segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lewilson Fernandes



Relatório - Lewilson Fernandes da Silva

“[...] Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará (João do Vale/José Cândido)”.

O Ouricuri Caiçara caminhada Maceió-AL – Rio Persinunga-PE 2011 começou para mim desde inicio como algo muito grande, já que seria a maior aventura por mim realizada nesses 23 anos de vida. Concomitante com a preparação para essa aventura, eventos particulares ocorreram, dentre eles um momento de quase morte e conseqüentemente a decisão de parar de beber. Comentando sobre a caminhada com pessoas muito importantes para mim como meu pai, minha mãe e minha esposa me deram além de nenhum incentivo (exceto minha esposa), conselhos para desistir e que não conseguiria. Não tive como os culpar, visto que vim demonstrando esse comportamento de desistência e irresponsabilidade há muito tempo, vim perceber que estava perdendo algo muito difícil de conseguir e fácil de perder que é a confiança devido ao comportamento de alcoolista. Resolvido fazer a caminhada mesmo sem o preparo físico adequado, mas com uma meta de não desistir, aqui não preciso dizer que se era grande como aventura tornou-se maior como provação que outros comportamentos podem ser aprendidos, no meu caso de não desistência dentre outros.
Feito uma pequena introdução do momento anterior a caminhada, vamos então ao primeiro dia. Com saída de Arapiraca as 07h30min e chegada em Palmeira dos Índios por volta das 08h30min. Encontrei-me com o camarada Lucas Neves e feitos os últimos preparativos seguimos viajem para Maceió. Na praia da Pajuçara esperamos a reunião de todos os onze camaradas e depois da fala e de uns cânticos de capoeira pelo Mestre Gerson seguimos viajem, dentre os cânticos a música Fogo de Palha do mestre Fanho ecoou durante todo o percurso de minha caminhada.
Com uma pesada mochila, algumas inquietações e muita vontade de não desistir comecei a caminhar na areia de Maceió, sem muito desgaste físico, mas no fim do dia cansado principalmente pela areia fofa no decorrer do caminho. Dormimos depois de um excelente jantar não luxuoso, mas não menos saboroso que qualquer banquete. Nesse primeiro dia tive maior contato com os que já me eram conhecido, como os camaradas Lucas Neves, Cícero, Rodrigo e o Mestre Gerson.
  No segundo dia seguimos mais entrosados, tivemos momentos de brincadeira logo pela manhã com a travessia do guerreiro Cícero que mesmo sem muita habilidade em natação resolveu enfrentar o rio e consegui passar e seguir a caminhada. Tivemos nesse dia pela manhã a primeira desistência dos guerreiros Arthur pela manhã e logo na beira do Rio Santo Antônio Cícero. Nas águas do rio Santo Antônio passei por uma real possibilidade de afogamento, no qual ao chegar sua margem euforia e temeridade me seguiram por mais duas travessias. À noite ocorrido uma reflexão entre todos os companheiros agora bem mais próximos houve para mim uma diminuição de temeridade do rio que proporcionou maior tranqüilidade.
Terceiro dia os calos nos pé tornaram quase insuportável a caminhada, mas sem querer parecer melhor que ninguém suportaria mais dor, tanto que suportei, contudo sem as reflexões e a companhia de todos os camaradas teria desistido. Para melhor incentivo de caminhar nada melhor que boas paisagem e companhia, itens que não faltaram momento algum. Praia do carro quebrado é muito maravilhosa. Com água mineral recolhida por nós para saciar a sede seguimos até um trecho que eu e Lucas Neves caminhamos sozinhos, trecho que foi desgastante e de stress principalmente para o Lucas que foi amenizado com o reagrupamento de todos. Com uma primeira passagem por asfalto na caminhada houve pra mim muito desgastante e a dormida em São Miguel dos Milagres que era para ser tranqüila, foi agitada, pois tivemos que remover a barraca de lugar dada às implicações climáticas.
O quarto dia foi para mim o dia mais desgastante, com os calos estourados e a péssima escolha de usar sandália ao invés do tênis, fez com que passasse uma grande parte do percurso sozinho que foi de grande reflexão, dentre elas positivas e outras de até desistência. A caminhada por mais um trecho de asfalto a noite foi muito cansativa e dolorosa chegando ao meu limite de stress, mas mais uma vez o companheirismo de todos com ênfase nesse momento dos camaradas: Rodrigo, Guilherme, Lucas Neves e Mestre Gerson ajudaram a seguir. Quando montamos barraca o que mais queria era descanso, mas o clima de ventania e chuva impossibilitou isso, fazendo com que dormíssemos no máximo três horas de sono antes de seguir viajem pela manhã.
No ultimo dia da caminhada mais que nos outros dias superação, companheirismo foram palavras que não saiam de minha cabeça, pois estava de fato perto de realizar o objetivo e mostrar que mesmo muito cansado e dolorido chegaria, que acima de tudo não desistiria de um objetivo que realmente vislumbrasse e que continuar o mesmo (desistente e irresponsável) seria até um determinado dia cômodo, mas o incomodo disso por uma vida toda não valeria à pena.
Vislumbrei objetivos e caminhei. Fui, andei e cheguei, mas nunca estive só e agradeço aos meus companheiros pelas divisões de aprendizagens, pois não foi fácil, mas cada centímetro caminhado foi muito mais do que conquistado e merecido por mim, foi devido por guerreiros... Tão merecedores quanto eu.
Alguns poderão se perguntar por que a música do começo, mas é fácil de explicar com a seguinte citação:
Não quero saber quem é melhor que eu, pois estou me melhorando a cada dia e se eles não se melhorarem passarei tranqüilo. Ser infeliz não é pressagio para felicidade, felicidade é que é pressagio para mais felicidade, depende de muitas contingências (micro e macro políticas), mas acima de tudo de querer e ainda querer ser (mais) feliz. Lewilson Fernandes da Silva, 2011.

Encerro esse relatório com alegria, saudades e também com um muito obrigado a todos e em especial ao Mestre Gerson.
Abraços...

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