Por
conta da minha falta de responsabilidade, não teve como eu fazer um relatório
na estruturação que foi posta por outros colegas caiçaras, onde relatos de
dias, e acontecimentos específicos são descritos, ao invés disso resolvi
postular os benefícios que essa experiência proporcionou em minha vida.
Primeiramente
gostaria de agradecer ao mestre Gérson e pelos colegas que participaram deste
evento, por me proporcionar uma experiência que muitos não terão nem se quer a
audácia de pensar em relação, durante suas vidas. Já que essas vidas são
cômodas, e que freqüentemente não são regidas por eles, mas por aparelhos
controladores do estado.
Em novembro
tinha avisado ao mestre Tamuia, que em janeiro minha participação do processo
do ouricuri seria bastante difícil, pois eu estava com uma viagem marcada para
visita meu pai fora do estado. A viagem não aconteceu, mas agradeço ao mestre
pelo adiamento desse evento para minha possível participação. O que me
possibilitou uma experiência única em minha vida.
Após minha
participação no ouricuri anterior pelo grupo caiçara, a minha perspectiva era
grande para essa edição, ainda mais sendo uma experiência diferente de uma
caminhada. Desta vez a proposta seria de um confinamento de cinco dias numa
mata fechada com um grupo de pessoas, essa idéia surtia dois efeitos em minha
pessoa, a ansiedade e o medo. Acredito que sejam normais essas sensações para
todos que estão prestes a realizar um grande feito.
Quem me
conhece há algum tempo, como é o exemplo do Arthur, sabe o quanto a minha
entrada no grupo caiçara proporcionou-me uma mudança, são inúmeras as
características de limitações que eu possuía, e que contornei, com os treinos e
eventos que o grupo realizou. (isso me faz lembrar uma pergunta que o mestre me fez há
uns dias, onde perguntou se minha entrada no grupo tinha valido a pena. Na
minha cabeça ele só poderia estar de brincadeira, pois era totalmente visível
as mudanças positivas que se apresentavam. Eu interpretei como uma pessoa
querendo ganhar elogio por uma coisa obvia, rsrsrsrs).
No final de
dezembro acabei realizando outra viagem, essa para visitar meu tio em salvador,
com um grupo de amigos. Meu tio tem uma formação militar e ate hoje trabalha no
ramo de segurança privada. Os dois amigos que seguiram viagem comigo também
tinham formações militares e logo os temas mais freqüentes eram em relação a
experiências no quartel. No final da viagem ficou inevitável a comparação e a
cobrança de meu tio em relação a mim, pois por eu não ter relações com forças
militares eu não “sabia viver”, e por um sentimento normal de proteção, acabou
vendo-me como fraco e imaturo.. Isso gerava em mim um grande desconforto, pois
eu havia me esforçado tanto durante esse ano que tinha passado, e mesmo assim
as pessoas próximas a mim não notavam.
Essa viagem me
possibilitou grandes reflexões a cerca de minha vida, e como tanto meu tio,
como minha mãe e os restantes dos familiares, não tinham culpa de ter uma visão
de mim como sendo uma pessoa fraca e acomodada. Se durante 20 anos de minha
vida eu me comportei de uma determinada forma e somente um ano dessa existência
eu mudei e comecei a entender a arte de viver. Eles têm todo o direito de
duvidar de meus feitos, pois só com resultados eu posso mudar essa concepção a
respeito de mim.
Foi com essas
e outras motivações que seguir rumo a Murici. Para junto à experiência da
caminhada até a foz do São Francisco, esses eventos foram ferramentas que
possibilitaram uma mudança em minhas fraquezas.
Neste evento
algo importante foi trabalhado em minha vida, por eu ter tido um crescimento
muito rápido em um ano, minha estima estava muito alta, apesar da visão de
minha mãe e de meu tio em relação a mim. Na minha cabeça eu não tinha mais o
que aprender na faculdade em relação aos professores que ali si encontravam, e
agora me incomodava em receber conselhos, justamente por não dar valor à
opinião dos outros, em relação a minha constituição como pessoa.
O
acampamento me possibilitou o momento de avaliar e conhecer inúmeras fraquezas
que eu possuía e estava acomodado em trabalhá-las. A maioria dos discursos na
hora do desabafo nas noites do acampamento era referente à capacidade de
superação que maioria ali conseguiu superar, já que muitos não pesavam que
fossem conseguir chegar ate aquele ponto.
No meu caso
foi o inverso, minha estima estava tão elevada que na minha cabeça eu era capaz
de passar por isso com bastante facilidade. No imaginário e ideal do sujeito,
ele tem grandes capacidades e facilidades, o problema é quando este volta à
realidade, e percebe que as coisas não são tão simples. Por conta disso o
grande foco para mim foi volta à enxerga minhas limitações. Na mata vi que a
única coisa que eu era útil era em trabalhos braçais. Se prevalecesse a lógica
do mundo de hoje, onde os trabalhos intelectuais são mais valorizados que os
físicos, eu estava lascado na mata. Por sorte a realidade lá é outra, cada um
possui tarefas especificas para um crescimento mútuo.
Com essa
experiência de ouricuri, pude renovar meus objetivos e reconhecer novos pontos
que tem de ser trabalhados, além disso, consegui conhecer pessoas novas e
outras antigas, mas de ponto de vista distinto. Foram cinco dias de bastante
aprendizado e de divertimento também. Fico realmente grato por mais uma lição
de vida que o grupo Caiçara me proporcionou. Continuarei trabalhando para por
meio de ações ser reconhecido dentro do
grupo e na arte da vida.
Obrigado a todos os Caiçaras, Salve!
parabéns, meu velho! bom texto!
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