Preâmbulo
“Você é doido é?” “Tem o que fazer não?” foram alguns clichês muito escutados por mim, e talvez pelos outros caiçaras, quando havia o comentário da nossa caminhada até o São Francisco, a pé. Para quem gosta de ter uma vida comum e letárgica; para quem está satisfeito em viver na frente da TV assistindo romances e aventuras, com a vontade de está ali, mas sem coragem, essa nossa caminhada foi, realmente, uma coisa de quem não tem o que fazer. Entretanto, essas mesmas pessoas, ficaram fascinadas ao verem o registro desse Ouricuri, admirando os que participaram desse feito. Pois bem, se quem apenas viu o registro e ficou fascinado, imaginem os indivíduos que estavam ali presentes! Isso foi único na minha vida. Aprendizados que estarão presentes até o fim da minha vida e que, com certeza, contribuiu para minha formação como pessoa.
A preparação
O aviso sobre o Ouricuri Pajuçara – Foz do rio São Francisco foi dado desde o ano passado (2009), e o planejamento foi feito com cautela pelo nosso Mestre Tamuia. Eu fiquei interessado nesse desafio desde o começo, e sabia que iria ser difícil. Comecei a me preparar fisicamente desde o começo do mês de julho, pois meu desejo era de chegar à foz a pé. Fui com o mestre fazer a rota, com o carro, e presenciei o tamanho do desafio, fiquei muito animado, principalmente com os 20 km finais de puro deserto, até chegar à Foz. Falei: - Mestre, esse negocio vai ser irado, só estou com receio da travessia do Gunga, acho que ali vai ser a pior parte. Ele respondeu: - Você acha mesmo? Bixo, é não! Desafio vai ser depois dessa travessia. Eu olhei o mapa e pensei: Oxe! É nada, o resto é tranquilo. Foi tranquilo a ponto de inflamar os meus tendões do pé e me forçar a parar no Pontal do Peba, mas cheguei até a Foz, de carro, mas cheguei.
Na semana do início da caminhada nós cinco nos reunimos na casa do Rafael para visualizarmos o mapa, decidir trajetos, estratégias e os equipamentos que iriamos precisar. Nessa mesma reunião ficou decidido todo o caminho a ser percorrido, incluindo a passagem pelos 25 km finais de deserto, marcamos um dia para comprar os equipamentos e a reunião encerrou. Na mesma semana fomos comprar, juntos, o que era preciso: fogão, gás, facas, linhas de mão, anzóis, chumbo, chapéu, mochila, etc. Fui ainda comprar meus alimentos: 1kg de feijão, 500 gramas de fubá, rapadura, tomate e castanha-do-pará. Na quinta-feira, um dia antes da partida, fizemos outra reunião para verificar as mochilas de cada um, para ver se faltava algo; estava tudo certo. Fui para casa dormir, com um pouco de ansiedade, mas muito confiante que iria passar por aquilo tranquilamente.
Dia da Partida (Sexta-Feira)
Sexta-feira, dia da partida, parecia um dia normal, peguei as coisas para ir ao local de encontro. Arrumei o que faltava (inclusive papel higiênico colocado pela minha irmã, apesar de não ter usado ele) e fui pegar o Gluck em casa, nós fomos os primeiros a chegar ao local de partida, logo após chegou o Fernando (com suas panelas penduradas na bolsa), um pouco depois chegou o mestre com uma bagagem mais pesada de todas, e por fim, o Rafael. Nesse exato momento eu pensei: -Bixu, ele vai mesmo! E, sinceramente, não estava achando que ele iria conseguir, por conta da lesão no joelho.
Nesse intervalo de espera apareceu um indivíduo no local onde estávamos e durante meu alongamento ele veio conversar perguntando do que se tratava aquilo, eu expliquei e continuei conversando.No diálogo ele falou: - Amigo, você sabe o que é mais preciso numa caminhada como essa? Eu respondi: - Precisa disciplina para se preparar pra ela. Ele falou: - Também! Mas isso é antes! Pra essa caminhada é preciso humildade. Na verdade aquilo foi o início de uma pregação da palavra de Cristo, que logo cortei e voltei a me alongar. Cada um foi para um lado.Logo após, todos foram chegando ao local e partimos.
Caminhando e todos nos olhando, quando chegamosna praia da avenida, passou um carro de som tocando a música da campanha do Collor.Aquilo foi o início de uma tortura psicológica, foi o primeiro desafio enfrentado por mim, eu fui com a “danada” na cabeça até a massagueira, foi difícil, mas superei. Passando pela central de polícia, um pouco mais a frente, estava um carro da TV alagoas e uns “caras” com câmera e microfone, estávamos famosos! O mestre deu a entrevista e continuamos. Nesse momento estava presente o caiçara Paulo para prestigiar nossa partida. Continuamos e fizemos a primeira parada em frente a Braskem, bebemos água e já sentimos as dificuldades surgindo: peso e calo nos pés, mas nada nem perto de insuportável. Prosseguimos, passamos pelo DENTRAN já anoitecendo, nossa próxima parada foi na polícia rodoviária, ficamos embaixo de uma tenda na beira da pista e deitamos, o peso já iria começar a incomodar e a música do Collor ainda atrapalhava minhas reflexões.
Peguei uma rapadura e fui com ela até a Barra Nova, lá nós paramos num ponto de ônibus e descansamos, os calos já estavam incomodando um pouco mais e retirei o tênis, calcei as havainas. Caminhamos um pouco mais até chegarmos na massagueira onde encontramos um caminhão cheio de melancia e laranja, enchi o estômago de líquido. Continuamos e já estava sendo muito cansativo, só asfalto, farol de carro, mato, beira de pista, peso da mochila e calo no pé; pelo menos isso serviu para esquecer a música do Collor, nada como uma tortura para esquecer de outra. Paramos mais na frente num posto de combustível que tinha um vira-lata e um vigia escutando uma música, de muito mal gosto por sinal. Ali tive o primeiro aprendizado consciente, espantar cachorro quando ele tentar hostiliza-lo; é só abrir os braços e inclinar o corpo para baixo, se aproximando do cão, bem, foi assim que o Mestre espantou o cachorro. Eu utilizei este artifício mais na frente.
Continuamos a andar e paramos no francês, onde cada um de nós fizemos as ligações para nossos familiares, e logo após, zarpamos. O caminho começava a ficar mais longo, o cansaço apertava, o mestre já sentia um pouco do peso de sua mochila, mas o Gluck já tinha ajudado um pouco ao leva-la por alguns Km, agora era minha vez. Botei aquela mochila nas costas, me enverguei um pouco, e fui em direção a Barra, estávamos nos coqueirais antes da Barra e eu já andava com dificuldade, fiquei um pouco para trás, mas não sozinho, nessas horas aparecia o apoio do caiçara mais cheio de garra e mais inteiro de todos, o hábil Fernando; sempre que alguém estava muito atrás ou muito na frente e sozinho, ele ficava do lado fazendo companhia, aquilo já é suficiente para ganhar mais forças nessas horas. Na metade do coqueiral passei a bolsa pro Gluck novamente, andamos mais um pouco e chegamos na trilha que levava à praia. Chegando na praia, montamos o acampamento (meu segundo aprendizado concreto: montar barracas), nesse momento me lembro bem das palavras do mais experiente caiçara, depois do Mestre, ele nos “acordou”: -Bora mermão, ninguém fica parado aqui não! Por alguns centésimos de segundo eu não tinha gostado daquilo, mas logo após concordei com ele e a partir daí eu percebi que ninguém mais parava. Cada um se acomodou em suas barracas e dormiram apesar da “cama” ser dura e irregular, foi um alívio.
Amanhecendo na Barra de São Miguel – Travessia do Gunga
No outro dia, uma manhã linda, o mar azul brilhando, cenas que compensam a dor dos calos (eu não sabia que aqueles calos eram “fichinha” pra o que nos esperava). Desmontamos o acampamento, pegamos nossas bolsas e 2 bambus cada um, e fomos em direção ao Gunga. No caminho surgiam vários comentários, várias conversas, algumas músicas e a areia fofa nos cansava. Subimos para o interior da Barra de São Miguel já perto do “Arquipélago do Sol”, e sentamos numa calçada com sombra. Ali avistamos uma caminhonete preta passando e dentro estava o Paulo, ele nos procurou desde o começo da Barra. Aquilo deu um grande ânimo ao grupo, e eu estava renovado para atravessar o gunga. No caminho compramos água, pão e um bendito salame, que se fosse fabricado sairia mais rápido do que apenas fatiado pela, cheia-de-vontade, atendente da padaria. Fomos pegando galhos secos no caminho e chegamos no local do início da travessia. A partir daquele momento começamos a construção da balsa (que irei ensinar aos meus filhos e a quem quiser aprender). Nosso engenhoso Mestre nos orientou naquela construção e não se abalou pelos comentários pessimistas alheios, como: “Pra quê é isso aê? Oxe, vocês não vão pra canto nenhum com esse negócio!” Um comentário poderia me desanimar se eu não confiasse no Mestre, mas eu estava certo que iria dar certo como planejado. Terminamos a balsa e levamos pra travessia, colocamos as coisas em cima e entramos na água, quando comecei a remar, vi que ia dar tudo certo, não tinha correnteza para atravessar, além disso, estávamos sendo acompanhados por um jangadeiro que aproveitou para tirar fotos, isso me deu mais confiança. Do outro lado estava Thássia, Nice e Paulo nos esperando, o que dava mais força ainda pra chegar. Chegamos e pensei: -“Véi! Isso foi muito bom! Mas, isso não foi o desafio.” Minha opinião já mudava.
Rumo ao coqueiral
Esse dia foi de lazer, ficamos no gunga por um bom tempo, conversando, descansando, comendo sanduíche de atum e suco de laranja com beterraba que minha irmã trouxe. Mergulhamos e brincamos na balsa, com o Fernando e Rafael em cima, até o Paulo também querer subir... Houve um naufrágio! Mas tudo se resolveu. Fim do lazer, o sol indo embora, partimos rumo ao fim do coqueiral, coloquei uma barraca nas costas e fui com peso a mais do que antes. Os calos incomodavam muito, e a areia fofa nos cansava mais, andamos todo o coqueiral e, antes do início das falésias, nós acampamos. Ali eu estava sentindo que o desafio estava por vim, senti o prazer da travessia e do descanso no Gunga, e a dor da caminhada pelo coqueiral. Esses são momentos que induzem à reflexão sobre sua vida, muita coisa passava pela cabeça, sobre a vida que eu tinha e a necessidade de valoriza-la mais. Nesse acampamento fizemos uma reflexão em grupo, e concluímos que a dificuldade seria grande, que os laços de amizade entre os integrantes iriam aumentar e que precisávamos de confiança um no outro para ajuda mútua. Durante a reflexão destaquei o treinamento que fiz não foi suficiente, pois não calculei o peso, a areia foda, a fome, os calos, o sono, o frio, etc. Concluí que precisava de um treinamento constante e que para isso, minha vida deveria estar toda organizada: estudos, lazer, atividades físicas, etc. Mas outro momento compensou a dor: durante a noite havia uma imensa quantidade de estrelas no céu, algo não visto na cidade, vi umas duas constelações e uns OVNI’S, que na verdade eram a luz de varas de pesca um pouco distante de nós. Enquanto isso, o mestre preparou a nossa comida, numa pequena panela aquecida por uma chama de um mini botijão de gás, este fazia um peso considerável dentro da mochila. Cada um pegou seu recipiente (prato ou garrafa pet cortada) e encheram de comida, foi esse nosso jantar (carne-de-sol, feijão, arroz e tomate). Até ali não utilizei quase nenhum alimento que levei. Depois da refeição fomos todos dormir, num chão duro e desnivelado, um pouco desconfortável, mas era o suficiente para descansar.
3º dia – Falésias, Dunas de Marapé e o Rio Poxim
O dia amanhece, arrumamos as bolsas, lavamos os talheres e recipientes de comida, utilizando a areia molhada, como sempre fizemos, e continuamos a caminhada rumo à Lagoa Azeda. A partir daí iniciou uma longa caminhada por uma bela paisagem, entramos no território das falésias, um dos locais mais bonitos vistos, pessoalmente, por mim. Os raios solares davam um brilho que pareciam sair de dentro daquelas formações geológicas, isso foi um grande estímulo para superar a dor dos calos e o cansaço acumulado e reforçado pela areia fofa. Durante esse trecho eu coloquei e retirei o tênis duas vezes, para tentar aliviar a dor dos pés, mas, descalço o pés estavam sendo machucados pela areia e a inclinação do terreno, já com o tênis os calos aumentavam, no fim resolvi guardar o tênis e seguir descalço. Nós alternávamos a caminhada pela areia fofa e por um tipo de restinga ao nosso lado que, às vezes, tinha como caminhar por ela, o que era preferível. Passávamos por alguns riachos e descansávamos em alguns deles, aceleramos a velocidade para chegar no tempo previsto, começamos a trotar e adiantamos uma boa parte do percurso, a bolsa do Mestre estava muito pesada e acabou rompendo uma alça, mas logo em seguida ele improvisou e continuou normalmente.
Mais a frente encontramos dois obstáculos inesperados, duas barreias de pedras intercaladaspor trechos deareia, onde passamos cautelosamente e ninguém se machucou. Logo em seguida avistamos o povoado de Lagoa Azeda e fizemos uma parada por lá, montamos as redes e descansamos; no local tivemos o apoio do Severino e do César. O descanso foi bem proveitoso e saímos rumo ao rio Poxim, adiantamos consideravelmente o percurso passando pelas dunas de Marapé, esta possuía uma vegetação com muitos espinhos, dificultando um pouco a caminhada. Fiz companhia ao Mestre enquanto o Gluck, Fernando e Rafael estavam à frente. Um pouco mais a frente chegamos ao rio Jequiá, fizemos a travessia, que foi bastante prazerosa, conversamos um pouco com alguns turistas e partimos.
Chegada ao Rio Poxim e a caminhada à Feliz Deserto
Nesse percurso até o rio Poxim os meus pés estavam mais machucados e forcei um pouco mais durante uma tentativa de corrida, causando uma lesão nos tendões. Chegamos no rio Poxim eu estava um pouco machucado, mas ainda não estava no meu limite, acampamos ao lado do rio e dormimos depois da refeição. Ainda de madrugada nós levantamos para atravessar o rio durante a maré baixa, entretanto, um pequeno erro na tabela das marés nos deu uma informação errônea e “pegamos” a maré um pouco mais alta do queesperávamos. Isso não foi um grande obstáculo, fui o primeiro a entrar no rio para verificar a profundidade, ela estava na altura apropriada para passagem, pegamos nossas bolsas e atravessamos.Caminhamos um bom tempo ainda no escuro até chegarmos à lagoa do pau pela manhã, lá encontramos uma barraca aberta e montamos as redes para descansar enquanto esperávamos um almoço preparado pelo pessoal da barraca. Nós comemos bem e continuamos a caminhada, tiramos algumas fotos e brincamos um pouco com a machadinha do Mestre, ficamos arremessando-a num tronco para finca-la. E no interior do povoado de Coruripe utilizei a técnica para espantar cachorros, concebida no início da caminhada, mas não funcionou e o vira-lata avançou pra cima de mim, utilizei o plano B, correr, este deu certo porque o cachorro desistiu de mim.
Chegamos no pontal de Coruripe e tiramos algumas fotos no farol, despachamos muita bagagem inútil e prosseguimos bem mais leves. Mais a frente encontramos o rio Coruripe, estávamos nos preparando para atravessa-lo enquanto o Fernando fez isso a nado para pedir apoio de jangadeiros a fimde transportarem nossa bagagem. Colocamos as bagagens na jangada e atravessamos a nado, o rio estava com uma forte correnteza e me cansou muito para chegar ao outro lado, pensei que não conseguiria. Prosseguimos a caminhada para Miaí e durante o percurso o Mestre perguntou se faríamos uma caminhada dessa novamente. Bem, eu tive alguns lapsos de arrependimento durante momentos de dor, mas nem cogitaria, hoje, a idéia de não participar de outra caminhada desse tipo. Chegamos emMiaí de Cima, descansamos e comemos para seguir caminho até Miaí de Baixo, e quando chegamos já era noite, fizemos uma breve parada e seguimos para Feliz Deserto, que, apesar do nome, não me recorda nenhuma felicidade.
Caminhamos muito em direção a essa cidade, meu pé estava muito lesionado e eu me esforçava para andar, e por isso, esse foi o percurso que mais me induziu à reflexão, o ambiente era propício para isto: escuridão total, terra plana, um silêncio da natureza com sons de pegadas, clima agradável e muita dor no pé. Cada vez que passávamos de algum riacho a esperança de chegada aumentava, mas muitos riachos não estavam previstos e passamos por dezenas deles. Nós avistávamos a praia do Peba e, antes dela, uma “maldita” luz amarela indicando a localização de Feliz Deserto. Nós caminhamos muito mesmo, e essa luz ficava perto e, logo em seguida, se distanciava, causando uma tortura psicológica. Eu particularmente estava bem atormentado, meus tendões doíam muito e pensei em parar seis vezes antes de chegar verdadeiramente no meu limite, o Gluck me ajudou muito a dar forças pra prosseguir, desde Coruripe, e o Rafael, mesmo com o joelho lesionado pegou minha bolsa para levar. Andei mais uns 500 metros após ele ter pegado minha bolsa, e não aguentei mais, pedi para montarmos o acampamento ali mesmo, um pouco antes de Feliz Deserto.
Montamos a barraca, coloquei o meu casaco, comi alguns chocolates que o Mestre comprou para nos animar, e fui dormir bem desgastado e com medo de ter havido algo muito sério com meus pés. A noite não parou por aí, nós não colocamos uma lona de cobertura na barraca e, justamente nesse dia, choveu. A água escorreu pela barraca e encharcou meu casaco, fiquei com frio, engilhado e com a dor da lesão. No dia seguinte levantamos para ir à Foz do São Francisco, eu estava andando com muita dificuldade, mas continuamos. A luz amarela estava apenas a 300 metros de onde acampamos, pensei em jogar uma pedra nela, mas teria que andar para chegar até ela, e isso eu estava evitando fazer desnecessariamente.
Reta Final – Pontal do Peba
Caminhamos em direção ao Peba e já avistávamos de perto, eu estava sempre um pouco atrás do resto do grupo, e a única coisa que utilizei para ganhar forças foi cantar, repeti a música “Beira-mar auê beira-mar” umas 12 vezes até chegar à pousada no Peba. Chegamos na pousada e descasamos, ali eu percebi a importância do que o homem me falou enquanto me preparava para partir na Pajuçara, ter humildade. Tive que tê-la e deixar o orgulho de lado para desistir da caminhada, e foi o que fiz. O Gluck estava um pouco mais inteiro e com mais força de vontade para continuar a caminhada, apesar de está muito lesionado também, e continuou mesmo com incentivos, de um pessoal que estava na pousada, para ele não prosseguir. Nós comemos e os quatro foram em direção à Foz, eu fiquei na pousada esperando o Jipe para pega-los e traze-los de volta. Após algum tempo o jipe chegou e nós fomos busca-los, no caminho avistamos o Mestre e o Gluck, que logo subiu no carro não aguentando a dor, faltando cerca de 5 km para a foz. O Mestre, Rafael e Fernando continuaram correndo, o Fernando foi o primeiro a chegar e foi o único que não estava machucado. A chegada foi muito prazerosa, tiramos algumas fotos e fomos para um ponto de ônibus na estrada para “pegar” uma van em direção a Maceió. Dentro da van eu estava com muito medo de ter ocorrido algo grave no meu pé e, junto com uma hipoglicemia, isso estimulou a eu passar mal, minha vista escureceu toda e só melhorou quando abaixei a cabeça, a moça do meu lado meu deu água e eu peguei uma rapadura para fornecer um pouco de açúcar ao corpo. No fim, chegamos em Maceió inteiros, com as panturrilhas mais hipertrofiadas e com sensação de missão cumprida.Apesar de eu não ter sentido esta sensação no momento, senti alguns dias depois.
Muitos aprendizados foram obtidos ao longo dessa caminhada que juntos me ajudam a formar uma pessoa mais madura, melhor e autônoma dentro de mim. Fortaleceu muito os laços de amizade entre os integrantes, pois, como já disse um amigo: para conhecer um homem, caminhe quatro dias e quatro noites com ele. Isso foi o que aconteceu. São momentos que levarei por toda minha vida, e com certeza, repetirei várias experiências desse tipo para me fortalecer cada vez mais. “Alguns pensam em fazer algo no qual se orgulhem, outros fazem.”
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