sábado, 9 de abril de 2011

Rodrigo Gluck


            Por conta da minha falta de responsabilidade, não teve como eu fazer um relatório na estruturação que foi posta por outros colegas caiçaras, onde relatos de dias, e acontecimentos específicos são descritos, ao invés disso resolvi postular os benefícios que essa experiência proporcionou em minha vida.

Primeiramente gostaria de agradecer ao mestre Gérson e pelos colegas que participaram deste evento, por me proporcionar uma experiência que muitos não terão nem se quer a audácia de pensar em relação, durante suas vidas. Já que essas vidas são cômodas, e que freqüentemente não são regidas por eles, mas por aparelhos controladores do estado.

Em novembro tinha avisado ao mestre Tamuia, que em janeiro minha participação do processo do ouricuri seria bastante difícil, pois eu estava com uma viagem marcada para visita meu pai fora do estado. A viagem não aconteceu, mas agradeço ao mestre pelo adiamento desse evento para minha possível participação. O que me possibilitou uma experiência única em minha vida.

Após minha participação no ouricuri anterior pelo grupo caiçara, a minha perspectiva era grande para essa edição, ainda mais sendo uma experiência diferente de uma caminhada. Desta vez a proposta seria de um confinamento de cinco dias numa mata fechada com um grupo de pessoas, essa idéia surtia dois efeitos em minha pessoa, a ansiedade e o medo. Acredito que sejam normais essas sensações para todos que estão prestes a realizar um grande feito.

Quem me conhece há algum tempo, como é o exemplo do Arthur, sabe o quanto a minha entrada no grupo caiçara proporcionou-me uma mudança, são inúmeras as características de limitações que eu possuía, e que contornei, com os treinos e eventos que o grupo realizou. (isso me faz   lembrar uma pergunta que o mestre me fez há uns dias, onde perguntou se minha entrada no grupo tinha valido a pena. Na minha cabeça ele só poderia estar de brincadeira, pois era totalmente visível as mudanças positivas que se apresentavam. Eu interpretei como uma pessoa querendo ganhar elogio por uma coisa obvia, rsrsrsrs).

No final de dezembro acabei realizando outra viagem, essa para visitar meu tio em salvador, com um grupo de amigos. Meu tio tem uma formação militar e ate hoje trabalha no ramo de segurança privada. Os dois amigos que seguiram viagem comigo também tinham formações militares e logo os temas mais freqüentes eram em relação a experiências no quartel. No final da viagem ficou inevitável a comparação e a cobrança de meu tio em relação a mim, pois por eu não ter relações com forças militares eu não “sabia viver”, e por um sentimento normal de proteção, acabou vendo-me como fraco e imaturo.. Isso gerava em mim um grande desconforto, pois eu havia me esforçado tanto durante esse ano que tinha passado, e mesmo assim as pessoas próximas a mim não notavam.

Essa viagem me possibilitou grandes reflexões a cerca de minha vida, e como tanto meu tio, como minha mãe e os restantes dos familiares, não tinham culpa de ter uma visão de mim como sendo uma pessoa fraca e acomodada. Se durante 20 anos de minha vida eu me comportei de uma determinada forma e somente um ano dessa existência eu mudei e comecei a entender a arte de viver. Eles têm todo o direito de duvidar de meus feitos, pois só com resultados eu posso mudar essa concepção a respeito de mim.

Foi com essas e outras motivações que seguir rumo a Murici. Para junto à experiência da caminhada até a foz do São Francisco, esses eventos foram ferramentas que possibilitaram uma mudança em minhas fraquezas.

Neste evento algo importante foi trabalhado em minha vida, por eu ter tido um crescimento muito rápido em um ano, minha estima estava muito alta, apesar da visão de minha mãe e de meu tio em relação a mim. Na minha cabeça eu não tinha mais o que aprender na faculdade em relação aos professores que ali si encontravam, e agora me incomodava em receber conselhos, justamente por não dar valor à opinião dos outros, em relação a minha constituição como pessoa.

            O acampamento me possibilitou o momento de avaliar e conhecer inúmeras fraquezas que eu possuía e estava acomodado em trabalhá-las. A maioria dos discursos na hora do desabafo nas noites do acampamento era referente à capacidade de superação que maioria ali conseguiu superar, já que muitos não pesavam que fossem conseguir chegar ate aquele ponto.

No meu caso foi o inverso, minha estima estava tão elevada que na minha cabeça eu era capaz de passar por isso com bastante facilidade. No imaginário e ideal do sujeito, ele tem grandes capacidades e facilidades, o problema é quando este volta à realidade, e percebe que as coisas não são tão simples. Por conta disso o grande foco para mim foi volta à enxerga minhas limitações. Na mata vi que a única coisa que eu era útil era em trabalhos braçais. Se prevalecesse a lógica do mundo de hoje, onde os trabalhos intelectuais são mais valorizados que os físicos, eu estava lascado na mata. Por sorte a realidade lá é outra, cada um possui tarefas especificas para um crescimento mútuo.

            Com essa experiência de ouricuri, pude renovar meus objetivos e reconhecer novos pontos que tem de ser trabalhados, além disso, consegui conhecer pessoas novas e outras antigas, mas de ponto de vista distinto. Foram cinco dias de bastante aprendizado e de divertimento também. Fico realmente grato por mais uma lição de vida que o grupo Caiçara me proporcionou. Continuarei trabalhando para por meio de ações  ser reconhecido dentro do grupo e na arte da vida.


Obrigado a todos os Caiçaras, Salve!

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