quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Guilherme Lages

Relatório Ouricuri Caiçara 2011-02-03 Guilherme Lages
     Nas proximidades do mês de janeiro, já estava eu muito entusiasmado para retornar a acampar com o pessoal da capoeira. Porém, dois dias antes da partida para Murici eu peguei uma virose braba que me deixou com medo de ficar impossibilitado de viajar. Só fui melhorar na madrugada de segunda para terça, apesar da melhora fiquei receoso de não ter energia suficiente para a jornada. Mesmo assim decidi ir.
     Quando cheguei ao ponto de encontro para a partida logo me esqueci do ocorrido dos dias anteriores e me envolvi com a animação da galera. Partimos por volta das quatro e meia, chegando lá fomos dar uma volta na cidade para depois jantarmos às sete horas. Depois da janta conversamos a cerca das expectativas para o acampamento, nos apresentamos e foi acertada a partida para as três horas. Não consegui dormir, pois estava ansioso para partir e receoso em relação ao meu estado de energia.
     Partimos. Nos primeiros minutos ainda estava com medo de não agüentar, mas logo vi que meu corpo estava indo bem. A caminhada em si não foi muito desgastante, mas o que estava por vir durante aquele dia foi muito massacrante.
     Quando chegamos ao local o mestre Gérson percebeu que não havia condições de nos estabelecermos lá, portanto juntamente com Severino e Fernando foi procurar um local mais apto a nos receber. Ficamos lá conversando até a chegada dos três com a notícia de que seria o mesmo local do ano passado e que seria feito um sorteio para definir as três equipes.
     Gostei do meu grupo, tinha pessoas fortes, experientes, engraçadas e todos gente boa como o restante do grupo. Sem perder tempo fomos logo para o local do acampamento. Severo soube bem traçar os papeis que cada um do grupo exerceria para alcançarmos o objetivo principal do dia: construir a cabana. E foi no exercício do meu papel (pegar folhas da tão procurada pindoba) que me sentir no meu limite físico.
     Fim do dia. Nossa cabana estava pronta, porém a outra apenas a estrutura estava montada, com algumas folhas em cima. A noite caiu, e o fato deles não terem acabado a cabana acarretou no êxodo de todos de lá para “nossa” cabana. Logo depois de jantarmos aconteceu o que temíamos: a chuva veio com força. Já estava em minha rede, mas vendo a situação de damas mal acomodadas no chão cedi a minha rede e fui me aconchegar no chão.
     Tentei dormir, mas não deu, vi que alguns companheiros estavam na mesma situação que eu, então os chamei para ir para a outra cabana, as redes estavam molhadas, mas pelo menos tinha onde deitar.
     Então fomos eu, Rodrigo, Henrique, Raul e Douglas. Não dormir muito, mas o pouco que dormir foi suficiente para acordar com disposição. Naquela manhã de quinta-feira houve cinco desistências, umas por razão do cansaço outras por compromisso.
     Fiquei encarregado do trabalho braçal, pesado, que executei muitas vezes com Henrique, Rodrigo e Arthur. No fim desta quinta as duas barracas estavam devidamente concluídas. Já pela noite, após o jantar, houve a primeira noite de reflexão.
    É sexta-feira, acordamos um pouco mais tarde devido ao cansaço e por termos acabado o trabalho pesado. Acredito que desde quinta já se podia sentir a convivência harmoniosa que se presenciaria, a boa integração de todos no grupo. E foi assim que se desenrolaram as atividades previstas para esses dias (sexta e sábado), entre ela confecção de arapucas e passeio na mata.  Nesses dias, a animação do grupo surpreenderia qualquer um que havia desistido nos primeiros dias.
     Chegada a última noite (sábado), a música da águia já havia entrado na cabeça da galera, juntamente com o sentimento de saudade que aquele lugar iria deixar. Deu-se mais uma noite de conversa e reflexão e, todos descansados e contentes, fomos dormir para a volta na manhã seguinte.
     Na volta fomos andando na frente, e depois de algum tempo fomos surpreendidos por um caminhão, o qual a outra parte do grupo estava na caçamba. Pegamos uma carona até Murici, onde comemos e voltamos para Maceió.
     Toda essa experiência foi muito proveitosa e gratificante, o companheirismo e a prestatividade de todos foi de fundamental importância para o sucesso do acampamento. Fico feliz por ter participado deste e espero participar de muitos daqui pra frente.
  Salve a caapoeira!

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