terça-feira, 8 de março de 2011

Nathany


Nathany Cavalcante Alves de Queiroz

Dia 28/01/2011
                                                                                                                                                                                             Escrevo triste esse meu relatório, pois devido a uma fatalidade não pude concluir o acampamento. Queria antes de tudo pedir desculpa, mas foi uma perda imensa tive.
Pois bem vamos iniciar, meu acampamento começou muito antes, com o pessoal de palmeira (Douglas e Fernanda), combinando detalhes e um incentivando o outros a não cogitar nem a possibilidade de desistência. Tinha combinado com minha prima que iria passar minhas férias com ela em Maceió, pois tava paquerando um carinha e queria vê-lo novamente.Minha preparação a respeito do acampamento tinha uma batalha que eu precisa vencer e essa era bem difícil, minha família permitir minha ida, foi brigas e brigas era ferro e fogo, mas como eu tinha marcado de ir a Maceió eles iam q acabar esquecendo, como não foi o caso mais eu já estava longe mesmo! (rsrs).
‘Já em Maceió tava com minha família toda reunida e recebemos a noticia que minha prima estava na UTI de uma hospital em um estado gravíssimo onde os médicos estavam dando a ela somente algumas horas de vida,eu surtei mesmo fazia uns dias que tinha estado com ela combinando nossas férias em Maceió, nos apressamos e seguimos para o hospital onde ela estava internada.Eu estava muito nervosa, quando chegamos ao hospital e nos deparamos com aquela situação toda,decidi ficar em Maceió auxiliando minha primas,revezando hospital entre outras coisas. Com o passar dos dias os médicas nos animava um pouco mesmo que depois nos arrancasse  nossa esperança.Com a melhora dela e como eu tava com muita vontade de ir ao acampamento não sei se como uma forma de fugir de toda aquela situação, sendo muitas vezes estimulada pelo nossa querido Mestre Gérson ,desista logo que eu sei que  você não vai aguentar,e e claro que eu não iria desistir sou forte \o/ sou igaciense rapaz...
Com o auxílio do meu amigo Douglas, que me ajudou muito na minha preparação onde estávamos sempre nos comunicamos,marcou de nos encontrar em Arapiraca pra comprar uns materiais que seria útil. Não se é assim o relatório ou se eu viajo muito e que eu falo demais e conseqüentemente aprendi a escrever demais ( e assim na Ufal palmeira se você escreve pouco acham que você nada Sab, brincadeirinha).Quando cheguei em casa com minhas coisas(corda,sisal,faca entre outros) minha linda  Vó entregou pra meu tio pois pensou que alguém estava planejando um sequestro,pense na confusão que deu isto,pois quando fui pedir minhas coisas a meu tio ele me disse um monte a palavra mais simples que ele usou foi Maluca, e me apelidou de Selva, minha família e bem criativa. Voltando formos para o ponto de encontro eu, Douglas e o Fernando onde ambos juntamente com o senhor taxista por sinal muito educado falando que mulher no volante e perigo constante, engraçadinhos ele quando eu tirar minha carteira vou convidar eles pra dar um role.
Logo estava lá a galera de Palmeira  Marcos,Raul,Isvania( que faz psicologia não serviço social como eu pensava) e Leilane, depois chegou o Henrique e depois de um tempo formos nos reunir com o restante do pessoal que se localizava em um lugar próximo dali.Esperamos lá em um ambiente estilo novela da globo, maravilhoso com um cheirinhoo ohhh esplendido!.Depois de todos reunidos esperamos o mestre que logo chegou e seguimos rumo a Murici.
Ao chegar no hotel,houve a parada para a foto e logo foi realizada a divisão dos quartos,quando nos estabelecemos decidimos dar uma voltinhas nas ruas movimentadas de Murici,ficamos em uma praça conversando um pouco onde surgiu um enorme questionamento sobre um grupo de aves que por ali passeava se eram patos ou gansos e antes que perguntem eram gansos.  Já no hotel nos reunimos para  jantar,ao termino o mestre nos deu um tempinho para se organizar pois logo teríamos uma reunião, onde o mestre explicou os últimos detalhes do acampamento e o grupo era novo muita gente não se conhecia então nos apresentamos! No quarto com a Isvânia, Thássia e Shitara, foi bem divertido conversarmos muito.Acordamos as 2:30 para nos organizar,pois a saída estava marcada de 3:00,logo o mestre já batia a porta.
Saímos 10 minutinhos atrasados ,no caminho todo mundo animado,logo estávamos na estrada da barro que iria dar ao nosso destino,logo o grupo de dividiu uma galera seguiu na frente com um ritmo mais forte ,eu fiquei no outro grupo mais atrás pois acho que levei coisas desnecessárias minha mochila pesava um bocado, no próximo vou diminuir muitas coisas.
Já não se via mais Murici ela estava ficando lá longe,íamos andando e observando o sol surgindo e conversando.Nossa primeira parada foi em uma Mangueira onde sentamos outros deitaram comemos frutas bebemos água,no meu caso me livrei da minha mochila por uns minutos!Logo saímos pois ainda tinha muito caminho pela frente e no meio do caminho tinha uma curva,tinha uma curva no meio do caminho.(rsrs)
Passamos em um local que o mestre disse que tinha um banho muito bom,e ele estava certíssimo que banho maravilhoso,água bem geladinha passava ate a dor do corpo. Quando todos nos refrescamos seguimos novamente nosso caminho, pois muito ainda faltava,quando chegamos a um local onde seria o acampamento paramos para descansar um pouco e os mais experientes foram olhar o local e a água ,porém a água  não era boa tinha um gosto ruim no final e ficou decidido que iríamos ficar onde tinha sido o acampamento anterior.
Enquanto isso o Senhor Arthur fazia uma rinha de formigas assassinas ate que um certo alguém de quem não precisa ser citado o nome assoprou e acabou a farra das formigas! Neste mesmo local foram sorteados os grupos,eu fiquei no grupo do Fernando com o Raul,Marcos,Thássia e o Henrrique.Assim que chegamos começamos com a construção da nossa dormida,porém não notamos que ali tinhas uns moradores us parentes próximos dos maribondo. Porém devido ao tempo o nosso grupo se uniu ao grupo do mestre.
Devido ao tempo e medo da chuva o mestre mandou eu e as outras meninas ajudarmos na construção da coberta da barraca do Severo,quando a barraca ficou pronta nos reunimos para comer e logo ela chegou a chuva.Acabamos dormindo todos de inicio apertados entre o chão e as redes O Rodrigo me chamou e eu fui terminar a noite na rede que ele estava e ele com outros meninos foram pra nossa cabana mesmo que ainda não concluída. Acordamos cedinho só umas 3:30 da manha com o Severo contado para Isvânia toda a sua história de vida (brincadeirinha). Iniciamos o café pois tínhamos muito a que fazer para a conclusão da cabana. Um pessoal inclusive eu saímos para tomar banho acho ate que foi lá que aqueles benditos carrapatos me pegaram, eu trouxe ate uns aqui pro Igaci .O Fernando ficou fazendo o almoço até que tava muito bom,mais tínhamos muita coisa ainda para fazer,como procurar folha de Palmeira Pindoba não Ouricuri. Todos trabalhamos na cabana , e quando o Severo foi fazer a fogueira fui auxiliá-lo , no preparo do jantar.Comecei tentando organizar um pouco e fazer uma mini cozinha e começamos o preparo do jantar e conversamos muitooo muito mesmo, descobri ate a que a irmã dele trabalha no fórum com o meu tio. Quando o pessoal chegou o jantar estava servido(rsrs), recebemos muitos parabéns e ainda ganhei uma colher de bambu  com o meu nome nela, esta guardada aqui em casa. Depois do jantar nos reunimos para o primeiro momento de reflexão onde o mestre perguntou sobre o que achávamos ate aquele momento como estava sendo o acampamento todos falamos e no final eu li o relatório do nosso companheiro havião que teve que ir embora mais cedo do acampamento juntamente com o Marcos que por uma fatalidade perdeu o óculos( ou como eu acho o saci pegou), e o João. Eu fiquei na barraca do severo, com Isvânia, Jonathan, Guilherme e Raul ficamos conversando Jonathan nos contou sobre suas experiências amorosas nossa barraca era ate proibida para menores de 18 anos (rsrsrs) e não posso esquecer do que nosso companheiro Guilherme disse incentivando  Jonathan a prender uma mulher em um cativeiro para que assim ela se apaixona-se por ele...tou brincando Guilherme , na verdade estávamos falando de psicologia jurídica e foi citado por ele sobre uma síndrome onde a vitima se apaixona pelo seqüestrador . Logo o sono nos pegouu...
No outro dia acordei cedo e com o Jonathan , Raul e Douglas décimos e tomar banho e pegar água, foi quando descemos eu estava muito preocupada com minha prima e liguei meu celular foi quando recebi a noticia de seu falecimento. Subi juntamente com o Douglas para pegar minha mochila e ir pra o Igaci ,quando chegamos no local do acampamento o Douglas comunicou o que tinha ocorrido e eu só pensava em ir logo pra casa.Arrumei minhas coisas recebi o carinho de todos vocês agradeço muito mesmo, um sorriso mesmo triste q eu recebi obrigado!
Com o Douglas fui rumo a Murici,no caminho senti muitas dores abdominais muito forte o Douglas foi muito paciente  comigo, foi quando chegamos em uma casa pedi ajuda para tomar um banho e trocar de roupa, formos muito bem atendidos a dona da casa morava em Maceió esta sendo ate uma Psicóloga e o marido dele me levou ate onde eu pegaria a besta pra Maceió.Ao chegar em Maceió fui para Arapiraca quando na besta recebei uma noticia de que outro amigo meu tinha se afogado, fiquei mais nervosa do que já estava  com fortes dores abdominais foi quando cheguei em Igaci ,e consegui me despedi da minha prima!
Referente ao acampamento mesmo no pouco tempo que fiquei fiz amigos, tive uma experiência incrível, me considero uma pessoa forte, estarei nos próximos com uma certa experiência.
Salve Caiçaras

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fernando Godoi


Ouricuri Caiçara 2011
Serra do Ouro – Murici/AL
25.01.2011 a 30.01.2011

            O planejamento para o Ouricuri Caiçara começou cedo, o Mestre Tamuia (Gérson) juntamente com o Rodrigo, foram conhecer o território do nosso Ouricuri que de acordo com o planejado iria ser na Serra da Nacéia, mas por motivos de o local não esta dentro dos padrões para a realização do Ouricuri, o Mestre e o Severo (Severino) voltaram dias depois para o local e constataram que o local realmente não estava em condições de receber o grupo que ali estava confirmado. Reuniões foram feitas para decidir qual o local de nosso Ouricuri, algumas sugestões foram dada, mas pelo grupo ser em sua maioria sem experiências na mata, foi decidido melhor voltarmos a Serra do Ouro (local do Ouricuri 2010), pois alguns membros mais experientes (Mestre, Severo, João, Eu, Guilherme e Rafael) ajudariam no Ouricuri. Mas tínhamos um grupo de 18 pessoas no qual o Mestre e o Severo como os mais experientes puderam contar com os Tuxauas – denominação dada aos componentes que participaram de dois ou mais Ouricuri – João Arruda e Eu.
            No ano de 2010 participei de dois Ouricuri, a) Janeiro 2010: Serra do Ouro; b) Julho 2010: Caminhada ate a Foz do Rio São Francisco. Com isso por ter participado de dois acampamentos recebi a responsabilidade de ser um Tuxaua, e logo em um Ouricuri onde a maioria dos participantes eram sem experiência na mata. Portanto o Ouricuri teve um peso diferente para mim, pois estaria eu em uma posição de liderança diferentemente dos outros que participei.

O Início

            Para muitos o Ouricuri começou apenas no dia 25 de janeiro quando chegamos a Murici, para outros começou na madrugada do dia 26 de janeiro quando iniciamos nossa caminhada rumo a Serra do Ouro, mas para mim o acampamento começou bem antes, ate porque não poderia deixar de valorizar o trabalho de planejamento que já citei acima (mesmo que como um resumo). Também quando comecei a planejar para o Ouricuri, para mim o acampamento já tinha começado. Quando estava arrumando minha bagagem tirando da caixa todo o material utilizado no outro acampamento já me veio às lembranças e aquela vontade maior de voltar a participar do Ouricuri.

25.01.2011 – Destino Murici/AL

            No horário marcado nos encontramos próximo a Policia Rodoviária Federal, para nossa partida com destino a Murici. Tive a companhia de Douglas e Nathany ate o local marcado, chegando lá encontramos com o pessoal vindo de Palmeira dos Índios e Arapiraca (Marcos, Raul, Isvânia, Leilane “Shitara”), algum tempo depois chegou o Jonathan Henrique. Juntamos aos outros Caiçaras próximo ao ponto onde lá estavam Rafael, Severo. Contamos ainda com a presença importantíssima de Rubião, Rafael Cabral e Jocasta que não puderam ir para o acampamento, mas foram lá dar o apoio. Posteriormente chegaram Guilherme, Henrique “Caê”, Arthur, Thássia, Rodrigo e o Cícero (Zapata) informou que nos encontrava lá no hotel pois o mesmo estava de carro e ainda tinha um compromisso antes de chegar a Murici. Ficamos conversando e no aguardo do Mestre, onde o mesmo chegou já dentro da Van que iria nos levar ate a cidade de Murici. Gostaria de destacar um fato que ocorreu, segundo o Rubião, a mãe do Rafael teria pedido a ele que fizessem algo para que o cabelo do filho dela ficasse sujo, ou algo do tipo que quando o mesmo voltasse pudesse cortar o cabelo pois tinha passado no vestibular e não queria cortar o cabelo, como o Rubião não iria pro acampamento ele passou a missão para mim, eu ate brinquei na hora pode deixar Rubião comigo “missão dada é missão cumprida” uma brincadeira referente ao filme Tropa de Elite, mas infelizmente não contávamos que o Rafael fosse voltar tão cedo, então conseqüência foi:
Missão não cumprida, foi abortada por motivo de retorno antes do tempo previsto do elemento em questão.
            Chegamos à Murici no final da tarde, onde nos instalamos no Hotel. O Mestre liberou para que pudesses andar pela cidade, mas que as 19:00h  tivéssemos de volta no Hotel para o jantar e a reunião final antes da partida que aconteceria as 03:00h do dia 26.01.2011. Após o jantar fizemos nossa reunião (João Arruda chegou e juntou-se ao grupo) com as últimas instruções sobre o acampamento, nos apresentamos e foi ali o último momento para que as dúvidas fossem tiradas. Fui dormi pensando como seria o acampamento e sabendo da minha responsabilidade como um dos líderes. Dormi muito bem, creio que ao contrario de muitos companheiros que estavam nervosos e ansiosos com o que iriam encontrar.

26.01.2011 – Caminhada, trabalho e chuva forte na madrugada

            Acordamos 03:00h e partimos em direção a Serra do Ouro, como eu já conhecia o caminho para mim foi tranqüilo pois já tinha uma noção do que viria pela frente pudendo assim preparar não apenas fisicamente mas também psicologicamente. Foram horas caminhando durante uma média de 20Km, tivemos nossas paradas estratégicas, pudemos aproveitar um belo banho em uma das paradas e fora que a paisagem é muito bonita o que proporcionou várias fotos, registradas por mim e pelo Severo. Quando chegamos no local o Mestre, o Severo e Eu, fomos olhar o melhor local para nos instalarmos e decidimos pelo mesmo local do outro ano, “mesmo local” na verdade só em termo de localização pois a natureza esta em constante modificação e com isso sempre traçando novas experiências.
Dividimos os grupos e começamos à trabalhar, o que na verdade não é fácil, ate construirmos nossas barracas (não por completas) levou tempo e a noite chegou e tivemos que ficar todos na mesma barraca, o cansaço era nítido nos participantes. Um momento de tensão foi quando o Henrique “Caê” passou mal no final da tarde e a preocupação foi grande, então Eu e João Arruda nos disponibilizamos em ir ate a cidade no objetivo de pegar o carro para que o “Caê” pudesse voltar para casa devido às condições que o mesmo encontrava-se, levou algumas horas e não foi fácil de completar esse objetivo ate porque estávamos cansados devido ao dia longo que tivemos mais ainda tínhamos uma energia para que pudéssemos ajudar nosso companheiro que estava ali precisando de uma ajudar maior. Felizmente quando retornamos ao acampamento o companheiro estava muito melhor e não retornou naquele dia, decidiu agüentar mais uma noite e retorna no dia seguinte juntamente com outros companheiros que viria a desistir e com os que já tinham seu retorno programado naquela data. O Henrique ate que queria voltar mesmo já estando bem só pelo nosso esforço, mas conversamos e ele ficou mais aquela noite. O mestre ainda brincou fazendo referência a minha cara de espanto quando cheguei e disse: “Vamos? O João está no carro esperando”. E descobri que ele não iria voltar mais, parecia que nosso esforço tinha sido em vão, mas felizmente ele se recuperou e todos entenderam que o susto inicial pela situação não tinha nada em relação ao “Caê”, mas a brincadeira tomou conta e todos nós comemos algo antes de ir dormir, pois não deu tempo de cozinhar nada devido ao esforço do dia. Durante a noite a chuva foi muito forte e duradoura o que fez para algumas pessoas uma noite tensa e desconfortável, como eu já tinha passado por uma experiência dessa no outro acampamento não senti tanto como alguns em sua primeira vez na mata e levar logo esse susto.

27.01.2011 – Trabalho de recuperação

            O dia anterior não foi fácil, alguns companheiros passaram mal e a conseqüência foi à desistência, esses companheiros voltaram junto com outros que tinham avisado previamente seu retorno por motivos justificados.
            Após as partidas começamos nossas divisões de trabalhos para dar continuidade e enfim finalizar a tarefa do dia anterior das barracas, então um grupo foi pegar água e o restante ficou na reconstrução. Apesar do cansaço do dia anterior e da noite não tão boa, o trabalho foi muito bem executado, a barraca que estava no comando do Severo precisou de poucos ajustes para ficar boa e a barraca que tava o Mestre juntamente com meu grupo o esqueleto tava pronto faltava finalizar a coberta. Eu e Thássia ficamos na parte do teto por sermos os mais leves para a situação. Douglas se destacou com sua habilidade em dar nó. A turma da pesada formada por Rodrigo, Guilherme, Arthur, Jonathan Henrique, ficaram na responsabilidade de cortar os troncos para a fogueira. As meninas: Isvânia, Nathany e Leilane “Shitara”, mostraram uma garra e uma força nos trabalhos que ajudou bastante o grupo. O Mestre e o Severo sempre nos trabalhos e ajudando com suas experiências. Final da tarde, os trabalhos enfim concluídos, fui fazer minhas necessidades higiênicas e fisiológicas. A noite chegou, dessa vez mais tranqüila em relação a anterior, fizemos a janta por sinal muito boa (já estava com saudade do feijão com arroz) logo após nos reunirmos e tivemos nosso momento de reflexão o que é de suma importância para o objetivo do Ouricuri, pois, é através dele que podemos ver como esta o pessoal, o dia-dia para cada um e compreender como esta cada pessoa naquele momento. Antes de dormir as conversas são as melhores, momentos de descontração e animação, no qual podemos nos conhecer ainda mais.

28.01.2011 – Aprendendo com os recursos da própria mata

            O inicio foi tenso, devido à volta precoce da Nathany devido o falecimento de um parente, o Douglas acompanhou a mesma na volta ate um ponto onde ela pegou uma carona e retornou a cidade.
            Mas o dia nos reservava outras coisas, após dias de muito trabalho e cansaço na construção de nossas instalações, era hora de aprender a fabricar objetos com os recursos que o meio ali nos oferecia. O Mestre com sua experiência e sabedoria nos ensinou a fazer arcos, flechas, zarabatanas, conseguimos ate fazer colher no qual ajudou muito na hora de cozinhar e preparar a comida. O Severo ainda construiu uma flauta e um banco na lateral da barraca, tudo isso com o material base que tivemos no local o “bambu” que por sinal segundo o Mestre, ainda tem varias outras funções que ajuda em nossa sobrevivência. A tarde foi muito proveitosa, aprendemos ainda como fazer armadilhas. Mas tinha um companheiro que insistia em “caçar preá” com seu próprio jeito (essa expressão foi muito utilizada em nosso acampamento).
            Sempre no final da tarde íamos fazer nossas necessidades (salve que alguns companheiros (as) também faziam ao longo do dia). À noite jantamos e fizemos nossa reflexão, depois cantamos onde tivemos um destaque, o Guilherme, mostrou-se um excelente cantor, puxou várias músicas com o pandeiro que levamos e além das músicas de capoeira, uma música se destacou e considerados por muitos foi o hino do acampamento: “Voando como águia, voando alto. Dando voltas no universo, dando voltas lá no céu, com asas de luz, com asa de amor. Ai que taiaiai, ai que taiaiô”.

29.01.2011 – Um dia que passou muito rápido

            Ultimo dia nosso na mata, a convite feito na noite anterior pelo Mestre em nossa reflexão, o grupo foi conhecer a mata, desbravar mesmo o território que ali estávamos alguns dias. Mas enquanto o grupo foi para atividade de exploração do local, alguém tem que ficar e fazer o almoço. Como já conhecia a área me prontifiquei a ficar e cuidar da comida, como o Mestre e o Severo foram para a exploração e eu por ser um Tuxaua decidi ficar e cuidar da comida, Leilane “Shitara” estava com algumas bolhas nos dedos e preferiu ficar e cuidar do almoço. Foi de grande ajuda, pense em uma mulher de garra e que fez valer o apelido dado a ela. Dividimos as tarefas, quanto cuidava do fogo, ela preparava a comida com um tempero especial preparado por ela e sua avó, tudo estava sob controle, ate um “fogão de três bocas” eu consegui improvisar para adiantar o almoço. Mas a lenha acabou, e tive que cortar, o que não é muito minha área (força física), de acordo com as próprias palavras da “Shitara” em seu relatório, “Fernando tomava conta do fogo que com sua audácia fez um fogão de três bocas para adiantar, era preciso cortar mais lenha vi Fernando pálido com tamanho esforço e tentei ajudar, deu certo, pelo menos fez valer meu apelido de Shitara”.
            No horário da tarde continuamos a fabricar os instrumentos que tínhamos apreendidos no dia anterior, foi um dia bom mas que passou muito rápido. Então chegou a última noite nossa, ali no acampamento, o que para muitos que estão de fora, devem estar pensando “nossa, ainda bem que ta acabando já tava na hora de voltar para casa”, acredito que o sentimento de todos, era de saudade já do local que nós mesmos construímos e passamos momentos únicos, sei que a saudade de casa era fato para muitos dos bravos guerreiros que ali resistiram ate o final.

30.01.2011 – Saudade da mata e retorno pra casa

            Acordamos cedo, era dia de retorna para casa após uma grande experiência na mata que por sinal vai deixar uma grande saudade (mas por pouco tempo, afinal início do próximo ano terá outro Ouricuri, seja na Serra do Ouro ou em outra serra e/ou mata). Arrumamos nossa bagagem, reunimos tudo e procuramos sair o mais cedo possível para evitar o horário em que o sol estivesse mais forte. Enquanto arrumávamos as coisas, o pessoal liderado pelo Guilherme cantava e animava aqueles últimos momentos nossos ali na mata. De acordo com a nossa proposta de Ouricuri, levamos apenas o necessário, o que ficou em excesso tipo: sacolas, garrafas, produtos que demorariam muitos anos para a natureza decompor, fizemos nosso papel de cidadania e preservação do meio ambiente, queimamos tudo que ali viesse prejudicar o habitat natural. Na caminhada de volta, mais ou menos na metade do caminho, contamos com uma carona em um caminhão, o que ajudou bastante a volta para cidade de Murici. Chegando lá próximo da hora do almoço, decidimos almoçar em um restaurante e em seguida pegamos o transporte de volta para casa.

            Para mim, foi uma experiência que levarei para o resto de minha vida, é sempre bom ter essa oportunidade de poder estar junto com os Caiçaras nos Ouricuri, esse já é meu terceiro Ouricuri e a cada um sempre uma experiência nova. Esse foi especial por já ser um Tuxaua e ter carregado uma responsabilidade de liderança juntamente com o Mestre, o Severo e o João Arruda (que por outros motivos não pode ficar ate o final). Aprendi muitas coisas, há um ano tudo era muito novo pra mim hoje já estava no papel de Tuxaua e podendo compartilhar minhas experiências com os companheiros que ali estavam pela primeira vez, mas ao mesmo tempo estava sempre buscando aprender mais, buscar novos conhecimentos, e não se acomodar na posição de Tuxaua. O Ouricuri pra mim hoje é fundamental, no inicio do ano ir para a mata e no meio do ano a caminhada, pois são momentos raros e que me ajudam a construir minha história de vida. No início me incomodava o que muitos diziam minhas aventuras, me chamavam de louco, doido, maluco, coisa de gente que não tem o que fazer, mas hoje me sinto tranqüilo em relação às essas pessoas, pois como o Mestre sempre nos diz, prefiro ser ator da minha própria historia do que ficar sentado assistindo ela passar, muitos pensam em fazer algo, outros vão lá e fazem. E ate porque essas pessoas que falavam isso, hoje chegam pra perguntar como foi, procuram ver as fotos e vídeos e algumas ate dizem: “queria ter a vontade e disposição pra fazer o que vocês fazem”. Por fim, gostaria de parabenizar a todos que fizeram parte do Ouricuri, pela força de vontade, perseverança, luta contra seu próprio limite dia a dia e pelo espírito em equipe. Esse foi sem dúvida um dos melhores se não o melhor Ouricuri Caiçara realizado ate hoje, e que eu tive a grande oportunidade de participar, se eu pudesse resumir em uma palavra, ela seria sem dúvidas “UNIÃO”.

Salve!

Fernando Godoi