouricuri, mas do que se trata isso? O que tanto essas pessoas falam? Isso eram questões que constantemente eu me perguntava. Com um tempo fui sendo atualizado pelo grupo sobre as atividades que a cada seis meses eram realizadas com o intuito de causar reflexão e superação nos integrantes, onde por meio de situações difíceis e mortificadoras os participantes eram capazes de realizar reflexões acerca de suas vidas. Eu pensava cuidadosamente em participar, primeiramente sempre fui curioso e competitivo e ao saber que alguns corajosos tinham passados alguns dias em uma mata fechada já me deixaram bem ansioso em relação a essas atividades.

Meu sangue sempre ferveu diante de adversidades, isso ao longo da vida já me trouxe tanto benefícios como malefícios e digo claramente que o lado negativo foi ate maior nesse processo, mas ao me inserir em um grupo como o caiçara que prega o crescimento pessoal dentro de um grupo, fiquei com uma enorme vontade de participar de um processo como este. O crescimento pessoal diante de uma sociedade alienada e acomodada é vistas como um objetivo nesse processo de ouricuri, e também uma melhor interação com os membros do grupo, sendo assim, essa proposta coube perfeitamente em meus objetivos.

O mestre Tamuia dês de cedo avisou também sobre a necessidade dos interessados em se preparar fisicamente, pois tal percurso foi concluído por poucas pessoas, eu me envergonho ate hoje pela minha atitude tomada naquele tempo. Para a minha pessoa tudo aquilo não passava de uma brincadeira, sempre que o mestre perguntava quem iria à caminhada, eu levantava as mãos e afirmava, com um tempo avaliei que minha confirmação tinha virado em certeza, e pela minha concepção, agora era dever meu participar deste processo.

Por conta de minha negligencia em relação ao meu físico, eu paguei caro nessa caminhada, o mestre alertou constantemente sobre a preparação física com objetivo nessa caminhada. Por eu acreditar em uma visão monista do hoje, sei que por mais que uma pessoa possua uma estrutura de resistência e um mente forte. Nosso corpo e mente, são interligados e se um conjunto não esta funcionando o todo falha. Pude compreender essa teoria muito bem nessa caminhada, pois no primeiro dia já estava todo lesionado.

Vale ainda ressaltar dois fatores que pesaram bastante nessa caminha, o peso das mochilas e a areia da praia, confesso que não estava preparado para o peso de minha mochila, por conta disso as lesões apareceram rapidamente. Acho que nessa caminhada sentir uma dor inédita, aconteceu quando eu estava carregando a mochila do mestre, que pesava em torno de uns trinta e cinco kg, nessa tarefa minha perna sentiu vários choques, e até hoje nenhum medico conseguiu explicar esse fato. Já a areia da praia, era um verdadeiro teste psicológico, onde nossos passos se limitavam e a irritação aparecia. Nossa sorte é que nos livramos do sol, outro fator que iria pesar bastante nessa caminhada.

Fora a questão do preparo físico, outra coisa que pude trabalhar nessa caminhada foi à confiança, tanto em relação dos outros em quanto a minha pessoa, como minha própria confiança. Teve dois episódios que marcaram bastante comigo nessa caminhada, a primeira, foi meu tio indo de carro até a estrada da barra para me buscar, isso me irritou bastante, pois a confiança da minha família em relação a essa minha tarefa era zero. A segunda foi ainda pior, onde o mestre e o restante dos companheiros caiçaras, por observarem meu estado físico ficavam duvidando constantemente de minhas condições, depois de um lava roupa, trouxe essa questão e recebi o apoio dos companheiros.

Eu só tenho a agradecer ao mestre e todos os guerreiros que participaram dessa empreitada que poucos conseguiram, onde rios foram atravessados a nado, e longas caminhadas foram feitas. Obrigado Fernando, Arthur, e Rafael e Gerson pela companhia nessa experiência que só somou em minha vida.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tamuia


Relatório do Ouricuri Caiçara 2011.1


Introdução

Durante séculos indígenas de tronco lingüístico macro-jê e macro-tupi procuram estabelecer sua reflexão existencial a partir de um contato próximo com a natureza. Esses grupos no Nordeste brasileiro costumam ainda hoje se afastar por determinados períodos do ano e morar na mata. Constroem então casas cobertas com palha de palmeira pindoba e ouricuri e por essa razão esse momento de reflexão muitas vezes é chamado de ouricuri, fazendo referência às folhas das palmeiras.

O processo civilizatório estabelece uma nova forma do homem lidar com a realidade. Compreendemos que a cultura se constrói a partir da interação do homem com o ambiente para daí construir sua subsistência. Como as cidades oferecem novas formas de interação do homem com o ambiente, julgamos importante o contato temporário do homem com um ambiente menos artificial que os das cidades. Ouricuri, portanto, além de representar uma tradição antiga é um momento de encontro, aprendizagem e superação do homem frente às adversidades que encontramos para nos mantermos vivos.

O Grupo Caiçara vem desde o seu nascimento realizando 2 ouricuris anuais como oportunidade reflexiva para seus integrantes. Um encontro ocorre próximo do solstício de verão e o outro no solstício de inverno. O ouricuri da chuva geralmente envolve uma longa caminhada, mas o ouricuri do sol geralmente ocorre num ambiente de mata fechada. Este relatório descreve o ultimo ouricuri do sol que ocorreu nas matas da Serra do Ouro, localizada no município alagoano de Murici.

Preparação

O ouricuri na Serra do Ouro já se processa há vários anos e por este motivo havíamos decidido que seria melhor efetuarmos este ouricuri na Serra da Nacéia que fica localizada entre os municípios alagoanos de Atalaia e Boca da Mata. A Serra da Nacéia é a mais alta de Alagoas e dela, apesar de estar localizada na zona da mata, podemos enxergar o mar. Todavia, a área estava muito desmatada, havia muitas habitações nas encostas da serra e a água era escassa e suja. Como tínhamos previsão de mais de 25 pessoas participando deste momento, muitas delas pela primeira vez, julgamos que seria inadequado levarmos um contingente tão elevado e despreparado para um lugar inóspito como aquele. Um grupo preparado certamente não teria dificuldades, mas não era o caso deste momento em que vários caiçaras participavam pela primeira vez.

Mudamos então para um local já bem conhecido nosso: Serra do Ouro. Seria mais seguro, pois os recursos necessários ao nosso estabelecimento no local por vários dias seriam garantidos. Assim, o Severino fez uma inspeção antes no local marcamos nosso evento para o dia 25 de janeiro de 2011.

Primeiro Dia – A Partida e o Novo Hotel

Nosso primeiro dia é um corre-corre para todos, arrumação das malas e verificação dos equipamentos. Partimos de Maceió no final da tarde. Todos foram para a Polícia Rodoviária Federal e eu fui providenciar o transporte. Em contato por telefone fiquei sabendo que Thássia, Arthur e Rodrigo ainda não tinham chegado no horário marcado, por essa razão tive que atrasar. Pois, o motorista da van já possuía passageiros e não poderia esperar beirando a pista. Quando fui informado da chegada deles parti imediatamente. Saímos no final da tarde e chegamos em Murici próximo do entardecer.

Marcamos para jantar juntos as 19:30 e liberamos todos para que pudessem conhecer a cidade. Nesse momento o Cícero Adriano (Havião), conhecido posteriormente como Zapata, chegou e uniu-se a mim e ao Severino. Fomos dar uma volta na cidade e quando retornamos o Marcos, o Raul e outros estavam comendo antes dos outros. Então mudamos um pouco a programação e acabamos liberando a alimentação para todos.

Ao final da refeição nos reunimos na frente do Novo Hotel, que era o local que iríamos passar a noite. Demos as instruções gerais e frisamos a necessidade de unidade e respeito no grupo. Fomos dormir em seguida, mas o sono demorou a chegar.

Segundo Dia – Longa Caminhada e Montagem do Acampamento 

No dia 26 de janeiro saímos do Novo Hotel um pouco mais das 03h:00min da madrugada. Andamos, andamos e andamos, 20km no total. Carregávamos peso, o percurso era íngreme em sua maior parte, mas mesmo assim fizemos o percurso com uma média de 4km por hora. Fizemos algumas paradas e por isso chegamos ao local um pouco mais de 09h:00min da manhã. Após descansarmos enquanto comíamos uma jaca partimos para o local definitivo de nosso ouricuri.

Eu, Severino e o Fernando fizemos essa inspeção e ficamos no local dos antigos ouricuris. Voltamos em seguida com o grupo que estava nos esperando um pouco mais acima e começamos a construção de nossas cabanas. Nos dividimos em três grupos. Eu fiquei com um, Severino com outro e o Fernando com o terceiro. Durante as construções enquanto ainda estávamos ocupados com a parte estrutural da cabana o Severino mandou seu grupo coletar todas as palhas de palmeira que estavam próximas. Isso deixou os demais grupos com uma dificuldade, pois precisavam caminhar mais para conseguir as palhas.

Como todos estavam bastante fatigados decidi unir o grupo do Fernando ao meu e para isso precisamos ampliar ainda mais a cabana. Isso nos consumiu mais tempo e recursos. Chegamos ao final do dia e ainda não tínhamos coberto totalmente nossa cabana. Mandei então que alguns fossem ajudar o Severino para que tivéssemos pelo menos uma barraca coberta durante a noite.

A barraca do Severino foi concluída e isso ajudou muito pois choveu bastante durante a noite. Mesmo assim o Douglas, Rodrigo, Fernando e Jonathas preferiram dormir na barraca que ainda não havia sido concluída.

Terceiro Dia – As Desistências e a Bonança

No dia anterior o Henrique Cahe, o Arthur e o Marcos passaram muito mal devido o esforço excessivo. Os outros também estavam bastante desolados com exceção das meninas e dos rapazes que já haviam passado pela empreitada em outros momentos. Assim, desistiram de continuar o Cícero Adriano que passou mal do estomago, o Marcos Prochazca, o Henrique Cahe e o Raphael Lessa. O João precisou retornar pois conforme relato do mesmo tinha atividades profissionais. Ficaram no grupo para continuar o ouricuri o Arthur, Rodrigo, Guilherme, Raul, Severino, Jonathas, Douglas Julião, Fernando, Thássia, Nathany, Isvania, Leilane e eu.

Nesse dia terminamos de concluir as barracas e cuidamos de nossas provisões. Tudo começou a ficar calmo e estávamos prontos para nossas reflexões. Passamos então a planejar os demais dias. Já era quinta-feira e precisávamos focar nossas ações. Durante a noite conversamos sobre a necessidade de sermos honestos com nós mesmos e definirmos as decisões de nossas vidas. O discurso girou em torno do fato de que as pessoas que não são honestas consigo não conseguem força e perseverança.

Um episódio marcante deste dia foi uma brincadeira de mal gosto que tirei com meu amigo Havião e que me deixou muito mal durante todo o resto do acampamento.


Quarto Dia – Descanso Merecido

No quarto dia, fizemos tudo muito devagar e com muito relaxamento. Apenas no final da tarde começamos a fabricar arcos, bodoques, sarabatanas e flautas. Comemos durante a noite fazendo mais reflexões e nos preparando para o dia seguinte em que faríamos uma longa caminhada pela mata. Aconteceu que a Nathany precisou retornar neste dia pois recebeu comunicado do falecimento de sua prima que já estava doente no hospital. O Douglas Julião acompanhou ela até uma parte do caminho onde ela conseguiu uma carona.

Quinto Dia – Caminhada pela Mata e Construção de Armadilhas

No quinto dia, sábado, deixamos a Leilane e o Fernando preparando nosso almoço enquanto nós entramos mata adentro em direção norte. Subimos a serra pela mata e chegamos na Estação Serra do Ouro da UFAL. Tiramos fotos, falamos com os responsáveis e começamos nosso retorno.
Quando chegamos no local o almoço já estava pronto. Comemos, descansamos, cantamos e começamos a trabalhar nas armadilhas.

Ensinei a turma a fazer algumas armadilhas utilizando o próprio material da mata. Trabalhamos com armadilhas de laço, aratanha. Discutimos sobre a fabricação das armadilhas e finalizamos nossas atividades com nossa ida ao banho diário. Durante a noite fizemos nossa reflexão final e nos preparamos para sair no dia seguinte.

Fomos dormir e estávamos todos concordando que seis dias juntos passaram muito rápido.

Sexto Dia – O Retorno

Acordamos cedo e queimamos todo material que havia ficado e não era biodegradável. Começamos a caminhada e quando chegamos na parte plana pegamos uma carona num caminhão. Ao chegar na entrada de Murici comemos todos no Restaurante da Vovó. Tomamos sorvete e pegamos uma vã. Descemos todos no Macro, com exceção da Leilane e do Jonathas que tiveram que descer antes.

Considerações Finais

Momentos como este são de máxima importância, pois além de testarmos nossos limites, aprendemos a conviver com as pessoas em seu aspecto mais verdadeiro. Aprendemos muito e formamos laços que não são desfeitos com tanta facilidade. Esperamos que todos que participam possam sentir em toda plenitude a riqueza deste momento de reflexão.