Luciano Pedro Ferreira de Lima
Caminhar 35 Km entre o mato, sobre pedras, paus, trilhos e lama é algo inimaginágel e portanto só quem realizou este feito é capaz não de descrever, mas, sobretudo de ter uma noção clara de quão grande e dificil é esta empreitada.
Foi assim que comecei meu relatório do acampamento passado, felizmente dessa vez não foi necessário refazer este percurso, até por conta da quantidade de dias que íamos passar no mato ser bem maior e portanto exigir muito mais esforço e recursos.
Desde o primeiro momento em que Gerson me convidou para partcipar do segundo acampamento na “SERRA DO OURO” senti-me bastante orgulhoso e comprometido não apenas pela confiança depositada por ele em minha pessoa, mas sobretudo por ter a oportunidade de vivenciar toda a experiência do primeiro acampamento e saber que poderia ser muito mais útil agora no segundo acampamento.
O fato de levar-mos pessoas do sexo feminino, me deixou um pouco apreensivo no início, pois,não querendo desmerecer, as mulheres, sei que as tarefas são bastante árduas e como não as conhecia, fiquei um pouco preoculpado, mas, nada que pudesse me fazer pensar que elas não conseguiriam.
CHEGADA À CIDADE
Chegamos em Murici e desembarcamos no Novo Hotel, diferentemente da outra vez que caminhamos de Lourenço à Murici, estávamos bastante traquilos e descansados, arrumamos a bagagem, nos alojamos, jantamos, fizemos uma breve apresentação, conversamos sobre os objetivos individuais e o propósito geral do acampamento e nos recolhemos para preparar o “espírito” para o que estava porvir.
PRIMEIRO DIA DE ACAMPAMENTO
Saimos cedo e isso foi fundamental para alcaçar-mos nosso objetivo sem maiores prejuízos, afinal caminhar 22 Km com mochila nas costas e o sol castigando não é nada bom. Como já tinha uma noção das distâncias e do tempo para efetuar-mos as paradas, minha preocupação era para que pudéssemos adiantar o máximo e evitar um desgaste desnecessário, portanto fui sempre cronometrando o tempo e avaliando a caminhada para que tudo correce bem.
Após as primeiras horas já dava para perceber quem teria maiores dificuldades, porém confesso que fiquei surpreso com a garra e a determinação de algumas pessoas que por mais que parecessem cansadas, em momento algum demonstraram fraqueza e falta de objetividade. Mesmo assim não foi fácil, em certos momentos dava para perceber que alguns companheiros lutavam contra sí mesmo para continuar caminhando.
Na primeira parada percebí que estávamnos bastante adiantados cerca de mais de uma hora em relação ao acampamento anterior, isso se deu ao fato do caminho estar bem melhor, sem lama, isso ajudou bastante. Entretanto na segunda parada, a do banho, comecei a ficar preocupado, pois o nível da água estava bastante baixo e isso não era um bom sinal, poderia ser que tivéssemos problemas para encontrar água no local do acampamento. Mais à frente na terceira parada pude confirmar que realmente teríamos dificuldade com a água, pois no local em que paramos para pegar laranjas da outra vez, tinha um bom local para banho e dessa vez quase que não tinha água, mas não desanimei.
Fiquei muito feliz em ver a determinação principalmente das meninas, apesar da exaustão está bastante aparente,a vontade de continuar era sempre maior. Por fim, após mais alguns instantes de sacrificante subida chegamos ao tão esperado local do acampamento, e então pudemos confirmar que seria um pouco mais difícil do que esperávamos, pois o córrego que tinha ao lado do acampamento havia secado e não tinha água, porém isso não foi motivo para baixar nossa moral e logo começamos a construir as cabanas.
A noite do primeiro dia é cheia de ansiedade para quem está no mato pela primeira vez, apesar do cansaço não deixar espaço para muitos pensamentos. Comer e ir para a rede dormir é tudo o que se quer, a escuridão da noite e o som produzido pelos bichos de hábitos noturnos traz uma certa paz e o frio é bastante acochegante, pelo menos pra mim. Uma coisa que senti bastante falta no primeiro dia, foi o momento de reflexão.
SEGUNDO DIA DE ACAMPAMENTO
Acordamos preparamos a refeição e logo em seguida começamos a fazer algumas alterações nas barracas, o Gerson queria fazer um tipo de coberta diferente, era muito trabalhoso e exigia muita palha e isso dificultou bastante os trabalhos, pois alguns companheiros não estavam muito dispostos a colaborar. Como havíamos combinado a quinta feira era o dia para quem quisesse por algum motivo desistir, retornar para casa, infelizmente um companheiro e uma companheira, optaram por retornar, pena que não ficaram para aproveitar melhor.
Mais tarde alguns companheiros ao retornarem do riacho onde íamos buscar água, trouxeram a noticia de que havia ocorrido um crime nas proximidades, fato que deixou a mim, Sérgio e Gerson um pouco preoculpados, e orientamos aos outros para que fizessem o máximo de silêncio e evitassem sair sozinhos e sem um dos líderes do acampamento, para evitar qualquer tipo de incidente.
Os trabalhos continuaram durante todo o dia, porém só conseguimos terminar duas das três barracas e tivemos que remanejar o pessoal para serem acomodados nas duas barracas que estavam prontas. Contudo a noite caiu uma chuva pesada com muitos raios e trovões, o que deixou algumas pessoas bastante apreensivas, mas esses momentos são muito importante tanto para superar-mos nossos medos como para demonstrar nossa solidariedade aos outros, foi uma noite difcil, mas creio que serviu de reflexão para todos.
Durante a madrugada enquanto a chuva caía bastante forte, eu comentava com o Gerson que seria dificil para o Severino e o João saírem de Murici para virem ao nosso encontro com toda aquela chuva, e ele me dizia que logo cedo eles estariam lá, porém eu continuava achando dificil acreditar devido às circunstâncias. Ainda muito cedo, ouvimos uns fogos estourando próximo ao acampamento e o Gerson disse que eram os dois, João e Severino, pois ele tinham combinado que soltariam fogos para avisar que estavam chegando. Por mais que o Gerson dissesse que eram eles, eu não conseguia acreditar, pois era muito cedo e para que eles estivessem ali àquela hora seria preciso que tivessem caminhado durante toda a noite e madrugada, ainda mais com aquele tempo. Porém logo em seguida eles se apresentaram e aí eu pude compreender a relação de confiaça e comprometimento que eles tinham com o grupo e com o Gerson, fiquei muito orgulhoso de saber que pessoas tão comprometidas e determinadas estavam alí para colaborar com nossa experiência.
TERCEIRO DIA
A chegada de João e Severino trouxe uma energia boa pro acampamento, novos ânimos e “força extra” foi uma grande contribuição. Terminamos os últimos retoques nas cabanas e demos início a outras atividades mais específicas.
Nessa altura do acampamento já conhecíamos muito bem a todos os participantes, e pudemos ter uma idéia bem clara do significado que o acampamento tinha para cada um. Graças a Deus tudo estava correndo bem, dentro do que tinhamos previsto, a alimentação tava sendo mais do que suficiente e tirando o incidente do Guilherme que cortou a mão e precisou ir embora mais cedo, tudo estava em perfeita harmonia. Confesso que fiquei surpreso com alguns comportamentos negativos de alguns membros da equipe, principalmente um dos que estavam à frente junto com o Gerson, mas, também tive surpresas boas, principalmente com o desempenho das meninas, em especial Letícia que se mostrou uma verdadeira guerreira, e o Pizza que foi um exemplo de humildade e solidariedade.
A noite fizemos o primeiro momento de reflexão. Desde o inicío eu estava ansioso por esse momento, é onde o sentido maior do acampamento se mostra, pudemos expor nossos sentimentos e ouvir as experiências dos outros, bem como parabenizar o grupo pelo que estávamos fazendo de bom e também fazer algumas críticas e mostrar onde poderíamos melhorar.
QUARTO DIA DE ACAMPAMENTO
O sábado também foi um dia muito produtivo, eu já começava a sentir um pouco de saudade, afinal já estávamos na véspera de retornar para casa. Logo cedo Severino, Sérgio, Letícia e mais alguns companheiros saíram para o banho e voltaram com um cesto cheio de frutas, o café da manhã foi um verdadeiro banquete. Em seguida começamos a fazer divesos artefatos como cestos de cipó, arcos, flexas e outros mais, tudo sob a orietação do Gerson.
O dia passou bem depressa, talvez fosse a ansiendade, por estar chegando ao fim. Nossa última noite também foi muito proveitosa, fizemos mais uma importante reflexão, discutimos sobre o sentido de tudo o que fizemos, avaliamos os pontos positivos e negativos do acampamento. Acredito que esse tenha sido um momento crucial para todos, pudemos dizer claramente o que o acampamento havia significado bem como o que cada um dos participantes tinha importado. Gerson chegou a chamar aquele momento de “lavanderia” pois pudemos lavar a roupa suja, porém creio que foi muito mais que isso, foi um momento em que cada um pode apontar defeitos e qualidades nos outros, mas também pode ouvir dos outros, algo sobre seus defeitos e suas qqualidades, foi um “encontro com o seu eu mais veradeiro”.
QUINTO DIA DE ACAMPAMENTO
Por fim amanheceu e já começamos a nos preparar para a volta, tratamos de recolher todo o lixo que produzimos e incineramos, para não deixar-mos para tráz nada que pudesse intervir negativamente no ambiente. Uma coisa que me deixou um pouco triste é causamos uma devastação bem maior do que no primeiro acampamento e muito do que foi cortado, foi cortado sem necessidade, daí eu Severino conversamos sobre a necessidade de uma orientação maior ao pessoal que vai a um acampamento pela primeira vez, no sentido de promover uma maior conscientização sobre a preservação. Afinal se nosso propósito é refletir sobre nossa existência e de nossos antepassados, não podemos ter atitudes e comportamentos que sejam contrários a essa filosofia.
A volta foi bastante desgastante, o sol estava causticante e não via a hora de chegar-mos à cidade, paramos no caminho para um breve lanche e continuamos um pouco atráz do restanrte do grupo eu, Gerson e Sérgio. Viemos fazendo uma análise do que foi o acampamento e que mediadas poderiam e deveriam ser tomadas para melhorar não só outros acampamentos mas o fortalecimento do grupo Caiçara.
Chegamos à cidade bastante orgulhosos e satisfeitos, com a certeza de que relizamos mais um grande trabalho, que com certeza contibuiu e irá contribuir muito mais, para o nosso crescimento e amadurecimento pessoal, social e espiritual. Por fim retornamos para nossas casas, felizes com as novas amizades e a vontade já iminente de participar de outro “OURICURI CAIÇARA”.
“LONGA VIDA AOS CAIÇARAS”
quinta-feira, 11 de março de 2010
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