terça-feira, 28 de junho de 2011

Rodrigo Gluck


Relatório da Caminhada Foz São Francisco

Assim que entrei no grupo caiçara já era comum os membros falarem em um tal de ouricuri, mas do que se trata isso? O que tanto essas pessoas falam? Isso eram questões que constantemente eu me perguntava. Com um tempo fui sendo atualizado pelo grupo sobre as atividades que a cada seis meses eram realizadas com o intuito de causar reflexão e superação nos integrantes, onde por meio de situações difíceis e mortificadoras os participantes eram capazes de realizar reflexões acerca de suas vidas. Eu pensava cuidadosamente em participar, primeiramente sempre fui curioso e competitivo e ao saber que alguns corajosos tinham passados alguns dias em uma mata fechada já me deixaram bem ansioso em relação a essas atividades.

Meu sangue sempre ferveu diante de adversidades, isso ao longo da vida já me trouxe tanto benefícios como malefícios e digo claramente que o lado negativo foi ate maior nesse processo, mas ao me inserir em um grupo como o caiçara que prega o crescimento pessoal dentro de um grupo, fiquei com uma enorme vontade de participar de um processo como este. O crescimento pessoal diante de uma sociedade alienada e acomodada é vistas como um objetivo nesse processo de ouricuri, e também uma melhor interação com os membros do grupo, sendo assim, essa proposta coube perfeitamente em meus objetivos.

O mestre Tamuia dês de cedo avisou também sobre a necessidade dos interessados em se preparar fisicamente, pois tal percurso foi concluído por poucas pessoas, eu me envergonho ate hoje pela minha atitude tomada naquele tempo. Para a minha pessoa tudo aquilo não passava de uma brincadeira, sempre que o mestre perguntava quem iria à caminhada, eu levantava as mãos e afirmava, com um tempo avaliei que minha confirmação tinha virado em certeza, e pela minha concepção, agora era dever meu participar deste processo.

Por conta de minha negligencia em relação ao meu físico, eu paguei caro nessa caminhada, o mestre alertou constantemente sobre a preparação física com objetivo nessa caminhada. Por eu acreditar em uma visão monista do hoje, sei que por mais que uma pessoa possua uma estrutura de resistência e um mente forte. Nosso corpo e mente, são interligados e se um conjunto não esta funcionando o todo falha. Pude compreender essa teoria muito bem nessa caminhada, pois no primeiro dia já estava todo lesionado.

Vale ainda ressaltar dois fatores que pesaram bastante nessa caminha, o peso das mochilas e a areia da praia, confesso que não estava preparado para o peso de minha mochila, por conta disso as lesões apareceram rapidamente. Acho que nessa caminhada sentir uma dor inédita, aconteceu quando eu estava carregando a mochila do mestre, que pesava em torno de uns trinta e cinco kg, nessa tarefa minha perna sentiu vários choques, e até hoje nenhum medico conseguiu explicar esse fato. Já a areia da praia, era um verdadeiro teste psicológico, onde nossos passos se limitavam e a irritação aparecia. Nossa sorte é que nos livramos do sol, outro fator que iria pesar bastante nessa caminhada.

Fora a questão do preparo físico, outra coisa que pude trabalhar nessa caminhada foi à confiança, tanto em relação dos outros em quanto a minha pessoa, como minha própria confiança. Teve dois episódios que marcaram bastante comigo nessa caminhada, a primeira, foi meu tio indo de carro até a estrada da barra para me buscar, isso me irritou bastante, pois a confiança da minha família em relação a essa minha tarefa era zero. A segunda foi ainda pior, onde o mestre e o restante dos companheiros caiçaras, por observarem meu estado físico ficavam duvidando constantemente de minhas condições, depois de um lava roupa, trouxe essa questão e recebi o apoio dos companheiros.

Eu só tenho a agradecer ao mestre e todos os guerreiros que participaram dessa empreitada que poucos conseguiram, onde rios foram atravessados a nado, e longas caminhadas foram feitas. Obrigado Fernando, Arthur, e Rafael e Gerson pela companhia nessa experiência que só somou em minha vida.

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