Relatório
da Caminhada Foz São Francisco
Assim que entrei no grupo caiçara
já era comum os membros falarem em um tal de ouricuri, mas do que se trata
isso? O que tanto essas pessoas falam? Isso eram questões que constantemente eu
me perguntava. Com um tempo fui sendo atualizado pelo grupo sobre as atividades
que a cada seis meses eram realizadas com o intuito de causar reflexão e
superação nos integrantes, onde por meio de situações difíceis e mortificadoras
os participantes eram capazes de realizar reflexões acerca de suas vidas. Eu
pensava cuidadosamente em participar, primeiramente sempre fui curioso e competitivo
e ao saber que alguns corajosos tinham passados alguns dias em uma mata fechada
já me deixaram bem ansioso em relação a essas atividades.
Meu sangue sempre ferveu diante
de adversidades, isso ao longo da vida já me trouxe tanto benefícios como
malefícios e digo claramente que o lado negativo foi ate maior nesse processo,
mas ao me inserir em um grupo como o caiçara que prega o crescimento pessoal
dentro de um grupo, fiquei com uma enorme vontade de participar de um processo
como este. O crescimento pessoal diante de uma sociedade alienada e acomodada é
vistas como um objetivo nesse processo de ouricuri, e também uma melhor
interação com os membros do grupo, sendo assim, essa proposta coube
perfeitamente em meus objetivos.
O mestre Tamuia dês de cedo
avisou também sobre a necessidade dos interessados em se preparar fisicamente,
pois tal percurso foi concluído por poucas pessoas, eu me envergonho ate hoje
pela minha atitude tomada naquele tempo. Para a minha pessoa tudo aquilo não
passava de uma brincadeira, sempre que o mestre perguntava quem iria à
caminhada, eu levantava as mãos e afirmava, com um tempo avaliei que minha
confirmação tinha virado em certeza, e pela minha concepção, agora era dever
meu participar deste processo.
Por conta de minha negligencia em
relação ao meu físico, eu paguei caro nessa caminhada, o mestre alertou
constantemente sobre a preparação física com objetivo nessa caminhada. Por eu
acreditar em uma visão monista do hoje, sei que por mais que uma pessoa possua
uma estrutura de resistência e um mente forte. Nosso corpo e mente, são
interligados e se um conjunto não esta funcionando o todo falha. Pude
compreender essa teoria muito bem nessa caminhada, pois no primeiro dia já
estava todo lesionado.
Vale ainda ressaltar dois fatores
que pesaram bastante nessa caminha, o peso das mochilas e a areia da praia,
confesso que não estava preparado para o peso de minha mochila, por conta disso
as lesões apareceram rapidamente. Acho que nessa caminhada sentir uma dor
inédita, aconteceu quando eu estava carregando a mochila do mestre, que pesava
em torno de uns trinta e cinco kg, nessa tarefa minha perna sentiu vários
choques, e até hoje nenhum medico conseguiu explicar esse fato. Já a areia da
praia, era um verdadeiro teste psicológico, onde nossos passos se limitavam e a
irritação aparecia. Nossa sorte é que nos livramos do sol, outro fator que iria
pesar bastante nessa caminhada.
Fora a questão do preparo físico,
outra coisa que pude trabalhar nessa caminhada foi à confiança, tanto em
relação dos outros em quanto a minha pessoa, como minha própria confiança. Teve
dois episódios que marcaram bastante comigo nessa caminhada, a primeira, foi
meu tio indo de carro até a estrada da barra para me buscar, isso me irritou
bastante, pois a confiança da minha família em relação a essa minha tarefa era
zero. A segunda foi ainda pior, onde o mestre e o restante dos companheiros
caiçaras, por observarem meu estado físico ficavam duvidando constantemente de
minhas condições, depois de um lava roupa, trouxe essa questão e recebi o apoio
dos companheiros.
Eu só tenho a agradecer ao mestre
e todos os guerreiros que participaram dessa empreitada que poucos conseguiram,
onde rios foram atravessados a nado, e longas caminhadas foram feitas. Obrigado
Fernando, Arthur, e Rafael e Gerson pela companhia nessa experiência que só
somou em minha vida.
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