terça-feira, 3 de abril de 2012

Jonathan Nascimento


Ouricuri 2012 (Barra de Santo Antônio)

Salve capoeira! Salve Mestre!! É assim que começo este relatório, reverenciando aqueles que merecem meu respeito e agradecendo aos mesmos pelos momentos proporcionados antes e durante a este acampamento e com certeza pelas varias caminhas que ainda estão por vir ao longo de nossas vidas.
Gostaria de salientar, antes de mais nada, sobre uma reflexão existente ainda na Serra do ouro, no Ouricuri anterior, em 2011, onde eu havia me comprometido, a participar de todos os outros eventos realizados pelo Mestre e pelo grupo, pois foi a partir desse evento que pude me sentir como de fato sou, um verdadeiro Caiçara! Contudo o ano passou, eventos aconteceram e eu não me fiz presente. Confesso a todos, que isto me incomodou e causou até um pouco de constrangimento, principalmente em relação ao Mestre, pois eu imaginava que ele pudesse pensar que tal fato aconteceria pelo desdenho que eu poderia ter com o grupo.
O ano passou, um novo Ouricuri estava se aproximando e a possibilidade de eu me fazer presente era a mesma em relação as atividades anteriores, quase nenhuma! Isto pelo fato de eu não conseguir manter um cronograma adequado das tarefas que desejava realizar, por não ser disciplinado o suficiente para cumprir com as metas pré estabelecidas e diria até por ser irresponsável e inconsequente com as tarefas do meu dia a dia, gerando uma bola de neve em minha vida que atropela todo esboço, mau elaborado, dos planejamentos criados. Daí o porque eu não conseguir cumprir com os objetivos antes estabelecidos.
Contudo, consciente do processo existente no Ouricuri, me esforcei sobremaneira para me fazer presente neste encontro e consegui, meio que de última hora, mais consegui e desta vez disposto a entender melhor o porque destes comportamentos, aqui citados, serem tão disfuncionais e a partir daí alterá-los de forma eficaz. Foi desta forma que me dispus a participar deste Ouricuri na Barra de Santo Antônio.
Na manhã do dia 13 cheguei logo a frente do local determinado e me encontrei com o motorista da Van. Ao avistarmos o pessoal nos dirigimos ao encontro da turma que ali já se encontrava e lá estavam: Rodrigo, Fernando, Lucas (Fits), Lucas (Ufal) e Léo. Os minutos foram passando, o dia foi clareando e os caiçaras ao poucos iam chegando. Prontos para partir, entramos na Van e logo dá-se início a nossa partida.
A viagem até o local determinado da parada foi bem tranquila. Ao chegarmos compartilhamos um pouco de pão comprado pelo Severo e ouvimos um pouco da fala do Mestre. Iniciamos a nossa caminhada pela areia da praia e seguimos rumo ao local especifico do nosso acampamento. Porém, confesso que comparado ao anterior não fiquei tão ansioso, pois já imaginava que não haveria uma caminhada tão exaustiva fisicamente como a existente na Serra do Ouro, e realmente em relação ao esforço físico não fomos tão exigidos, afirmo isso não só pela caminha mais também na arrumação das barracas. Foi algo bem tranquilo. Acredito que tal fato tenha se dado também, pela coesão da nossa equipe que foi em sua maioria a mesma do ouricuri anterior, composta por: mim, Severo, Nathany, Isvânia, e com o acréscimo de Igor (coveiro) e posteriormente Fernanda.
No dia seguinte, começamos a desfrutar já de um certo lazer no local. Os demais integrantes do acampamento estavam por terminar suas barracas, e nós, que já havíamos feito isso no dia anterior, só dávamos pequenos retoques na nossa e auxiliávamos nossos companheiros quando necessário. Eu, em um dos breves auxílios na cozinha, me propus a cortar a rapadura para colocar no café que o Fernando estava preparando. O resultado disso foi três pontos que acabei recebendo no polegar esquerdo do meu líder Severo, pois em um breve descuido acabei me cortando, mas como aprendi: “tudo é o medo”! Vale ressaltar e agradecer, que enquanto o Severo prontamente me socorria eu fui altamente reforçado pelas meninas que ali estavam presentes pois passei a ser o centro das atenções. Obrigado meninas!!
Tirando esse breve incidente o dia foi concluído de maneira muito boa e tranquila. A noite chegou, era sábado, e enfim, comecei a refletir de maneira mais intensa sobre os comportamentos que havia proposto alterar nesta jornada. Acabado o momento de reflexão fomos cada um pra sua barraca e lá conseguimos de maneira que não conseguíamos durante o dia descontrair de maneira bem legal com todos. Principalmente porque nessa noite tivemos a visita de três companheiros em nossa barraca: Fernando, Rodrigo e Léo e a diversão rolou souta.
O domingo de manhã chegou e com ele uma certa expectativa. Severo estava prestes a partir e Rafael a qualquer momento iria chegar. A coincidência se deu de tal forma que na partida de Severo, Rafael chega exatamente na mesma hora. Foi um momento triste onde um líder estava saindo mas, foi também um momento onde um outro líder estava chegando. A tristeza pela partida de um e a satisfação da chegada de outro, o qual ambos aprendi a respeitar, principalmente o Severo pelo maior contato tido com ele já em dois Ouricuri, marcou o inicio daquele belo dia que estava por vir. O Mestre já havia proporcionado uma reflexão com o auxilio do Lucas (Ufal) e do Léo e agora estávamos prontos para assistirmos a morte e o preparo de duas galinhas que serviriam de nosso alimento nesse dia. Para isso algumas pessoas foram pré selecionadas pelo grupo para matar, tirar as penas e limpar as galinhas. Foram escolhidas Thaís e Amanda para matar as duas galinhas, Leilane e Fernanda para tirar suas penas e Liliane e Daniel para abrir e limpá-las. Foi uma experiência interessante observar a morte de dois animais que serviram de nosso alimento e saciaram nossa fome no meio da mata, até por que em meio ao nosso dia a dia eu nunca me dei conta de como o alimento ingerido por mim chega em minha mesa. Terminado essa parte, um grupo começou com o auxilio do Mestre a fazer arpões para pescar, enquanto outros tentavam fazer varas para pescar no bote. Eu fui tentar pescar siri com as teteias. Foi um fracasso!! Mais em meio a pesca fracassada pude compartilhar de um breve, mais proveitoso, papo com o Lucas (ufal), um cara muito inteligente. Não posso esquecer do Daniel que também foi um companheiro de pesca e foi tão mal como eu e o Lucas. Ah, a Fernanda ate que se propôs pescar conosco mas, desistiu antes de passar o constrangimento de não pegar nada feito eu, Lucas e Daniel. Por fim, o dia findou com a reflexão de sempre, só que dessa vez com um clima de despedida pois Eu, Lidiane e Fernando partiríamos no dia seguinte e esta seria nossa última noite com o grupo. Foi um momento maravilhoso! Lembro-me que a noite continuou e fomos para o começo da barreira e de lá observamos o surgir da lua, não me atrevo a dizer quem estava presente neste momento pois corro o risco de esquecer de alguém, mas aqueles que estavam talvez concordem com o que penso hoje lembrando-me deste episodio: “obrigado Mestre por nos proporcionar a oportunidade de vivenciar este ouricuri”.
O dia mais temido chegou. O dia da minha partida antecipada. Foi um dia muito bom e proveitoso, caminhamos pela mata com a orientação do Mestre, conversamos, descontraímos, enfim, foi bom, mas confesso que em meio aos bons momentos eu estava tenso em saber que o momento da partida se aproximava. Após o almoço chegou a hora da partida, todos foram ver nossa despedida e algo que ficou bem esclarecido foi o motivo de nossa ida. Partimos por compromissos profissionais que impossibilitavam nossa permanência. Foi muito complicado distanciar-se do local do acampamento e saber que companheiros que convivemos continuariam o processo do ouricuri. A caminhada foi longa mas, fácil e tranquila. Ao chegarmos na cidade da Barra de Santo Antônio logo pegamos um ônibus e partimos para maceió. Fernando e Liliane desceram primeiro do ônibus e logo em seguida eu desci no ponto do shopping. Parecia que a recepção que me aguardava após minha chegada havia sido programada para mim, pois aguardei 50min por uma condução para minha casa e depois um transito de me custaram em torno de 3:00 horas até minha casa. O Choque de realidade foi inevitável. De um acampamento com uma paisagem paradisíaca ate a tão conturbada cidade grande e seus engarrafamentos!
O fim do ouricuri se deu com todos os companheiros na pizzaria Nicole. Lá tive a seguinte impressão: “agora sim o acampamento acabou”. Mais pude perceber logo em seguida que o acampamento havia sim, acabado ali, só que cerimonialmente. Pois a cada foto, a cada frase relatada, a cada lembrança recordada, percebo quão vívido e profundo permanece em mim a experiência de ter participado, daquilo que meus tolos colegas de trabalho e faculdade chamam de loucura, mas que para mim se tratou do evento que orgulhosamente chamo de ouricuri.